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terça-feira, dezembro 30, 2008


NEURÔNIOS EM FÉRIAS...

O papo furado de sempre, mais um ano termina...mais um ano novo vem...feliz isso, feliz aquilo,desejar bons votos é sempre um meio de ser educado e de alguma forma desejar o bem, talvez por este aspecto já seja um ato de grandiosidade ? Sinceramente, não vai muito do que se passa em teu coração, tesouro real de coisas que desejas para ti e para o próximo...
Neste momento deixo a todos um almejar de um ano, em que todos possam de alguma forma se encontrar, de alguma forma ter paz em seus corações, de alguma forma ser pessoas melhores ...alguma forma...
E com os olhos fitos nas estrelas refletindo se doce brilhar...possamos todos ter um bom ano.

ps: meus neurônios estão em férias, portanto não exijam muito de minha pessoa, neste instante como todos quero sombra e água fresca, literalmente quero vida de cigarra, porem..há porem não se enganem, eu volto com força total, e já aviso tenho umas perolas que em 2009 entraram...em nosso rol.

Paz e luz em teu caminho.

Luis Fabiano.

terça-feira, dezembro 23, 2008


Poema Do Menino Jesus
Maria Bethânia
Composição: Fernando Pessoa


Num meio-dia de fim de primavera eu tive um sonho como
uma fotografia: eu vi Jesus Cristo descer à Terra.
Ele veio pela encosta de um monte, mas era outra vezmenino, a correr e a rolar-se pela erva
A arrancar flores para deitar fora, e a rir de modo aouvir-se de longe.
Ele tinha fugido do céu.
Era nosso demais prafingir-se de Segunda pessoa da Trindade.
Um dia que DEUS estava dormindo e o Espírito Santo
andava a voar, Ele foi até a caixa dos milagres e
roubou três.
Com o primeiro Ele fez com que ninguém soubesse que
Ele tinha fugido; com o segundo Ele se criou
eternamente humano e menino; e com o terceiro Ele
criou um Cristo eternamente na cruz e deixou-o pregado
na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.
Depois Ele fugiu para o Sol e desceu pelo primeiro
raio que apanhou.Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo.
É uma criança
bonita, de riso natural.Limpa o nariz com o braço direito, chapinha nas poçasd'água, colhe as flores, gosta delas, esquece.
Atira pedras aos burros, colhe as frutas nos pomares,e foge a chorar e a gritar dos cães.
Só porque sabe que elas não gostam, e toda gente achagraça,
Ele corre atrás das raparigas que levam asbilhas na cabeça e levanta-lhes a saia.
A mim, Ele me ensinou tudo. Ele me ensinou a olharpara as coisas. Ele me aponta todas as cores que hánas flores e me mostra como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem na mão e olha devagar paraelas.
Damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo
que nunca pensamos um no outro. Vivemos juntos os dois
com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda.Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas nodegrau da porta de casa. Graves, como convém a um DEUS
e a um poeta. Como se cada pedra fosse todo o Universo
e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cairno chão.Depois eu lhe conto histórias das coisas só doshomens. E Ele sorri, porque tudo é incrível. Ele ridos reis e dos que não são reis. E tem pena de ouvir
falar das guerras e dos comércios.Depois Ele adormece e eu o levo no colo para dentro da
minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo materno até Ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes Ele acorda de noite, brinca com meus sonhos. Vira uns de pena pro ar,põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho,sorrindo para os meus sonhos.
Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro a Tua casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado ehumano. Conta-me histórias caso eu acorde para eutornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu brincar.

Aproveite e sorva a beleza,com vocês Maria Betânia:

segunda-feira, dezembro 22, 2008



Da série contos de Natal...

O Bom velhinho...

Existem coisas que jamais vamos esquecer, e nestas datas tão simbólicas é natural que venham a tona na tela mental, boas e más lembranças e alguns pequenos traumas tambem, coisas de criança, e em meu caso especial, que era uma criança tonta, realmente muito bobinho...
Fui criando na ilusão da existência mágica de Papai Noel, Coelho da Páscoa e outros derivados advindos das terras do sonhos, para uma criança é ótimo crer nisso, muito embora na época não tivesse a comparação de um mundo caótico que tenho hoje, aquela fantasia, aquele sonho inspirava a imaginação, a povoava pelo fantástico, o mágico e o poder de criar...(diga-se de passagem, ao longo do tempo, vamos perdendo tal poder, a criatividade vai tornando-se limitada, justa mesmo, e o tempo se encarrega de nos fazer acostumar...o maior erro...não acostume-se ao que não é essencialmente belo...mas isso é outro assunto, coisas de meus solilóquios pessoais...).
Eu já estava com sete anos mais ou menos, que por si só já é um numero cabalístico ligado a transformações e que tem uma ligação mágica com a vida, pois como diria Ramatís, o Universo é setenário(sete notas musicais,sete dias da semana,sete luas,sete camadas do átomo...e por ai vai...)estávamos todos brincando no quintal de casa,meu primo mais velho e outros, e por algum motivo que não lembro ouve um breve desentendimento entre nós, e então vieram os deboches e infantis ataques(neste caso era literalmente...)mas foi nesta desavença que meu primo o Almir, lançou mão de uma arma fatal, e assim disse:
-Vocês sabiam que o Fabiano ainda acredita em papai Noel ?
Todos riram abertamente, e eu permaneci com minha cara de tonto realmente não entendendo o que se passara, olhava e ele riam, (para era incontestável papai Noel existia...sem me disseram isso, nunca haviam negado...nunca...)então o Almir me olhou e disse:
-Como tudo é burro mesmo, tu não sabes que o papai Noel são os teus pais? Papai Noel não existe...papai Noel não existe...não existe.. há,há,há,há,há...
Foi como se uma pedra tivesse caído sobre a minha cabeça,lembro que fiquei atônito, e ao mesmo tempo em que meu sonhos eram trucidados dei-me conta da dimensão da verdade, sim era claro como água, não poderia haver num mundo tão racional um algo mais mágico...poderia sobreviver?
Cai em mim, aquilo fazia tanto sentido, na hora não entendi porque meu pais fizeram isso comigo, e porque meu primo Almir fizera aquilo. Quando entrei em casa eu literalmente era outra pessoa, quando questionado preferi guardar silencio:
-Não é nada não, apenas briguei com Almir...(eles disseram que Almir era bobo..que não preocupasse com isso...)

Estranhamente eu me sentia bobo, naquele dia minha fantasia morreu, lembro que era próxima da data do Natal, e papai Noel havia virado fumaça, lembro que dias depois do Natal eu mesmo disse a meus pais que não acreditava em papai Noel que eu sabia que eram eles...creio que eles ficaram atônitos também, o que eles nunca souberam que foi o Almir que me informou de forma malévola isso...
Bem isso se passou a muitos anos atrás exatamente vinte e nove anos atrás, eu cresci um pouco, e alguns conceitos foram melhorados e por assim dizer a sublimação da ausência de Noel foi transubstanciada em intenção, fato, o estado de Noel é uma presença de espírito, no momento em que corporificamos nossas emoções e pensamentos em algo que seja bom principalmente para os outros, não importa o que seja, um sorriso, um pensamento harmônico , uma prece...esse é o presente, coisas e quinquilharias são fáceis de dar e as vezes úteis, mas dar-se é uma por assim dizer uma benção talvez a coisa mais importante de todas entregar-se de coração ao bem possível, desembrulhar-se e ofertar-se, temos muito medo disso...e neste medo perdemos o espírito de natal.
Apenas para não deixar passar em brancas Nuvens...Feliz Natal viu Almir,és um amigão
...
Paz e Luz em teu caminho.
Luis Fabiano.

sexta-feira, dezembro 19, 2008



Teia do Emaranhado...

Amanhecia mais um dia em capital ignorada, uma e todas são como são, movimento e vida fervilhante, agitação e o normal muitas vidas e muitas coisas em comum, como diz o axioma Hermético “assim como é acima, assim é abaixo”, a famosa história do macro inserido no micro e coisas deste significado...
Assim nasceu Marcilio, em lugar pobre com condições limitadas, mas um rapaz bom e honesto e de certa forma feliz, ele cresce, estuda e consegue a duras penas terminar o colegial, quando conhece Suzana a qual se apaixona e passa freqüentar sua casa quando o inevitável acontece, ela engravida, Marcilio agora não pode pensar em fazer uma universidade pois a criança irá nascer e a responsabilidade também é sua,a família da aquela prensa normal, Suzana não esta nem feliz e nem triste, o filho era um problema que dividiram para o resto da vida. Marcilio sai para procurar emprego e acha,balconista em uma loja de autopeças, ele aprende o serviço e se torna um ótimo balconista enquanto a barriga de Suzana aumenta e com esta barriga estranhamente a distancia entre eles também, por fim a criança nasce embora ambos tenham famílias eles ainda não tinham sua casa própria, se unem na condição possível ou impossível.
Quando Marcilio toca a na criança pela primeira vez, sente uma emoção diferente que nunca havia sentindo, aquele pequeno ser em seus braços que iria precisar de tudo e principalmente de seu carinho, sua mente esta em turbilhão, nada daquilo havia sido planejado em sua vida, mas aconteceu e agora ele estava ali, tinha menos de vinte anos, tinha mulher, filho e uma nova família que iria começar, um emprego mediano e uma faculdade que tornara-se um sonho.
Pensava o que mais viria em seu futuro.
Mas como era correto no que sentia e queria,a responsabilidade falava mais alto seu coração o tempo passa rápido demais, ele tivera outros empregos e num piscar de olhos estava com quarenta anos, filhos crescidos, e a família consolidada coisas que ficaram para trás tentava esquecer, sim sonhos que a realidade terminou por devorar. Um dia Marcilio adoece e colocado para fora do serviço por estar com quarenta anos num mundo que é competitivo onde os jovem são mão de obra mais barata e em abundancia como concorrer com isso? Pensava perplexo onde ficava a experiência de um profissional? Não entendia, e novamente Marcilio procurava emprego,ainda tinha mulher e filhos e ainda mais o desafio de enfrentar a competitividade, a idade, e o pouco tempo de antes a grana acabar? Pressão de Marcilio não ia bem, eventualmente sentia as tais palpitações, médicos já havia cogitado em aposentadoria por invalidez pois seu coração fraco, ainda mais com ingredientes que ele fazia uso, cigarros e bebida para tornar a vida pouco mais interessante e sentir-se melhor.
Aos quarenta e dois anos Marcilio estava aposentado e sentindo-se um inútil,ainda tinha filhos e mulher e mais o tédio que lhe invadia a vida de maneira irremediável, os sonhos como fantasmas ainda habitavam sua mente e havia uma disputa com consigo mesmo,s e conseguiria sobreviver depois de tanto tempo e um coração fraco ?
Pensava em na fragilidade do destino e como por vezes ficamos cativos de nossos princípios, não que princípios fossem coisas ruins, ainda sim precisam de bom senso,não se culpava apenas pensava, por vezes é importante pensar em sentimentos, é bom ter-se uma boa imagem deles.
Pensava, que nós que não conhecemos o Marcilio temos haver com sua historia?Sei a que a maioria de nos pensa que nada, Marcilio é mais um entre muitos engolidos por acontecimentos que quando menos esperamos seja por nossa culpa possível, porque todos estamos vivendo nossas vidas e ignorando muito as coisas a nossa volta, ignoramos as pessoas desconhecidas, ignoramos o planeta e estamos nos lixando para natureza, bem uma coisa é certa com tudo isso, só é possível fazer uma humanidade diferente quando começarmos a nos importar um com os outros, quando o desconhecido que precisa de ajuda tiver nossa atenção(não estou dizendo que sejamos tolos ou inocentes, apenas que abramos um pouco mais o coração...)quando começarmos a olhar o planeta como nossa casa realmente e dentro do possível pararmos de agredi-lo, sim, pode parecer estranho mas estamos todos emaranhados, um ato nosso seja qual for sempre repercute no todo, um ato coletivo repertute na coletividade, fios invisíveis nos ligam, sejam feitos de afetos e massa de pensamentos que em vem a converter-se em realidade, estamos todos em um teia.
Teia do emaranhado...
Somos um pouco de Marcilio...um pouco de João, um pouco de Maria.
Pense um pouco nisso.

Carinhosamente.
Luis Fabiano.

“Todo mundo é dependente.
Não importa quem é a pessoa.E todos são dependentes porque nunca tiveram nada
Melhor para substituir aquilo em que são viciados, e nunca tiveram uma razão pela qual acordar toda manhã e uma razão para viver.O homem que é dependente de poder se levanta toda manhã e faz as coisas que mostram o seu poder.Ele precisa ter uma porção de pessoas que lhe sirvam de alimento, a quem oprimir, a quem comandar,para sentir que tem valor.
Porque ele sente que não tem valor.Ele precisa daquelas emoções para se sentir valorizado.”

Ramtha – Sobre as possibilidades infintas.

quinta-feira, dezembro 18, 2008



Contos de Natal...

Vulgo Zé Ninguém...

Existe uma musica dos Engenheiros do Hawai que inicia mais ou menos assim...”muito prazer meu nome é otário, Vindo de outros tempos mas sempre no horário...” claro que a letra é profundamente critica e uma ironia, dando uma noção breve de quanto somos semelhantes em muitos sentidos...
Muito prazer meu nome é Zé Ninguem...
Estou por ai em todos locais e muitas vezes em local nenhum, sou aquele olhar ignorado, aquele que por motivos mil é desprezado,e por vezes esquecido completamente, sou aquele que queria uma chance de talvez tentar acertar...mas entendo que os humanos são movidos por sentimentos complexos e a compaixão não é por assim dizer uma atitude “normal” de nosso comportamento.
Não pense que sou somente aquele que você desconhece, não sou aquele que por vezes convive lado a lado com você mas por omissão e simplesmente desatenção não me vez, não compartilhas comigo nada, nem mesmo teu sorriso...ou tuas lagrimas...será que existo realmente?
Não sei.
Na noite onde as estrelas brilham e bolas multicoloridas de natal enfeitam árvores e ornam caminhos repletos de luz, eu permaneço semi-ocultado, na margem que ninguém vê! Naturalmente você deve estar pensando que por vezes fazemos por merecer as coisas que vem ao encontro de nosso caminho, e isso de alguma forma é verdade,mas quem em sua vida não se equivocou? Quem não foi injusto ao menos uma vez? E nesta linha de pensamento, quem não se arrependeu vezes e vezes pelos transtornos gerados a si e a outrem ?

Então em meio a tantos pensamentos tumultuosos uma luz se fez,ainda não sei dizer de onde vinha, se era do céu, da terra ou daqueles que não me viam...luz branda que não feria os olhos e enchia de paz,por muito tempo não sentia o que senti,não fazia mais sentido isso, naquele breve instante entendi que intenções são tudo, luz feita de bons pensamentos e emoções quase puras, ainda que sejam breves como raios que iluminam a noite e somem como se nunca tivessem existido.Neste breve momento eu me senti bem, havia paz em mim e por assim dizer me permiti a vivencia do espírito de Natal.
Creio que a idéia verdadeira é mais ou menos essa, dar-se a oportunidade de ver o que não costumamos ver tanto em nós como nos outros, como diria um místico, “ as pessoas não são essencialmente más, elas são essencialmente ignorantes...”, creio que este momento sucinta elevarmos um pouco o véu de nossa obnubilidade e ver os “maus” de forma diferente, é claro que não somos capazes de fazer isso de forma imediata, mas podemos pensar aos menos..lembrar ao menos...seria como uma breve oferta a data que possui significados tantos..

Paz e luz em teu caminho.
Luis Fabiano.

Sobre Deus...

“Deus é maior do que a maior das fraquezas do ser humano. E Deus precisa transcender a grandiosidade da habilidade humana de forma incrível para ser visto em seu absoluto esplendor. Como um homem ou uma mulher podem pecar contra algo tão supremo? Como pode uma pequena unidade de carbono, na Terra... no quintal da Via Láctea, trair Deus o Todo Poderoso? É impossível. O tamanho da arrogância é o tamanho do controle daqueles que criam a imagem de Deus à sua própria imagem.”

Ramtha - Quem Somos Nós

quarta-feira, dezembro 17, 2008


“...no mundo existe um corpo de Verdade que jaz por trás de todas estas religiões, e representa os fatos da natureza até onde no presente são conhecidos pelo homem. No mundo externo, por causa de sua ignorância disso, as pessoas estão sempre disputando e questionando sobre se existe um Deus; se o homem sobrevive à morte; se lhe é possível progresso definido, e qual é sua relação para com o universo. Estas questões estão sempre presentes na mente do homem tão logo sua inteligência desperta.
Não são irrespondíveis, como freqüentemente se supõe; as respostas para elas estão ao alcance de qualquer um que faça os esforços adequados para encontrá-las. A verdade é alcançável, e as condições para seu alcance são passíveis de conquista por qualquer um que faça o esforço.”

Manual de Teosofia.

terça-feira, dezembro 16, 2008



Em vida noturna

Confesso que já fui mais boêmio, tinha um estilo de sair todos os dias da semana, mas o tempo aos poucos cada vez mais vai nos mostrando que não existe muita coisa lá fora, em alguns momentos não há nada lá fora mesmo. Logicamente que parece estranho pois fica parecendo títeres , movendo suas cordinhas animando pessoas, coisas e objetos. Mas eventualmente ainda me arrisco a sair, e logicamente é possível ver coisas muito estranhas, mas não menos divertidas.
Estes dias fomos a um bar destes de minha cidade, local conhecido de publico cativo e ambiente quase familiar e paisagem amena. Chegamos sentamo-nos e então começa um breve desfile parco e mirrado, mas só vemos as situações mais interessantes depois de a noite avançar, pois a beberagem começa gradualmente as minar mentes despreparadas ou mentes cansadas, tornando lentamente o centro da razão cada vez mais circunspecto e literalmente deixando mais “aflorados” os instintos mais básicos. Não demora.
Uma festa em que as pessoas são mais maduras (por favor não me entendam mal, não tenho nada contra a maturidade, diga-se de passagem não dou atenção a coisas que na aparência não dizem muita coisa das pessoas em si...), sim, a madrugada chega...eu vi e ninguém me contou:
Então ele apareceu do nada, com ar de conquistador, cabelos longos, camisa listrada e uma jeans, até ai tudo bem, a questão era a pose:em pé encostado em uma coluna, em um detalhe anatômico bastante sui generis, as duas mãos com os dedões enfiado nos bolsos da frente e as mãos espalmadas na frente do zíper como a colocar em evidencia o seu “poderio de fogo”!! Ele já estava justamente observando como condor, uma das mais jovens e belas da festa, em minha mente fértil o desfile dos contos de fadas, eis que a bela e fera eram evocadas, não havia bailado, era a dança dos olhos, do Sr.Condor e da anônima moça que brilhava em seu breve vestido...guerra silenciosa que claro acabou na derrota do Sr.Condor, com bela que era, acabou ganhando espaços, ou melhor a rua mesmo...
Mas logicamente tiveram outros, fiquei observando um senhor to alto de sua provecta idade, insistindo em pentear os ralos cabelos que lhe ainda sobravam em sua cabeça,fazendo o famoso penteado Careca-cabeludo, (é uma ciência quase lógica isso, o cidadão pega cabelos da parte lateral da cabeça,da parte de detrás e levanta em direção ao alto da cabeça, é claro que isso dará a impressão para ele mesmo, que ele possui muitos cabelos, e esta perfeitamente normal, nenhum fio jamais caiu de sua cabeça...), ele ficou ali horas brigando com os fiapos de cabelo.
Mas não falarei apenas do homens não gosto de ser injusto,as senhoras também apresentaram seus que não deixam de ser os nossos ridículos pessoais, lembro-me que era uma janta tropical, bem eu não sou muito tropical, porque sou avesso a muitas coisas,minha predominância carnívora e como todos sabem não existem arvores que dão picanha, costela ou mesmo cupim...mas deixemos para lá meu tolo comentário.
A cena típica , a Senhora sentou-se com sua amiga, ambas gordinhas, então serviram dois enormes pratos, sim, daqueles pratos que parecem uma nau que vai adernar, mas o prazer em estampado em seus rostos,saboreavam a cada garfada, aquilo era quase um mito.Em breve os pratos vazios tornaram a ser repletos e mais uma vez a nau quase afunda sem ancora, como era de presumir falavam pouco, bem antes tão saborosa refeição pouco há dizer...musica dos talheres...
Mas não posso me furtar...é preciso compartilhar meu ridículo pessoal:o local era para dançar, mas eu tenho dois pés esquerdos, realmente não danço nada, não tenho ginga, muito embora minha tez afro descendente, tudo bem podem achar graça...não irei mais longe que isso, deixe-me com minhas pernas de pau.

Paz luz em teu caminho.
Luis Fabiano.

segunda-feira, dezembro 15, 2008



Nem...




Nem todo lobo, é feroz...
Nem todo inocente, é puro...
Nem todos que são maus, o são de coração!
Assim como a natureza:
Nem todo dia cinza, é triste...
Nem todo raio, machuca...
E nem todo orvalho, é inofensivo...

Entre areia causticante do deserto
E um oasis de ventura.

Paz e luz em teu caminho.

Luis Fabiano.

quinta-feira, dezembro 11, 2008


Hoje A Noite Não Tem Luar
Legião Urbana
Composição: Menudo

Ela passou do meu lado
Oi, amor - eu lhe falei
Você está tão sozinha
Ela então sorriu pra mim

Foi assim que a conheci
Naquele dia junto ao mar
As ondas vinham beijar a praia
O sol brilhava de tanta emoção
Um rosto lindo como o verão
E um beijo aconteceu

Nos encontramos à noite
Passeamos por aí
E num lugar escondido
Outro beijo lhe pedi

Lua de prata no céu
O brilho das estrelas no chão
Tenho certeza que não sonhava
A noite linda continuava
E a voz tão doce que me falava
O mundo pertence a nós

E hoje a noite não tem luar
E eu estou sem ela
Já não sei onde procurar
Não sei onde ela está

Hoje a noite não tem luar
E eu estou sem ela
Já não sei onde procurar
Onde está meu amor?

Inocência quase boba, por vezes gostaria ter permanecido inocente diante de tantos acontecimentos do viver, sim ainda preservar um aspecto mais intenso sem os entraves que a dor gera em nosso observar.Renato ao cantar a inocência, diz entre sorrisos que é “cafona”,de fato ante a nossa falta de sensibilidade isso soa a emoções bregas de um mundo que não é feito assim mais.
Creio que temos sede de tais coisas bobas, brincar sem maldade, sorrir puramente pelo prazer de sorrir,e voltar aprender a olhar o luar novamente, coisas bobas, que tornam a vida algo especial...pense nisso,eventualmente seja pueril, ingênuo...faz bem.





Da série Papo de natal...

Eu vi

Ontem pela primeira vez eu vi, sempre tivera os olhos abertos mas estranhamente tudo me parecia sem muita nitidez, não sei se foram as lagrimas que converteram-se em lentes, em baças lentes...
O que vi mudou meu pensar, como mão amiga que pela primeira vez toca a face, e distende emoções...abre espaços em nossas estreitas entranhas...
Sempre gostei de pensar no infinito em contraparte de nossa finitude, na figura poética do homem tão pequeno com sonhos de tentar buscar as estrelas, tocá-las com os dedos...descobrir seus mistérios...talvez ver-se nelas.
O que nos faz ainda pensar, como vemos a nós mesmos?
Será que exploramos nosso interior com um círio que tremeluz vacilante com medo das sombras em nossos desvãos?Quem não tem tal medo?
Neste período(natal, ano novo,festas etc...) tão especifico onde entram em jogo emoções tão dispares, por um lado o profundo desejo de festejar e por outro, a amargura de muitos que se dão conta subitamente de si mesmo e como a vida transcorre. Melancólicos sinos dobram dando-nos a impressão que algo chega, algo desperta em nossa razão, em nossa emoção,um período especial onde a magia quem faz somos nós.
Aquele dia era o natal, mas Osvaldo não estava muito preocupado, não fizera preparativos e não esperava ninguém,infelizmente o natal não trazia boas recordações sempre esperara demais da vida e esta em troca nunca lhe foi por assim dizer generosa, é certo que ele também nunca fez nada de muito interessante, eram um homem sem paixão,é preciso paixão para sentir-se vivo, não refiro a vis paixões, mas estar literalmente enamorado da vida, Osvaldo estava aborrecido com a vida...
Nem mulher, filhos ou amigos chegados, acostumara-se a solidão, e talvez esse seja o mal maior, o isolamento cria defesas que terminam por afastar tanto o generoso quanto o ímpio,mas Osvaldo naquele dia queria apenas que o dia tivesse apenas doze horas e que passassem rápidos, lembranças amargas quando chicoteiam nosso intimo é a pior das punições, dor que silenciosamente dói...
O Natal passou, Osvaldo então sente novamente satisfação do que é comum, é assim.
Aprendi com o tempo que é preciso saber “matar” péssimas lembranças, deixá-las a beira da estrada como um saco de tijolos, é preciso saber abandonar, abandonar-se, creio ser este uma parte do espírito de natal, a hora de perdoar-nos mutuamente e literalmente oportunizar-se uma nova chance, sim para si mesmo primeiramente e como resultado natural de tal crescimento...como perfume que se espraia ao éter, dando mostra efetiva de nossas boas intenções.
Misteriosamente somente este período é propicio a isto, devido imagino ao profundo estigma de nossas consciências, talvez por ser o significado deste nascimento mais que uma inspiração...
Tantos “talvezes...”

Paz e luz em teu caminho.

Luis Fabiano.

quarta-feira, dezembro 10, 2008


Um axioma místico afirma:


“...o erro está condenado a imitar a verdade”.


Leadbeater.

sábado, dezembro 06, 2008



As ordens Dr.Chato...

Parece inescapável mas em algum momento da existência todos temos por breves que sejam manifestações de alguém “chato”, não precisamos no contexto de chatice pois tais especulações varam o infinito.Possivelmente o chato imite aquele outro chato no que tange a manifestação nos pelos pubianos o tal bichinho é daqueles que transtornam o local, irmão próximo de piolhos, pulgas, carrapatos e outros que só de pensar já começa a dar uma certa coceira!Mas de qualquer forma em algum momento nos caímos em tentação...
Dr.Irineu era uma figura em pessoa, baixinho, calvo e uma barriga de fazer inveja a qualquer barril de chope, sua vida tudo transcorrera com certa naturalidade e agora atingiu a idade provecta e com a maturidade e a experiência de três casamentos frustrados, mas seu coração não era para ficar solitário então encontrou no carinho de Dorací a companhia de vida novamente!
Como todo namoro inicial repleto de cerimônias, longas conversas, mas então como era esperado vem o dia que em vão passar a primeira noite juntos, uma boa conversa, carinhos e afagos prazeres naturais e o sono que advêm sempre,a te ai tudo bem tudo transcorrera tudo muito bem e todos dormiram.
Mas o que Dorací não sabia era a mania quase aviaria de Irineu, ele acordava antes das galinhas e somente não imitava um galo mas creio que fazia algo muito pior, ele lépido olhos esbugalhados e com toda a animação matinal, acordava e começava a entoar cantigas ao pé do ouvido de sua amada, coisas como:o meu amor esta dormindo mas eu não vou acordar o meu amor...tra-la-la-la, o meu amorzinho ta dormindo mas não,não,não nunca acordarei meu amor...
Naquela manhã Dorací foi acordada por este despertador de um metro e sessenta, com a surpresa do desconhecimento e claro tudo parecia tranqüilo para uma primeira vez, mas ao longo do tempo isso foi se repetindo e claro perdendo a graça, e ganhando ares desagradáveis, sim era todos os dias, a mesma musiquinha, enfadonha, cansativa...
Dorací descobrira porque os casamentos de Irineu haviam acabado, ela começava a perder a paciência e perdeu de vez, no dia seguinte quando ele começou a entoar a cantiga maldita, foi o estopim, Dorací levantou abruptamente possessa, dizendo:
-Chega, chega, chega...por favor chega...
Irineu sorriu amarelo e assustado dizendo:calma benzinho, calma...amoreco...
Mas Dorací não acalmava, já levantou pegando suas coisas dizendo que ia embora...
Irineu ainda meio gaguejando dizendo: Onde você vai Dora?
Silencio mortal....expectativa,e uma imaginação fértil e então descobre-se...responde Dorací com um ar de enfado:
-Irineu, você é um amor, mas eu vou dormir no outro quarto,e assim ficamos quando estivermos acordados...tudo certo ficamos juntos..mas vamos evitar de acordarmos juntos, para a saúde de nossa relação!
Passado o susto, Irineu pondera, e concorda, naquele dia ele entendeu o quanto era chato!!
Será que o ser humano só se dá conta quando esbarra na tragédia de si mesmo?
No quarto sozinho Irineu, não cantou mais...mas ao longe muito ao longe ouvia-se um galo cantando o amanhecer...

Paz e luz em teu caminho.

Luis Fabiano.



quinta-feira, dezembro 04, 2008


Da primeira vez...

Sim, todos fomos jovens,e em nossa breve inocência acreditávamos em castelos de nuvens, em bolhas de sabão,em pétalas que voam ao sabor do vento,nos sorrisos e nos afagos de todos...todos somos assim, eventualmente movidos por ilusões, como a expectativa de um rosto velado.
Por vezes entendo o fascínio das pessoas pelas ilusões, porque elas nos dão o alento embriagador para a vida seja um mar de rosas, embora todos saibamos que nada disso é assim, tudo é mais ou menos como deveria ser.Mas se por um lado a primeira impressão é a que fica, por outro é que nem sempre ela é verdadeira, muitas vezes falsa, com a experiência da vida vamos fazendo opções e passando pro processos de aprendizado que de alguma forma vão lacerando nossas emoções, vão enrijecendo nosso pensar, e vão criando uma serie de mecanismos de defesa o qual de alguma forma impõe um pouco de perda com a realidade.
Ficamos preso as teias que nos mesmos tecemos em nossa intimidade.
Falo agora como a maioria de nós gostaria de ser, que acontecesse, sim gostaríamos de acertar de primeira, seja o que fosse, nosso almejar, mas ai eu questiono, poderá a semente um dar sementes se não sofrer, as intempéries, os ventos, o frio, a sede e abundancia?
Como ser sem ser?
Como fazer com que nosso olhos vejam com inocência ainda que a madureza de nossa vivencia nos faça lembrar amargas experiências?Parece uma colocação Zen, mas pode o que é velho olhar a vida com os olhos de um recém nascido?
Não sei se é possível. Ao longo da vida vamos mudando e dando espaços ao que antes não existia e isso é uma forma de paz e buscar a harmonia, que possamos ao longo deste viver conservar algo de nossa inocência, ou por assim dizer resgatá-las num desejo mais sublime, mais profundo...

Paz e luz em teu caminho.
Fabiano.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Ao que teme...

Floresta negra, caminhas a passo lento em espreita, grave silencio cerimonial que faço, se não sei onde o perigo se esconde? Que se pensa ante o forte pulsar da batidas do coração?A mente não define traços, e teme sombras e dificilmente percebes a verdade, movido por pulsares...tudo são batidas...tudo é apreensão.
Cedo ou tarde da floresta vem o ataque, fera sempre desconhecida mas de dor certa, garras, dentes, laminas da alma,de tua coragem arma em punho de si,de tua força determinação, se a carne é lacerada fase com que tua mente jamais o seja, e ante o pulsar da batalha seja tua paixão pela vida tua força..
Paixão, combinação de um coração que pulsa e uma mente afiada...assim chega-se lá, em calma quase em prece, cerimônia de si mesmo, mas dificilmente assim agimos, deixamos nos levar como um fiel de balança, eterna guerra em si de mente ou emoção...
Talvez nosso maior medo seja a floresta negra que trazemos em nós, sim, nossos vãos desconhecidos, repletos de sombras, medos, anseios, decepções, arrependimentos, de causas humanas e humanas causas.
Eis o que tememos verdadeiramente, o que habita em nós e não sabemos onde.

Ao que permanece oculto em ti.
Paz e luz em teu caminho.

Luis Fabiano.

"Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo."

Luis Fernando Veríssimo.

sexta-feira, novembro 28, 2008


Aos Nossos Filhos
Ivan Lins
Composição: Ivan Lins / Vitor Martins


Perdoem a cara amarrada
Perdoem a falta de abraço
Perdoem a falta de espaço
Os dias eram assim

Perdoem por tantos perigos
Perdoem a falta de abrigo
Perdoem a falta de amigos
Os dias eram assim

Perdoem a falta de folhas
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha
Os dias eram assim

E quando passarem a limpo
E quando cortarem os laços
E quando soltarem os cintos
Façam a festa por mim

Quando lavarem a mágoa
Quando lavarem a alma
Quando lavarem a água
Lavem os olhos por mim

Quando brotarem as flores
Quando crescerem as matas
Quando colherem os frutos
Digam o gosto pra mim

A letra trata do futuro breve,quando mais maduros passamos a ver as coisas com outros olhos, a dar valor ao que era sem sentido, a perceber o que somente ao peso da experiência da vida começamos a entender.
Perdoem a todos... afinal quem de nós não fez atropelos, erros, feriu e deixou-se ferir em alguns momentos da vida...passa o tempo, e ai estamos nós em nova experiência. Musica linda dedicada aos filhos, e todos somos filhos de alguém, o que nos passamos de dor e dificuldades, não queremos que nossos filhos passem, mas existe a hora de alçar o vôo, e só se aprender a voar tentando muitas vezes...
Falo com um leigo, não tenho filhos, mas ante a alguém que queremos bem ,é bastante sensato que não queremos que sofra, embora saibamos a vida tem sua cota de sofrimento, aos filhos que não tive fica o meu querer que também não sofram.

Paz e luz em teu caminho.
Interpretação insuperável de Elis Regina:

quinta-feira, novembro 27, 2008


De Beleza que dói.

Estou farto de lágrimas difíceis e doloridas, dores sem fim que mesmo não sendo minhas ecoam em minha intimidade,não, quero respirar belezas que laceram que de tão agudas atingem nossas percepções, levando-nos a uma benéfica dor, as boas lagrimas.
Todos sabemos do caos existencial assola as diversas partes do mundo e de uma forma muito bizarra as pessoas se alimentam do trágico, temos a agudeza que apontar as lamas da existência, em um total olvido do sol e as estrelas...não os vemos mais...
Não quero mais ser um partícipe de tal ceia feita de horrores, onde os detalhes são aprofundados ao extremo, quero ser um profundo alienado,como um nascimento as avessas quanto mais idade menos saber fútil, mais entendimento do que relevante para viver em paz e deixar em paz viver.
Sou simplório: mas tudo o que existe de dores de forma direta ou indireta é um resultado do primarismo humano o que não deixa de ser profunda ignorância, não existe “culpa”, cobrança,ou uma representação maligna que bastonea a nossas costas a cada vez que fazemos uma estultice,nada disso amigos:são resultados naturais de como procedemos para conosco mesmo, com a natureza e com o próximo, resultado natural como uma mecanismo sutil de leis que são causas e que geram certos efeitos nada mais.Se passo minha existência inteira agredindo o organismo de alguma forma por nossos naturais desequilíbrios de toda sorte, é lógico que tal organismo ao longo do tempo sofrerá desgastes e estes claramente se manifestaram,com a vida de uma forma bastante ampla funciona mais ou menos assim, será que precisaremos sempre da fatídica dor para nos lembrar que é preciso apenas ter bom senso em tudo ?Seremos vitimas de arrependimentos sem fim simplesmente por não saber pensar?
E disso todos sabemos e ainda sim é algo relativamente inútil...e como resultado de nossas limitações fazemos exatamente a mesma coisa...como se denomina um animal que age sempre da mesma forma?
Deixe-me ser um alienado, estou desaprendendo tudo deixando mais silencio em mim, tuas dores não são novidade alguma e nem as minhas tão pouco,é preciso sair de tal condicionamento eleito como “certo”, isso não existe, buscar do fundo de nossas dores a semente que dá nascimento ao aprendizado se isso não for atingido amigo meu...tudo inútil e vão.
Quero beleza que doem, na esperança que tais dores faça nascer em mim um novo eu.

Aos que tem sede, aos que tem fome a Ele...

Paz e luz em tua caminho.
Luis Fabiano.



Vivir Sin Aire (tradução)
Maná


Viver Sem Ar


Como queria poder viver sem ar
Como queria poder viver sem água
Eu gostaria de precisar um pouco menos de você
Como queria poder viver sem você.

Mas não posso, sinto que morro
Estou me afogando sem teu amor.

Como queria poder viver sem ar?
Como queria poder acalmar minha aflição?
Como queria poder viver sem água?
Eu gostaria de roubar teu coração


como poderia um peixe nadar sem água?
Como poderia uma ave voar sem asas?
Como poderia a flor crescer sem terra?
Como queria poder viver sem você.


Mas não posso, sinto que morro
Estou me afogando sem teu amor.

Como queria poder viver sem ar?
Como queria poder acalmar minha aflição?
Como queria poder viver sem água?
Eu gostaria de roubar teu coração

Como queria poder te lançar ao esquecimento?
Como queria poder te guardar numa gaveta?
Como queria poder te apagar com só um sopro?
Eu gostaria de extinguir essa canção.

Musica linda repleta de um doce significado, das necessidades que vão alem necessidades, mas que são grandiosas porque nos tornam melhores e aos outros também , a vivência mais profunda do que realmente se sente.
Deixar-se afogar pelo querer, por estar tão próximo...uma voz..um canto, um carinho...no entanto, ele mesmo replica, é a impossibilidade disso consumar-se em letra e forma, afirma ao final que gostaria de extinguir essa canção...por ser tão pequena, estreita ante um sentimento que transcende as cadeias do coração e vai alem ganha espaços...abram seus corações.
Deixo com vocês em voz levemente rouca Maná


acústico:
http://www.youtube.com/watch?v=OxHd7XoTaDc
ao vivo:
http://www.youtube.com/watch?v=8ge7eYq9JfQ

"Auto-reverência, autoconhecimento, autodomínio. Só estas três coisas conduzem a vida ao soberano poder". Mas lembra-te ao mesmo tempo do extremo perigo da obstinação não regulada pelas três mencionadas qualidades, especialmente em se tratando de desenvolvimento espiritual.

Mestre Kuthumi

quarta-feira, novembro 26, 2008


Traços de agonias...

Não creio mais em tuas melífluas palavras, elas não podem aplacar a fenda do meu sentir...a voz que antes fazia-me encantar e inspirava ao que há de mais belo, que pode-se cultivar na intimidade da alma...hoje soa como ecos sinistros e uivos dissonoros que se perdem nas madrugadas do tempo...
Não creio mais no toque de mãos flutuantes, que afagavam minha epiderme sem sentir o pulsar de minhas entranhas, ontem tais toques me faziam sorrir e davam a impressão de profundeza, eternidade e candura...mas hoje os suaves toques converteram-se em garras afiadas que laceram meu ser, ferem e machucam na utópica tentativa de fazer-me bem...toca mas não me toca, beija, mas sem lábios...olha e não vê...fere e não percebe...
Pus no amanhã as esperanças de sempre, mas a grandeza de meu querer ante os tenros brotos da realidade, tão pequena, tão frágil,é apenas o que é...dos castelos que *Maia tece em nosso ser e mente...*Shiva em sua macabra dança, traz a “destruição” ou a renovação, e deforma sublime, tudo renova-se e busca seu fim...se ontem eram feridas abertas em dor...hoje cicatrizes feitas de silencio e entendimento...renovação e destruição...a beleza de receber o afago da vida, ainda que por vezes doloroso...ainda que não seja o que esperamos...
A solidão fez de meu ser,fez surgir uma nascente, de onde brotam minúsculas gotas que refletem as estrelas, o éter e o universo...mas em seu percurso ao rio uni-se as impurezas do trajeto, e os reflexos antes tão nítidos perdem luz e definição, dando espaços as nossa hediondas misérias de ser...é do gingante que existe em nós, que devemos apreciar a vida, ou é do diminuto em nós que devemos ouvir os sussurros do viver?
Sinceramente não sei...nossa perene percepção deve compreender de onde vem nossa sede...e raramente sabemos do que temos sede...

Paz e luz e teu caminho.
Luis Fabiano.

terça-feira, novembro 25, 2008


What A Wonderful World (tradução)

Louis Armstrong

Que Mundo Maravilhoso


Eu vejo as árvores verdes, rosas vermelhas também
Eu as vejo florescer para nós dois
E eu penso comigo... que mundo maravilhoso

Eu vejo os céus azuis e as nuvens tão brancas
O brilho abençoado do dia, e a escuridão sagrada da boa noite
E eu penso comigo... que mundo maravilhoso

As cores do arco-íris, tão bonitas nos céus
Estão também nos rostos das pessoas que se vão
Vejo amigos apertando as mãos, dizendo: "como você vai?
"Eles realmente dizem: "eu te amo!"

Eu ouço bebês chorando, eu os vejo crescer
Eles aprenderão muito mais que eu jamais saberei
E eu penso comigo... que mundo maravilhoso
Sim, eu penso comigo... que mundo maravilhoso

A voz rouca de Armstrong não transparece inocencia,mas a letra é quase ilusória,fala de coisas comuns que de alguma forma perdemos contato,vida simples, apreciar a natural felicidade de coisas simples, o mundo é maravilhoso é certo mas é preciso saber aprecia-lo com alguma compaixão e porque não dizer bondade, pois a crueza destes tempos faz esquecer que é preciso descobrir o que há belo em nós para descortinarmos a vida a nossa volta.
com vocês Louis Armastrong:

Verrugão



Que a alma humana é repleta de imperfeições, isto é praticamente chover no molhado, mas tudo que ai está, em nosso conturbado mundo reflete de alguma forma as tais imperfeições, de nossa individualidade que luta e agoniza aos turbilhões de defeitos. Logicamente que não perco mais tempo pensando nisso, mas como um usurpador da estultice humana , ela me é manjar para meu voraz apetite. A eterna luta do homem consigo próprio, na ilusória fantasia que seus inimigos sejam os outros!!
Mas não falemos tão somente de defeitos, aprendi ou melhor aprimorei, que por vezes tais defeitos são a manifestação da mais pura verdade humana, repleta de erros, passionalidades e ignorância, mas é a verdade possível ao homem. 
A natureza por vezes também diverte-se com isso dando, “luz” aos nossos mais atrozes defeitos, fazendo emergir ironicamente alguma qualidade, logicamente que nem sempre é o que esperamos, se esperamos algo, então como uma gestação algo nasce, nem sempre é um filho bem querido, como se diz usualmente, quando não queremos dizer que algo é feio, dizemos, é simpático...
Adônis ao contrário de seu xará da mitologia grega, não era um símbolo de beleza masculina, alias era ante os padrões elitistas atuais, ele era uma verdadeira aberração, mas nunca se perde a esperança, por vezes onde pensamos que nada vem, realmente nada vem. Na sua adolescência ele fora um menino normal, logicamente as meninas fugiam dele, mexiam com sua feiúra,mas Adônis era bem resolvido pessoalmente, não se deixava afetar com a verdade, talvez a dor de ser sempre achincalhado, lhe criara um calo nas entranhas e não mais sentia dor alguma, ria indiferente.
Mas o tempo passa, ele agora com vinte e três anos, era um homem, trabalha em uma loja como atendente, era educado e as pessoas gostavam dele. Porem um dia sente algo estranho, uma comichão na extremidade peniana, uma coceira estranha, deixou passar, no dia seguinte ao acordar, depara-se com algo que lhe mudaria a vida completamente, quiçá a existência de muitas pessoas.Na cabeça de seu pau, nascera uma verruga, sim, uma pequena bolinha sem pelo, que ficava quase na extremidade da glande, assustou-se achou que era uma doença horrível ou coisa assim, correu ao médico, chegando lá , consultou. O médico olhou para aquela simpática bolinha, e foi taxativo e afiado: É Adônis vamos ter que fazer uma micro cirurgia ai,porque isso ai vai te incomodar nas horas de “alegria”, há, há,há...
Adônis sorriu amarelo(tinha a impressão que lhe tirariam o pênis...), mas se tinha que ser feito, que seja. Marcaram a cirurgia para dá li a alguns dias, mas naquela noite Adônis fora para noite divertir-se um pouco, relaxar, e beber, conversava com um amigo a respeito de seu pau agora defeituoso, ria da própria desgraça (para alguns homens o pau é infinitamente mais superior que o cérebro, por isso que a maioria do homens pensa com a cabeça debaixo tornando a de cima mero acessório ideoplástico...) mas neste bar uma raridade aconteceu, surpresas agradáveis da vida, uma mulher olhou com interesse para Adônis. 

Ele bebeu mais um gole, criou coragem e foi lá, conversaram, ambos já estavam meio alcoolizados, e tudo rolou como era esperado, Adônis inclusive se esquecera de seu pequeno detalhe anatômico bizarro. 
Chegaram no apartamento da moça, semi escuridão, beijos, caricias, roupas ao chão, mais e mais caricias repletas de tesão, por fim a moça não resistindo sobe sobre Adônis fazendo uma cavalgadura com o pênis totalmente dentro de si...porem..quando “ele” entrou, ela sentiu algo que jamais havia sentindo, sim, era muito bom aquilo,uma pequena pressão, tivera um orgasmo quase imediato, e depois outro e outro, como podia, sim o pau de Adônis lhe tocou, como nenhum outro pau havia tocado, aquela noite Adônis sentia-se um verdadeiro Casanova,(muito embora não tivesse lá muita experiência sexual,aquele dia parecia que a natureza lhe presenteava com algo sui generis,sua verruguinha tão anti estética, atingirá o ponto G de Verônica, que então desenvolveu por Adônis uma espécie de “amor de pica”.
Adônis ao dar-se conta de seu novo poder, cancela a imediatamente a cirurgia peniana, e por casualidade, a partir de Verônica vieram, Marias, Helenas, Joanas, Cassandras e outras tantas,todas tocadas direto no ponto G pela vara “mágica” de Adônis, curiosamente graças a um defeito a auto estima de Adônis subira, a verruguinha tornou-se um detalhe que fez a diferença na vida de Adônis e algumas mulheres.

Sim, do defeito que emerge uma qualidade, ironicamente do pau nasceu a luz refazendo o mito da Varinha Mágica ,capaz de realizar desejos e sonhos, mas claro com uma nova conotação, seria a Verruginha Mágica...
Paz e luz em teu caminho.
Luis Fabiano.


quando fiquei sozinho, tinha muito tempo para pensar nisso tudo. Vivia no melhor lugar do mundo:um apartamento de cobertura num velho edifício de oito andares de Centro Havana. Ao entardecer preparava um copo de rum muito forte, com gelo escrevia uns poemas duros(as vezes meio duros, meio melancólicos) que largava por ali, em qualquer lugar.Ou escrevia cartas.
Nessa hora tudo fica dourado e eu olhava os arredores. Ao norte o Caribe Azul, imprevisível, como se a água fosse de ouro e céu. Ao sul e a leste da cidade velha ,arrasada pelo tempo, pelo salitre e pelos ventos e maus tratos. A oeste a cidade moderna, os edifícios altos. Cada lugar com sua gente, seus ruídos e sua musica. Eu gostava de beber rum no crepúsculo dourado e olhar pelas janelas ou ficar um tempo no terraço, olhando a entrada do porto, com aqueles velhos castelos medievais , de pedra nua, que na luz suave da tarde parecem ainda mais belos e eterno.Tudo aquilo me estimulava a pensar com alguma lucidez. Pensava no porque de minha vida ser assim. Tentava entender algo. Gosto de me sobrevoar,de observar de longe a Pedro Juan.”
Na verdade, aqueles entardeceres com rum e luz dourada e poemas duros ou melancólicos e cartas aos amigos distantes me faziam ganhar confiança em mim mesmo . Se você tem idéias próprias - mesmo que sejam só umas poucas ideias próprias – tem de compreender que estará sempre encontrando caras feias gente que vai fazer questão de dar o contra, de diminui-lo de “ fazer você entender” que não tem nada a dizer...”

Trilogia Suja de Havana - Pedro Juan Gutierrez

segunda-feira, novembro 24, 2008




" Sinto mais afetividade pelo meu carro, que pela maioria das pessoas que conheço."
Fabiano.


sexta-feira, novembro 21, 2008


Vôo livre...

Alça vôo a mão livre, em destino desconhecido, a principio...
Em velocidade ganhas os céus em risco de impressão, que queres mão, tão rapidamente atingir?
Quanto enfim o som, estampido de peles que se chocam em palmas que se batem em felicitações ao vento...
Seria um carinho que a gentil mão veio agraciar, num rosto amigo em lagrimas a chorar?Mas que lagrimas estranhas as tuas rosto amigo, porque tuas lagrimas são vermelhas?
Sim a amiga mão atingiu a face,dando em bruto o que sua insensibilidade lhe oferta em refinado, ao rosto que queria afagos recebeu a antítese de quem não sabe dar carinhos, ou talvez um carinho algo mais sadomasoquista, se a dor é tua, possivelmente o prazer seja meu!
Não havia sorrisos,talvez um lamento mudo que gritava a alma, a mão atingiu a face como um martelo, mãos não deveriam fazer isso, talvez mãos não devessem fazer sangrar, lacerar...um rosto jamais deveria contorcer-se em agonia, em dor e tristeza, mas...mas...mas...
Não condeno quem bate, não condeno vitimas, porque existem coisas que estão muito alem do simplório pensar humano, um rosto que apenas entende afagos, vive um delírio na esperança de jamais ver a realidade, o tapa sempre faz acordar...alguém quer acordar?
Naquele dia o rosto não sorriu mais...

Paz e luz em tua vida.
Fabiano.


Gotas de amor...em viva carne

Que nosso mundo anda bastante conturbado isso estamos enfadados de saber, e em verdade eu nem quero mais sabe,r porque tais informações são de uma profunda redundância inútil, mais cansa, irrita e adiciona um dente a mais nas mandíbulas do mundo a guisa de informações atuais!!!
Mas em se tratando de relações então, tal apreciação ganha aspectos muito interessantes, porque existem particularidades do ente humano, e tal gama é tão vasta que dizer que algo é errado ou certo por vezes pode ser uma blasfêmia imensa ou um atestado de ignorância catalogada. Na intimidade a dois, muitas coisas acontecem, coisas que certo ou errado não querem dizer nada, ambigüidades a parte, quando geralmente outras pessoas ficam sabendo da derrocada, de alguma tragédia ou algo assim, é porque algo saiu do controle,talvez a ignorância tenha saído do controle, e a ignorância é uma mescla em duas partes, uma a respeito de si mesmo e outra a respeito das coisas que nos acercam.
Jordão e Marli eram um casal espetacular, desses de cinema, eram literalmente o sonho realizado e ideal, belos, educados e com uma sofisticação que beirava quase o ideal, aquele tipo de pessoa que temos a impressão que nem sequer fazem necessidades básicas, sim..não peidam, não arrotam e não cagam e algumas até nem morrem. Era visto que se amavam muito, o que era alvo de inveja de todos, mas o amor por vezes toma caminhos estranhos até mesmo bizarros, mas cada um faz a sua poesia em rimas...
Aquele dia Marli chegou atrasada em casa, embora não fosse costume,mas parece que existem momentos que a propicidade para o mal é literalmente inspirada, ela chega abre a porta encontra a seguinte cena: Jordão sentado no sofá, eram por volta de vinte e uma horas e quarenta e sete minutos, a cara de Jordão era uma tempestade com tornados categoria F5, então ele dispara:
-Que horas são essas? Onde estavas? O que houve com teu batom ?
Marli que não estava acostumada a ser atada assim, sorri porque acha que é uma brincadeira, e diz de forma displicente:
-Ora Jordão, isso são coisas a se perguntar a uma mulher casada? Estava com uns amigos...e sorriu de forma inocente...
No entender de Jordão que estava profundamente irritado, com um mar de insegurança em seu intimo, o sorriso dela foi a gota d’água, ele levantou-se rapidamente e deu-lhe duas bofetadas sendo que a segunda com o aliança matrimonial, terminou por ferir-lhe o rosto sangrentamente, ela caiu ao chão no canto de uma parede, enquanto o gigante Jordão em pé sorria dizendo para ela:
-Não estas achando graça agora? Porque ?
Marli não entendia nada, perdida, com dores na face, realmente não sabia o porque Jordão estava daquele jeito, se ainda ontem ele trocava juras de amor intensa, onde estaria aquele homem gentil, bondoso e educado ?
O rosto de Marli inchou na hora, e algumas gotas de sangue caiam do canto da sua boca, ela ergue-se com dificuldades, ante o olhar empedernido de Jordão, não conseguia explicar nada, tinha medo que a mão pesada de Jordão...
Como num flash da cabeça de Marli lembrou-se, Jordão e ela quando tinham intimidades, havia uma natural violência entre eles, sim sexo digamos “forte”, cabelos puxados, palmadas na bunda, tapas na cara ( assim lembro-me de Nelson Rodrigues “...mulher adora apanhar, homem que não gosta de bater”, ele tinha razão, existem prazeres e prazeres, e eu não questiono nenhum deles, pois os gostos são vastos...)por outro lado embora fosse uma pancada quase amorosa, era uma pancada, e ali diante daquele homem bonito convertido em fera pela sua besta interior havia contrapontos, Marli não sentiu prazer de apanhar na cara...não sorria, apenas gemia e não era de prazer, havia dor e sangue...mas o prazer passa de uma pessoa para outra em um piscar de olhos,Marli não havia feito nada errado, mas quem diz que um tapa precisa obedecer a justiça de algo?
O que Marli jamais desconfiou era que apesar de beleza e educação emoldurada de Jordão, ele tinha necessidades de controle, mas que a gentileza soube disfarçar,ontem um amor, agora porem medo e brumas, ele bateria novamente nela? Ninguém saberia ...
O silencio era lamina que penetrava a pele, sons de respiração e aquela dor,ela passa pela fera quieta...mas tudo estava destruído..seu corpo, sua razão,e suas emoções um único tapa rasgara-lhe a alma.
Nada seria como antes.

Paz e luz em teu coração.

Luis Fabiano.


"Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos..."

Nelson Rodrigues

Uma vida desconhecida é importante para quem ?
Eu respondo:
Para uma meia dúzia de pessoas talvez, ante a um mundo, não somos absolutamente ninguém, nem mesmo Deus se importa.

Apenas para citar:

*Você se preocupa com alguma das quarenta mil crianças que morrem diariamente de fome e doenças na áfrica?
Fique em paz tá tudo bem.

quinta-feira, novembro 20, 2008

VAMPIROS...



"...se mandem ,rapazes...minhas meninas não são pro bico de vocês.
-Sem essa, Zenaide, só queremos dar uma olhada por ai. Tem mina nova no pedaço? – Isistiu Charles,tirando pigarro da goela.
-Qual é gorducho, ganhou na loteria por acaso?
-Não torra. Só quero olhar as minas.
-É isso ai – concordei ,olhando a bunda de uma negra dançando um pagode imaginário.Havia em seus olhos cintilações diabólica, coisa da cultura negra, maravilhosamente anárquica e sedutora.
-Primeiro a cor da grana.
-Porra! A gente não quer olhar as garotas!
-Paga pra ver, gorducho.
Charles, incomodado, revirou os bolsos atrás de dinheiro.Fiz o mesmo,sabendo de antemão que a busca era absurda , pois aquela noite estava completamente duro.Charles, entretanto, achou alguma moedas.
-Só isso! Que mixaria?! – Gritou Zenaide,gargalhando –isso ai não dá pra nada rapazes!
Charles me olhou com os olhos cheios de rancor, olhos úmidos.
-Tudo bem:tudo bem - volveu ela, caçando as moedas da mão de Charles.Essa mixuruquice da pra alguma coisa.Acompanhem-me.
Seguimos a marafona por um corredor mal iluminado, paredes grafitadas, em que se viam inúmeras portas dando para ninhos de amor.No fim do corredor ela abriu uma porta comida de cupins,entrando resolutamente no quarto.Entramos atrás.Um cheiro azedo de mijo e porra, pespegou nossas narinas.Demos de cara com uma menina de aparentes quinze anos , deitada numa cama de ferro, extremamente branca cabelos curtos, lábios pintados de preto.Puxara sobre seu corpo um lençol encardido.Quentinha.A putinha que infernizaria minha vida, ali , sepultada naquela cama, parecendo um anjo desassistido perambulando pelo inferno,
-Eis minha rosa, rapazes! Recém colhida.
A garota se encolheu toda, olhando-nos de esguelha.Fui para ao pé da cama, avaliando-a melhor. Era bem bonita, olhar negro e destemido.Senti-me um crápula, de corpo e alma necrosados.
-Olhem bem rapazes...É para isso que a merreca do gorducho ai serve.
Ela saiu gargalhando, batendo a porta atrás de si.Charles e eu ficamos parados, olhando a putinha que puxara o cobertor sobre a cabeça, ocultando-se totalmente.
-Que que vamos fazer, paisano? - Inquiriu Charles apertando o escroto.
-Nada.
-Você é um tapado! A menina ai dando a maior mole da paróquia e a gente aqui de bobeira.
-Zenaide disse que é só para olhar – retruquei raivoso.
-Zenaide que vá a merda - vomitou Charles aproximando-se da cama.Antes de leva a cabo o intento de molestar a garota, a porta se abriu dando passagem a uma coisa horrorosa. Um anão... Metro e meio de monstruosidade.Trazia sobre o ombro direito um grande aparelho de CD donde brotava o som de um rap chinfrim.Vestia uma camisa de física calções azuis e chinelo de dedo.Sorria, o cretino, enorme língua emergindo da grotesca dentuça. Ignorou-nos totalmente.Largou o aparelho no chão e saltou sobre a cama, puxando o lençol que ocultava Quentinha. Jesus, ela não tinha corpo, isto é, corpo de mulher.Não passava de uma adolescente, corpo ossudo, barriga afundada, coxas finas e sem seios.De dar dó.Tornou a puxar o lençol sobre si.O anão porem , arrancou-o de suas mãos, jogando-o no chão.Ela recuou assustada, fechando bem as pernas.O animal sorriu, passando a língua pelos lábios.Foi arrancando lentamente os trapos, ficando absolutamente nu. O seu caralho meio mole batia nos joelhos.Imaginei aquela coisa dura. Por certo teria dimensão totêmica. Um pavor! A garota evidentemente desejou ser engolida pela terra só para escapar daquele monstro. A terra entretanto , não se abriu. Agarrou-se a cama, olhos arregalados, apertando as pernas um contra a outra. O cacete do anão foi crescendo, crescendo atingindo espetacular tamanho.Aquele sujeito faria sucesso num circo de horror. Rapaz! Suas pernas tortas eram menores que a coisa endurecida. Um pavor.
Aninhou-se na cama e, de gatinhas, aproximou-se da presa miando como um gato.
Miau, miau - fazia ele babando-se. Tive ímpetos de agarrá-lo e jogá-lo porta a fora.Mantive-me preso ao soalho, suando e tremendo de raiva. Levou as mãos aos joelhos da menina, forçando-a abrir as pernas. Ela gritou, esperneou. Nada disso, porem adiantou alguma coisa.O animal revelou-nos a gruta da jovem , cuja penugem era rala. Havia um piercing em um dos lábios vaginais.
-Nossa que coisa mais bonitinha - ele ciciou, acariciando a escancarada vagina.
Asco;senti asco. De mim, por ficar indiferente aquele assedio criminoso; de Charles, que apertava o cacete, olhar famélico; do monstro que, tão logo acabasse de cutucar a menina com o dedo, iria arrancar-lhe o cabaço sem piedade.Porem, antes de fazê-lo, pos para fora metro e meio de língua, enfiando-a entre as pernas da garota, que gemeu alto arranhando suas costa, deixando
uma trilha de sangue. Ao arrancar a língua da xoxota da ninfeta, bateu-lhe duas vezes no rosto, arrancando-lhe convulso choro. Em seguida,s em hesitação, deflorou a gazela, que gania alto, pernas tremulas. Charles fechou raivosamente as mãos A sua testa brotou pingos de suor. Olhou-me mordendo os lábios; um fio de sangue escorreu queixo abaixo. Permaneci hirto, congelado dos pés a alma vivendo aquele pesadelo. O anão subia e descia sobre o corpo da menina cujo olhar era esgazeado, de pleno abandono, querendo emigrar para uma galáxia distante, O puto , ao gozar gritou rangendo os dentes. A língua ficou pendida, gotejando sobre os pequenos seios da menina, Foi a coisa mais patética que vi na vida.Refeito do orgasmo, pôs-se a uivar, a soquear a cama, olhou-nos fundo nos olhos; um olhar vitorioso.
-Não é para o bico de vocês, babacas! – Gritou passando a mão pelo pau gotejando porra. Deus um salto para o chão, pegando suas roupas. Vestiu-se lentamente , rindo baixinho Pegou o aparelho de CD caminhou em direção a porta e, antes de sair virou-se para nos .
-Até a vista, rapazes!
Voltamo-nos para a garota, que gemia alto passando as mãos por entre as pernas sangrentas. Encolheu-se como um borboleta voltando a condição de crisálida. Nesse ínterim Zenaide entrou no quarto toda sorridente, largando fumaça de cigarro pelas ventas.
-E ai, como foi o espetáculo? Gostaram ?
- Que grande fodida você me saiu - resmungou Charles. Fazer uma coisa dessas com a coitada da menina. E aquele anão? Insistiu ele.
-E um monstro.
-Ah! E meu secretario. Ele deixa as meninas no ponto.
Arrastou-nos para fora do quarto. Ao chegarmos a recepção indicou-nos a rua.
Se mandem , rapazes... O espetáculo terminou.
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Extraído da Obra VAMPIROS de Manoel Soares Magalhães.

quarta-feira, novembro 19, 2008



Homenagem aos “punhetinhas”


da intelectualidade...

Caminhar no intervalo sempre me faz bem,ver gente, sentir o cheiro da vida ainda que as vezes não seja lá muito bom, mas de qualquer forma é vivencia daquilo que concebemos como “real”, caminho devagar quase como um idoso, porque não tenho pressa e principalmente porque meu desejo é apreciar, sorver, pessoas, casas,bichos, ventos e qualquer coisa que tenha alguma vida! Como vocês já sabem, eu sempre (feliz ou infelizmente) acabo encontrando alguém e então esta vivencia pode ganhar ares de drama, não é proposital são contradições naturais.
Encontrei-me com Carlos, um amigo da antiga, de tempos de colégio e tal, no inicio o papo despretensioso tranqüilo como quem joga conversa fora(a maioria das pessoas que converso é assim, não diz nada, eu não digo nada e tudo termina em um vazio...) então o assunto foi para o campo literário, eu gosto de ler mas não tenho pretensão alguma de ser um intelectual, eu gosto de aprender e meu prazer fica por ai. Mas Carlos era um intelectivo praticamente bi-sexual, ativo e passivo, pois quando começamos a falar de livros seus olhos se dilataram e ganhou um gestual como se tivesse falando ao grande publico(, estávamos na rua, na praça Coronel Pedro Osório,alias muito sui generis ,recanto de putas e nereidas...)possivelmente Carlos tenha se inspirado na feira do livro que se acabara, mas certamente seu espírito ainda vagava por lá.
Neste momento eu me calei, e apenas literalmente dei corda ao nosso palestrante que estava tão entusiasmado, falando de filósofos,cientistas e outros tantos nomes que a modernidade batiza, informações esparsas e sem sentido, e aquele arsenal que pseudo-inteletuais usam para referir-se a alguma coisa, mas que soe em uma abordagem inteligente! Expressões redundantes repletas de nada, que mais são a armação de nossa profunda vaidade que algum conhecimento realmente valido, coisas como: “...as abordagens históricas são relevantes em um sentindo notório cuja a conotação interpretativa, é por vezes ambígua e portanto jamais conclusiva, ( o que isso quis dizer?)Logicamente para mentes menores achar sentindo nisso é fácil, mas porem onde esta a informação concreta? Sigo: “...é importante fazermos uma reciclagem de nossas pendências pessoais e literarias, ante ao que deveríamos ser, por vezes em uma fração de segundo atingimos a faceta do ideal, mas ela nunca é permanente, ela sofre as distorções de nossos valores equivocados e isso nos leva sempre a questionar...( a questionar o que ??)
Então Carlos depois de falar muito perguntou o que eu achava a respeito do que ele havia falado, naturalmente ele esperava um elogio, e eu o agraciei da seguinte forma:
- Carlos, tu já deste um peido daqueles realmente fortes, que chega dar-nos a impressão que estamos literalmente cagados ? O famoso peito molhadinho, e com um aroma terrível?
Ele me olhou com um olhar completamente perdido, vi nos seus olhos a frustração e ao mesmo tempo a falta do que dizer, a surpresa. Confesso que naquele momento até tentei soltar um flato, mas minhas entranhas não ajudaram. Então Carlos fica em silencio pensando, tentando dar um sentido aquela frase altamente intelectual de minha parte, eu sorri pra ele e disse:
- Não tem sentido Carlos, isso foi a minha ligeira demonstração de que a intelectualidade é fascinante e encanta os sentidos mais diáfanos, mas a realidade, a tal da realidade é sempre uma porrada, e que não podemos desviar dela por mera intelectualidade, não podemos dizer ao nariz que não sinta o cheiro de nossas entranhas,como não podemos limpar nossas roupas intimas borradas por mera explicação sobre o porque. O que nos torna grandes é a maneira como vivenciamos a realidade, com alguma inteligência o que em outras palavras quer dizer sabedoria. Intelectualóide qualquer imbecil pode ser, basta ler alguns autores, ser bom de retórica e voalá temos mais um pensador embusteiro repleto de palavras que não vão a lugar nenhum, a não ser masturbar as idéias na esperança que elas gozem!!Como se fosse uma punheta infinita do pensamento, sem gozo,sem fim quase dolorida...
Ele começou a rir, e eu a rir dele, só disse tchau.

Paz e luz em teu caminho.
Fabiano.

terça-feira, novembro 18, 2008



De dores e de flores...

Somos como semeadores a espargir nossa semente, nem sempre tão boa, e as vezes nem tão má, mas por casualidades de nossa razão desconhecida, não seguimos as estações da vida , somos mais movidos pelo querer, e por vezes pelas tempestades desencadeadas em nosso coração.
Que pretensão tem tal semeador?
A isso cada semeador o sabe, mas sejamos verdadeiros, não basta apenas semear, é preciso amar desprendidamente aquilo que se faz, é preciso ao plantar dar de si mesmo,é como regar as sementes com o próprio suor, o próprio sangue com fragmentos de nossa alma...
Aqueles que largam suas sementes aleatoriamente e se esquecem...e por vezes esperam as flores mais raras e lindas...
Pudéssemos arrancar das entranhas de nossas dores, o encantamento e disso fazer vingar a beleza, a serenidade e boas emoções.Sim, de cada dor uma flor, como se nosso coração fosse imenso campo abundante de anseios e que com as intempéries do viver aos poucos vai sendo fustigado...como são fustigadas toda a vida em a natureza. Será que não percebemos que o campo e o coração são um só?
Rega as tuas dores na esperança das rosas de tua estrada, mas não falo de esperança, falo de fatos, quando entendemos a luz da consciência o que as dores ou tempestades tem a nos oferecer, a nos dizer secretamente, compreendemos que é preciso que toda semente morra para possa fazer nascer, compreendemos que felicidade plena, infinita só existe no segundo que você esta vivendo, que as flores estão nascendo em nós, mas é preciso saber colhe-las, percebê-las...
De cada cratera que a dor fez em mim ali está uma flor.
Paz e luz em teu coração.

Uma oração por vezes é silenciosa,um olhar...e tudo esta consumado.

Luís Fabiano.