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domingo, março 27, 2016

Entre Elas, preces de metal



Entre Elas, preces de metal
  Desejo que morras em uma gozada

A beleza pode ser encanto ou desencanto, pode ser tudo que se tem e nada. A beleza a víbora calada capaz de aprisionar e mutilar. Por isso é preciso aprender a observar a beleza, vê-la simplesmente despida de nossos horrores internos...nossa implícita capacidade de julgar a suposta perfeição fulminante e derradeira do instante.
Seres perfeitos, fadados de um caos de contradições, navegando contra a razão... e tudo é feio, tudo é lindo.

Sou Priscila uma mulher de trinta anos, me sinto gostosa, boas tetas, boa bunda e me sinto bem comigo mesma, poderia falar sobre alma, mas eu nunca penso na alma. Estou sozinha em casa agora e inquieta, olhando pela janela, o entardecer suave e tempo fudido, entediada e cantando uma música de Caetano veloso, visto apenas uma camiseta e calcinha branca enfiada na bunda como gosto, andando pelo apartamento de pés nus. 

Tenho sede vou até bar do AP e pego uma dose de Whisky, coloco apenas uma pedra de gelo, sirvo uma dose cavalar, desejo ficar bêbada, a sobriedade num mundo tão delirante é um porre sem álcool, uma merda cansativa, feito de pessoas cansativas.

Dou o primeiro gole... depois a segunda dose. Me sinto melhor, não me sinto em mim mesma, estou bêbada, deliciosamente bêbada. Me gosto dela assim, abandonando as noções e toda aquelas limitações que avassalam os desejos mais puros, castrando o nosso melhor e pior em nome do bom senso? Que merda de bom senso, de politicamente correto, vão todos vocês a merda... estou trôpega, olhando só do sétimo andar aquelas pessoas la embaixo, como se não fosse uma delas. É ótimo ser os outros ou não ser e poder deixar de ser.

Agora parei de andar pelo apartamento, me sento no sofá, deixo as pernas ligeiramente abertas, numa pose nunca vemos por ai... nunca vemos a beleza simples, nem a víbora. Me  lembro de Maria. Sempre fomos amigas, tão amigas, trocávamos confissões, chorávamos juntas e sorriamos também, queria muito que Maria estivesse aqui agora... mas não, Maria estava agora presa a um cara... ou talvez seja amor vai saber? O amor prende, mas a mim nunca prendeu. O amor nunca passou de uma troca de favores bem elaborada: eu te chupo você me chupa, eu dou pra você e você dá pra mim, eu enfio minha língua no teu cu e você faz o mesmo no meu... simples a beleza do amor. Sublimidades? Profundidades, cumplicidades? Chame de confiança, mas não amor...

Lembrar de Maria me faz bem, Maria e seus olhos verdes cristalinos, sua boca carnuda o seu beijo suave e carinhoso sempre, Maria um sorriso leve entre vagas de espuma doce, Maria deitada nos meus lençóis brancos cheirando a corpo suado de uma noite, Maria e seus seios grandes pouco caídos com os bicos rosados e rijos, naquela ausência de sutiã, Maria me abraçando despida com os cabelos soltos, e nunca ninguém abraçou assim... e o cheiro de Maria, uma mulher toda cheiro...

Pensar e lembra disso me excita, estou muito bêbada, sinto vontade de tocar em meus seios, eles estão rijos...e estou acariciando os bicos por cima da camiseta branca, meus  seios são menores que os de Maria, com bicos escuros, agora estavam quase transpassando a camiseta, é assim cada vez que penso em Maria... não sei o que é isso, que trambolho de emoção é essa, seria amor? Um amor físico, de buceta com saudade? 

Espero que não...porque o amor é foda, já amei muito, desesperadamente amei, você nunca amou?
Sentia a minha calcinha úmida, era Maria em mim, fluindo em meus fluidos, gozaria por Maria, mijaria por Maria cagaria por ela... porra Maria porque tu não estas aqui? Sorri pra mim mesma, Maria adorava sugar meus seios, fazia com doçura linda, meus bicos doíam de tanto prazer...depois era fatal, ela sempre subia em mim, colocava suas tetas enormes na minha boca me sentia afogada com seus seios...como é bom, nunca havia pressa, nunca, era uma música que tocava devagar, gostávamos de ouvir Patricia Kaas, música francesa um poesia, nossa, coisas que apenas Maria.

Estou com a mão por dentro da camiseta, acariciando meus seios suavemente, tenho olhos fechados viajando, me sinto toda molhada, mas como Maria, eu não tenho pressa.
Você está ai?

O cheiro de prazer está no ar...minha vontade é despir-me mas não ainda...quero você venhas comigo, venha ser a minha Maria...vem.
Estou apertando os bicos dos seios...lentamente e torcendo-os sinto minha buceta vibrando, este impulso vai direto para meu grelo...que já está inchadinho e todo babado.
Maria agora está em uma dimensão próxima a mim... passo cuspe em meus dedos...acaricio ainda mais os seios, meu corpo está queimando...desejo ser incendiada plenamente, vem Maria me come... me beija, me cospe me ama em desespero, insanidade e infâmias, me chama de puta, vagabunda, berra comigo e derruba essa garrafa de whisky em mim... eu já não sou eu mesma, desejo ser possuída pelo diabo chamado Maria, vem cadela dos infernos acende o caldeirão e que eu sejas a puta desencantada de Deus, a que decai anjos e mata a vastidão em gozo...

Minha mão toca por cima da calcinha, calcinha está completamente molhada, meu grelo inchado deseja, te deseja merda... vem pra mim, quero gozar em ti esfregando minha buceta até que eu não aguente mais... puxo a calcinha para cima, apertando ainda mais minha buceta e grelo... tudo molhado que delicia, os grandes lábios saem para o lado, vou tocando neles agora cuspindo ainda mais em minhas mãos...em minha frente está você Maria e uma janela para um céu cinza, mas agora eu que se fodam todos os anjos, gostaria de um céu em chamas aniquilando todas as boas almas...e deixando apenas nós... eu e você, o pecado escrito no corpo, carne e uma beleza viscosa de insanidade...

Não aguento mais, arranco a calcinha, minha buceta está pegando fogo, Maria sua cadela, sua puta, tenho dois dedos enfiados na buceta, molhados, molhados, molhados... uma espuma branca sai de dentro de mim, estou desesperada, não quero que nada acabe, quero ter o cu de Maria em minha boca... enfio mais um dedo, minha seiva molha tudo, o sofá, gotas caem em um copo de Whisky que foi derrubado no chão, minha mente mergulhada no vazio... eu não aguento mais, queria prorrogar essa gozada pra sempre...gozo assim mesmo, tendo quatro dedos dentro de mim...minha buceta toda lateja, 
Maria eu te amo sua puta, desgraçada, cadela de merda...eu te amo, estou mijando por cima do meu gozo, sujando tudo... que se foda, Tim-Tim Maria...

Minha mente está vazia, estou semimorta, prostrada, tudo como uma nuvem diluindo o que há de vil em mim, um terremoto que passa o tornado mergulhando em uma brisa branda... sinto meu olhos pesados vou dormir... você fica por ai? Fica olhando por mim? Fica?



L.F

domingo, março 20, 2016

Almoço


Almoço

Almoçar poderia ser somente engolir a comida e ponto, mas nem sempre é isso... almoço fora todos os dias, gosto de rotina matemática, milimétrica, patológica repetitiva como uma sensação de sobriedade plena, muito embora a falsidade seja natural, pois não há rotina, nada é igual nunca. Foda-se.

Sento-me em minha mesa de sempre, frente a televisão, sozinho como gosto. Antissocial convicto. Por favor não conversem comigo no almoço ou no elevador, não precisa.

Então o casal da entrada a mesma sala, ela tem a voz alterada ele tenta falar normalmente, mas na verdade ambos gritam inconscientes e a discussão está em pleno andamento:

-Porque tu vais comer salada de maionese? O que tu tens contra a que eu faço em casa? Ou isso pode ser uma represália porque eu fiz algo errado – Diz a mulher realmente nervosa pelo tema.
-Nada disso, eu apenas não estava com vontade de comer a tua maionese, será que eu posso? É democrático...
-Aí tem coisa – ela com o dedo na cara dele – ai tem coisa, de-repente tu mudas o teu gosto alimentar? Tu andas muito estranho...muito estranho...
-Nada haver, é que hoje eu to afim de maionese...

Eles perturbam meu almoço,não posso ouvir o jornal do almoço porque a maionese é algo mais importante...puta que  os pariu, fico pensando se deus existe, que ele pensaria destes merdas? Certamente o criador errou ao fabrica-los...

-Mas que merda João, tu estas fazendo isso para me provocar, quem sabe o que mais...deus...
João fica olhando para ela, não parece querer discutir mais mas ela está furiosa, João mantem o silencio quase digno.

-Agora vais me ignorar? É não tem ninguém aqui, ninguém mesmo.

Propaganda no Jornal do Almoço, perdi muitas noticias uteis, mentalmente já aniquilei ambos.

João fica olhando para o vazio...então eu olho para João e digo:

-João vai embora.

Ele fica pensativo por alguns breves segundos e sai porta a fora, deixando a faladora inquieta sozinha com a bolsa sobre a mesa do almoço vazia e naturalmente o silencio retorna. Ela fica abismada e fica me olhando, às vezes é o limite, sou bom concelheiro pra caralho.

Apenas sorri, o Jornal do Almoço havia começado novamente.

L.F.




sábado, março 12, 2016

sexta-feira, março 04, 2016

Absolutamente nua

Absolutamente nua

Pedro Juan Gutiérrez

Caminho
Lentamente na solidão
Um pouco mais a cada ano
Embora seja suspeito que é o inverso
Solidão descobre brechas e se espalha silenciosamente.
Astutamente
Sem pressa
Até que isso aconteça
Eu organizo os papéis de minha vida
Manuscritos, fotografias, diários, poemas antigos, entrevistas, milhares de páginas.
Uma tarefa inútil.
Às vezes, leio algo de passagem, sem parar.
Olho uma foto.
Eu não sei por que manter tudo isso.
Aspirações de transcendência, eu acho.
Estúpido.
No fundo eu quero ficar nu. Absolutamente nu.
De acordo com o Tao Te Ching:
Prestar atenção ao que se chama discernimento, para manter uma fraqueza flexível
E chamar de força.