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quarta-feira, novembro 30, 2011


Navalhadas Curtas: Malditos telefonemas...


Minha antipatia por telefones vem de longe. Essas porras tocam sempre e nunca é pra te dizer algo bom, é sempre um cometa fulgurando vindo em tua direção. Tudo bem, convivo, mas não gosto.

Fui deitar depois de minha sessão diária, de rum, cerveja e filosofia vagabunda. O anjo bêbado agonizante em busca do senhor sono... yes.Uma punhetinha antes de dormir? Quem sabe. Me arrastei ao catre, e esqueci o celular ligado. Então as duas e quarenta e sete, o filho da puta toca... atendo sem grande paciência:

-Fala...
-Fabiano?
-É claro, queria que fosse quem, papai Noel ?
-Tu tava dormindo?
-É...
-Desculpa...
-Foda-se... fala o que tá pegando?
-To sozinha em casa e com medo... muito medo...
-De que?
-To com umas ideias loucas na cabeça sabe... como se eu fosse morrer ou me matar e tal...
-Sei como é, to acostumado com isso... mas relaxa, tu não vai morrer e se morrer, qual o problema? Uma coisa eu sei... pelo menos tu não vai mais me telefonar a essa hora... ora porra, vai trepar guria... tchau.

Desliguei o telefone tentando saber quem era... não sei, mas acho que não morreu.

Luís Fabiano.
Poesia Fotográfica...



terça-feira, novembro 29, 2011

Pérola do dia :

“ Os homens amam as putas, porque elas tomam apenas o nosso dinheiro e nada mais... sua alma consegue ficar intacta. ”



Luís Fabiano




Sem querer, verdades...


Terríveis podem ser as vezes as armadilhas do destino. Há de se viver com cuidado, para não terminar enrodilhado nos tentáculos peçonhentos da existência. Calme, não me refiro tão somente aos outros, antes sim ao que terminamos por alimentar em nossas entranhas, as lesmas escorrendo com fios brilhantes de luz, a aranha tecendo suas teias em nosso coração. Sim isso pode ser uma verdadeira merda.

O olhar capaz de deformar tudo a nossa volta, tirar o brilho do sol e a vida deixa de ser o que é. Esse é o cuidado... os outros são um mero detalhe neste caminho, não vemos pelos olhos dos outros, não sentimos pelos sentimentos dos outros...não fodemos com o pau e a buceta dos outros. Lançamos pontes feitas de baba eletrônica de Deus... e isso nos liga uns aos outros, seja no entorpecimento existencial, nas emoções cegas e tateantes a procura do encantando, como também no musgo apodrecido, que tantas vezes converte nossa vida e relações em nada.

Amor nem sempre é o problema, mas o jogo daquilo que entendemos como bom e certo... um barco se deteriorando as margens da vida. Não queremos mudar... a porra do tempo ta passando... a agonia dos gritos mudos da consciência, encenando a tragédia em nosso peito.

A impossibilidade de mudar o mundo ou mesmo conter um peido do diabo. É preciso pegar mais leve com você mesmo... penso sempre isso, quando entro em uma xoxota... quem sabe essa ...fará eu renascer as avessas? Mas nunca acontece, então deixo minha porra o mais fundo, o mais próximo do coração possivel... é o que posso fazer e sigo vivendo.
Por vezes cultivamos pensamentos como um ninho de serpentes, as vezes teias de aranhas. Eu a olhava andar de um lado para o outro, não a aranha, mas Tônia.

Minha cueca estava furada no saco, bom para ventilar um pouco. Tônia era naturalmente estressada com tudo.... Conheço bem o tipo, creio que muitas mulheres são assim, ansiosas, inquietas, inseguras... como se devessem algo a si mesmas. Talvez ai que o filho da puta que dorme em mim se aproveite.

Ela já estava me irritando de andar de um lado para o outro. Aquele quarto abafado, e o cheiro de um incenso horrível tão doce que me causava asco. Merda de vida, nada pode ser doce demais. Tônia parecia um carrinho de bate e volta, tratei de ignora-la, voltei aos meus pensamentos.

Tentava compreender onde havia errado com tantas mulheres. Não digo que elas sejam todas santas, não são mesmo. Mas eu sou um canalha hediondo e sorridente, bem sei disso. Gosto de xoxotas com pelos, isso é um ponto... depois vivia com elas... mas meu sentimento não era tão grande assim. Um amor barato como um vapor que se desfaz ao sabor do vento. Lindo por alguns momentos, mas a continuidade era foda. Era isso, um canalha elegante que mentia as vezes, que as vezes era sincero. Cilada terrível. Fiquei pensando, porra, haviam assassinos que eram mais sinceros que eu...estupradores mais sinceros que eu...ladrões com sangue nas veias. Eu não.

Por vezes uma xoxota convertia-se em uma paixão... porra... e paixão é uma espécie de insanidade temporária, então vinham os tentáculos... e por um motivo desconhecido elas gostavam do canalha... é difícil gostar de quem se importa tão pouco. Não pretendo entender isso.

O caso de Tônia era outra coisa. Um maldito calor no quarto, eu deitado suando na cama desfeita, numa tentativa de sexo que acabou naquilo. Eu digo, a verdade é uma lamina fina que só se pode usar em certos momentos. Estávamos quase no ato, então como tempestade repentina, ela quis entrar em assuntos de exclusividade:

-Que porra é essa?
-Diz pra mim, eu sou a mais gostosa?
-Vamos falar disso depois ok? Apenas viva e deixe viver... não é tão difícil não é?
-Preciso saber...eu sou a mais bonita também? Diz Fabiano...diz agora...a verdade...

Então quase sem querer no meu pensamento apareceu Gilda... corpo fantástico...cabelos bons... uma boca capaz de ordenhar um cavalo... bela, apenas um defeito, ser jovem, não gosto de mulheres com menos de trinta e cinco anos. Costumam ser inseguras demais, exigentes demais e entendem pouco dos desencantos da vida, prefiro as que se fuderam mais...e claro fuderam mais, em tese sabem segurar mais a onda...transam melhor e tem disposição de verdadeiras éguas no cio. Gosto disso.

Então disse:

-Gilda... a Gilda...é melhor que tu...

O clima acabou na hora... nestas horas a sinceridade deveria tirar férias, existe momento para falar a verdade. Então acabamos nisso... não sei bem porque fiz isso, mas ela foi tão incisiva na procura da verdade... as nossas decepções funcionam assim, uma super expectativa, multidimensionando todas as coisas, e num piscar de olhos a realidade tem dentes afiados. Desisti das expectativa, são sempre delirantes.

O clima pesou no quarto, me irritei definitivamente com aquele andar, e vesti minha calça jeans e a deixei andando no quarto... antes de sair gritei da porta:

-Não ande tanto de um lado para o outro...vai gastar o chão ai...

Ela não respondeu nada, bati a porta. Pensei: que se pode fazer a uma da manha? Procurar uma “igreja”e me confessar...
Fui parar o bar do outro lado da rua, não tinha rum então fui de Dreher mesmo... olhei para atendente que parecia ter boas tetas... pensei:bem, la vamos nós de novo....

Luís Fabiano


segunda-feira, novembro 28, 2011


Tentação

Péssimas ideias as vezes me assaltam
Dragões nefandos do desencanto
Pilastras erguidas tentando conter a nuvens
Uma víbora peçonhenta enrodilhada no coração
Lentamente cravando suas presas

Talvez com um por do sol maldito
Trazendo a sombra sem estrelas
O macabro entre em cena
Despindo o figurino da benigna placidez

Tudo se converte em uma tentação
O quinto andar é diz que tenho asas
A velocidade diz que não há problema
As garrafas dizem pra ir até o fim
A katana sobre a cama com meia lamina de fora
Alma do haraquiri...

Abro a gaveta e arma fica me olhando...
A coloco sobre a cômoda
O cão domesticado cuspindo fogo
A melíflua voz do desengano
Verdade pontiaguda transpassando meu peito
A serpente sobre por dentro de minha garganta

Respiro claustrofóbico
A espera da solução magica...
Anjos errantes do desterro
O impossivel sem mãos
O cão puxado e uma certa dúvida
Apertar ou não o gatilho?

Luís Fabiano.

Trecho solto...


“ Fiquei pensando como eram difíceis as separações. Mas era só mesmo rompendo com uma mulher que podia encontrar outra. Eu precisava degustar as mulheres pra conhece-las bem, pra entrar no amago dela. Eu conseguia inventar homens na minha cabeça, pois era um deles; mas, as mulheres , eram quase impossível escrever sobre elas sem as conhecer de fato. Assim, eu as pesquisava intensamente e sempre descobria seres humanos lá dentro. Deixava a escrita de lado. A escrita representava muito menos que o episódio vivido em si, até que terminasse. A escrita era apenas o resíduo. Homem nenhum precisava de mulher para se sentir real de verdade, mas era bem legal conhecer algumas. Daí, quando o caso ia mal, o sujeito conhecia pra valer a solidão e a loucura, e assim ficava sabendo o que o esperava quando seu próprio fim chegasse...

Eu era sensível a muitas coisas: um sapato de mulher debaixo da cama; o jeito de elas dizerem “vou fazer xixi”; prendedores de cabelo ;andar com elas pelos bulevares a uma e meia da tarde, só os dois, juntinhos; as longas noites bebendo, fumando, conversando; as brigas; pensar em suicídio; comer juntos e se sentir bem; as brincadeiras, as gargalhadas sem motivo; sentir milagres no ar, estar junto com elas num carro estacionado ;lembrar amores passados as três da manha , se avisado de que você ronca; ouvi-la roncando, mães, filhas, filhos, gatos, cachorro, as vezes a morte, as vezes divorcio , mas sempre tocando pra frente, sempre chegando ao ponto final; ler um jornal sozinho na lanchonete , nauseado pelo de ela ter se casado com um dentista de QI 95;pistas de corrida, parques, piqueniques nos parques, até prisões; os amigos chatos dela, os seus amigos chatos; seus porres, a dança dela; seus flertes, os flertes dela; as pílulas dela, as suas trepadas fora do penico, ela fazendo o mesmo; dormir juntos...”


Extraído de: Bukowski - Mulheres
Editora L&PM


Pérola do dia :


“ Viver... é suportar a vida.”


Luís Fabiano.

domingo, novembro 27, 2011



Escalada de Grilhões

Cada um se agarra ao que pode
Deus é top da lista
O usamos mais como um cabide de nossas agonias
Alguém precisa ouvir nossa merda
Mas não é tudo...
Uns se agarram ao dinheiro
A porta rápida da salvação imediata
Ele melhora algumas coisas mas a essência é a mesma

Eu não sei em que me agarro
Tudo me escapa lentamente, emoções, palavras, alegrias e dores
Não sei se é certo
Mas é assim que é pra mim
Tive inúmeros amores e não consegui agarrar-me a eles
A natureza fazendo o seu trabalho
Enquanto o melhor em mim é um verme que rasteja no meu coração

Tive uma mulher e agarrei-me as suas pernas
Lindas, mais lindas que sua alma
Fiz das coxas delas meu paraíso e porto seguro
Ela não era inteligente e trepava sem gosto
Gemendo com artificialidade, mas as pernas...
Não sei em que ela se agarrava a mim
Dizia amar...
Mas falou isso como se olhasse pra uma vitrine...
Fiz que acreditei e orei para suas pernas

Então veio a filosofia e a cerveja
Isso torna o mundo melhor
Permite que visgos de sabedoria permeie
A inquietude desconfortável de nossa cegueira
E quando as linhas filosóficas não resolviam
Mais cerveja
Agarrei-me provisoriamente a isso

Mas estamos subindo uma montanha
E agarrar-se a algo permanentemente é estacionar
Agarrar-se ao sonho para eles nos catapultarem mais longe
Ao amor para que ele nos torne um pouco melhores
Apoios da colina como nós também o somos
Acho que é isso
Agarramo-nos ao que nos prende
E nos prendemos ao que nos agarra
Teria como essa porra ser diferente?


Luís Fabiano.

sexta-feira, novembro 25, 2011

Pérola do dia :


“ Eu sou um fracassado, mas jamais deixei que o fracasso me subisse a cabeça.”


Paulo Cesar Pereio.
Filetes de sangue - 5


Não sou bom com despedidas. Meu ponto fraco. Não sei o que dizer, nem sei pra onde olhar, um desespero claudicando no silêncio. Mas existem momentos fatais, que não tem como se evitar. A perfeição caminha em direção a imperfeição – pensei eu, num desconsolo.

Ela precisava embarcar no ônibus. O ruído dos outros ônibus, era uma moto serra destroçando meu coração. Marisa deu dois passos em direção ao ônibus, dois primeiros passos para o nunca mais. Ambos sabíamos.

Os degraus do ônibus pesavam, coisas do destino, nos dávamos muito bem, porem creio que nem ela ou eu estávamos dispostos a abrir mão de tudo por este amor.
Covardes? Acho que sim.
Ela vacila no ultimo degrau, descer ou subir? Tento conter as lágrimas, meu coração um nó forte rompendo minha alma.

O ônibus dá a partida, e vai se afastando pela estrada... já não o vejo mais... não vejo mais nada. Fiquei parado ali, não tinha vontade de sair dali, tentando eternizar o fim, para que não tivesse fim.


Luís Fabiano.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Poesia Fotográfica...




Navalhadas de um mundo deformado: Brigas e mais Brigas


A discussão alcançava as altas horas da madrugada sempre. O trágico cotidiano. Inútil discussão de filamentos desnorteados, a procura de coisa alguma, a não ser ofensas graves, que mutilava ainda mais a fibras de nossas emoções, ou o que restou delas.

Não sou de perder o controle, sabe. Mas calculei friamente onde dar o tapa, de forma que não machucasse muito. Nada de feridas eternas, não gosto de eternidade.

A voz dela uma metralhadora, suas lagrimas de chumbo e uma dor sem sentido. Porque Sabina tem esse ciúme doentio ? Puta que pariu, porque eu segurava isso? Que merda de amor é esse, valia a pena aquilo? Nosso tempo perdido.
Não sei. O destino talvez fosse uma boa desculpa, sempre é, quando não temos muitas respostas.


Quando os sulcos rasos
Tornam-se feridas infeccionadas
Espremendo o sumo aquoso da alma
A bruma escura de nossas perdas redundantes
Os lamentos desarmônicos do hoje apenas ficam
Pétalas esquecidas ao solo
Tombadas no silencio do desassossego
A muda sensação que gesta nossos melhores sonhos
Fagulhas da esperança do sempre
Meteoros do amor possível
Verdade que inquieta
Embrião da alma
Como a força latente
Asas prontas pra voar e o medo dos abismos

Então tudo atingiu o pico. As vezes alguns objetos voavam, me defendia como podia. Então fui pra cima dela, e agarrei o braço com força, o tigre esta a ponto de sair da toca, e mostrar suas garras.
Temo o que sou, pelo medo do que sou capaz de fazer. Então ela se assustou, esperando o que viria depois? O show estava por começar.

Por um instante não gostei de mim, me tornava igual a presa, e pior talvez. Soltei-lhe o braço e houve uma comoção silenciosa, o pior de nós finalmente se desnudava, arrastando-nos de braços ao inferno de nossas consciências.
Perdão ou morte, é assim que as coisas funcionam.

As asas se partiram definitivamente
No irresistível impulso de capturar o amor
A beleza que não tem onde agarrar-se
E se mata para tornar-se livre
É preciso morrer uma e tantas vezes na vida
Para ouvir o sussurrar melancólico da alma
O pouso final no ninho de nossas ternuras
Aprisco sereno de nossas alegrias mais tenras
Celeiro de nossas memórias
Lança aguda apontando as estrelas
Que em nossas noites mais horríveis
As vezes vem nos visitar.


Luís Fabiano.

quarta-feira, novembro 23, 2011

Momento Boa Música

Mercedes Sosa e Calle 13

Canción Para Un Niño En La Calle





Navalhadas Curtas: Regra na hora h


Por vezes me canso de filosofia de porra nenhuma, embarco de carona no caos. Sou assim, filho do caos. A certeza imprecisa que segue seu curso errante. Clamores surdos do nada.
Naturalmente me meto em furadas, geralmente com mulheres. Elas sempre sabem exatamente o que querem, e eu nunca sei de coisa alguma.

Prefiro assim, é mais fácil de lidar comigo, cultivando minhas virtudes raras como doenças contagiosas, que crescem ao sabor do tempo.
Cheguei a conclusão: o ser humano é movido por coisas obvias que são importantes, e por coisas complexas que são desimportantes, isso segundo ele mesmo! Foda-se.

Katia era bem formada de corpo, mas tinha filosofias fudidas. Mas a puta foi dizer isso, apenas quando eu estava em cima do lance, ou seja , meu pau desafiando o céu, o demoníaco dedo fálico do diabo...

Então ela larga a máxima:

-Podemos fazer tudo, menos sexo...
-Como?
-Sexo não, não pode, quero casar virgem... conforme meu guru diz...
-Estranho isso, mas tudo bem... é melhor que nada...

Ficamos naquela esfregação tremenda. Sou muito permissivo com mulheres que confio. Creio que se estamos ali cama, eu e ela rola tudo, o foda é chegar neste nível de confiança. Bêbado fica mais fácil.

Estavamos ali, nos bolinando gostoso, esfregação é definitivamente algo muito bom.

Olhei pra ela depois que de gozar e disse:

-Você é uma puta santificada hein...

Ela ir com tolice, e acho que não entendeu a merda que disse. Mas como disse no inicio, as vezes é melhor assim, sem filosofia alguma, apenas bestas que se encontram ao largo do caminho, simples a espera de nada que venha nos salvar.



Luís Fabiano.
Filetes de sangue - 4

A doença já havia feito sua trajetória infeliz. Rasgos de desesperança num fim inevitável. Olhei seus olhos, uma ultima vez. Gosto terrível do inescapável. Ele me olhou, e havia uma ponta de brilho no fundo de seus olhos.


Não era preciso dizer nada, apenas deixar o coração pulsar num silencio dolorido. E nos estertores de suas energias... sorriu, a mão ficou frouxa. Eu quis agarrar o ar a sua volta... enquanto o desenho do seu corpo era contorcido por minhas lagrimas.



Luís Fabiano.

terça-feira, novembro 22, 2011

Dica de filme - Despedida em Las Vegas (Leaving Las Vegas) - 1995


Coerência é algo que esta em falta no mundo. Ben decidiu morrer em Las Vegas, fazendo a coisa que mais gosta, beber muito.
Qual o problema?

No meio do caminho, conhece uma prostituta e eles se apaixonam. Vivem um amor que liberta, mas não salva a ninguém, alias ninguém salva ninguém. Pois o amor verdadeiro é totalmente desinteressado até de si.

Uma entrega sem cobrança alguma. Quem esta disposto a amar assim? O papel da vida de Nicolas Cage. O filme é intenso e cômico, ver Ben morrer lentamente é doloroso, vê-lo dar e receber amor, sublime. Morremos e nascemos um pouco.

Luís Fabiano.



Navalhadas Curtas: Ventosidade Silenciosa


O bar é uma catedral aberta vinte quatro horas, que recebe demônios e anjos com o mesmo olhar complacente, de um perdão consentido eternamente. Entre copos que se esvaziam e almas que se preenchem. As vezes o amor é possível.

Sou frequentador de bar... eles têm minha atenção e prece. Bêbados, drogados, putas, travestis e outros santos, preenchem o ambiente com as vibrações da vida. Uma vida real, a beleza casando-se o esgoto, as emoções mais belas e ébrias, vinculando-se a alucinação e a vida selvagem.

Ela me olha de soslaio, sentada sozinha em uma mesa. Havia esvaziado alguns copos de whisky. Era como um peru pronto para o abate. O rum trabalhava em mim, como um coro de mil anjos afogados em liquido seminal. Aquilo era lindo.

A solitária estava longe de ser uma linda mulher. Maltratada pela vida, um cara amassada e a idade fez seus estrago com requinte. Tinha boas tetas, e era tudo que se precisava, é um detalhe para chegar lá.

Fiz meu sorriso calhorda alcoólico pra ela, e ela aceitou. Sentei a mesa dela, e conversamos um papo, papo alucinante e meio sem sentido:

-Sozinha por quê?
-Quem não esta sozinho hoje?
-Agora não estamos mais... né...


Ela gargalha como uma pomba gira desvairada e sem proposito. Então disparei:


-Ei baby, vamos ao banheiro?
-Ué... vamos...

Chegamos lá e entramos num dos compartimentos. Era bem apertado e estamos bêbados. Nos viramos daqui e dali, e consegui encaixar no buraco certo... quando estávamos quase chegando lá... ia bombear a porra pra dentro dela... então ela peida estrondosamente... senti o bafo forte na base do meu pau... achei que houvesse cagado. Mas não... mas o cheiro era muito forte, devastador... porra, que ela havia comido??
Comecei a rir... e acabei broxando. A vida é uma maravilha.

Luís Fabiano.


Pouco antes, bem depois...

Deitado na cama com uma cueca mais ou menos limpa
Ela foi ao banheiro fazer seu ritual...
As mulheres vão ao banheiro antes da foda...
Mijar, cagar, peidar e olhar o rosto...
Coisas que se combinam no reflexo do espelho
Na surpresa que se espera e na merda que se vai
Ansiedade que se desenha... a espera

Pra mim não havia novidade
Nunca há, o esperado é algum prazer...
Mas é preciso as vezes arranca-lo da natureza
Nem sempre carinhos funcionam
Só carinho, transforma o sexo em uma ilha de santos pelados
E decididamente não somos nada santos...

Fumava um Black mentolado olhando para o teto branco
E pensava se ela valia a pena o suor...
Cheguei a conclusão que gostava dela um pouco
Então era melhor não ter pressa com nada
Sentimentos fazem isso
Carinhos, beijos, algum papo e penetra-la devagar e fundo
Quando você não gosta, vai esculachando de cara
Amor vingança, prazer odiento, vazios antes e depois
Nem sempre se tem sorte dos átomos combinarem no espaço

Quando ela veio estava bem e leve
Com baby-doll branco, um anjo
Trouxe uma bebida junto...
Por um breve instante, me senti no paraíso
Nosso maior erro na vida
É querer manter o paraíso eternamente, aprisionar o infinito...

Vive-se pedaço a pedaço,
Come-se pedaço a pedaço e caga-se pedaços...
O oceano estava tranquilo
Fomos nos entregando lentamente
Gostar é estranho e as vezes faz toda a diferença
Mas nem por isso deixei de puxar-lhe o cabelo com força
Bater forte na bunda e arrancar-lhe algumas lágrimas amorosas
É bom ter a verdade da vida, próximo a nós sempre...
Não há prazer gratuito...
As dores nos espreitam no canto escuro do quarto.

Luís Fabiano

segunda-feira, novembro 21, 2011

Trecho Solto:



“ Uma vez casei com uma mulher que nunca tinha visto. Nos conhecemos pelo correio. Ela também tinha me escrito cartas inteligentes mas nossos dois anos e meio de casamento foram um desastre.
As pessoas em geral são muito melhores por carta que em carne e osso”.

Bukowski - Mulheres

Filetes de sangue – 3


Um container de lixo transbordante... uma mãe recolhendo latas e garrafas plásticas. Uma criança pequena três anos no máximo... também pegando e tentando amassar latas, entre risos inocentes de uma brincadeira infantil... brincar de sobreviver.

A mãe ensina como amassar a lata... a menina de boné rosa, ri de sua falta de força para transformar as latinhas em anãs... alheia completamente ao drama da verdade. A mãe encosta-se no container, parece exausta, enquanto a menina estende-lhe uma latinha que ela não conseguiu amassar...




Luís Fabiano.

domingo, novembro 20, 2011

Pérola afiada:

“ Retrato do mundo hoje: as pessoas falam demais, simulam demais ,escrevem demais... e não fazem quase nada objetivamente, a ação é uma nulidade.”

Luís Fabiano.


Poesia Fotográfica...


sábado, novembro 19, 2011

Navalhadas Curtas: Ligação direta...


Tenho andado meio direto ultimamente. Acho que é uma espécie de compensação, para não perder o tempo da vida, esgotar as estruturas e correr contra o maldito tempo.
Possível ?

Porra nenhuma, mas ao menos você mente para o tempo... afinal é o que todo mundo tenta fazer, de alguma forma.
Olhei para a faxineira:

-Ei Margareth, vamos trepar?

Ela se surpreendeu com a minha pergunta... mas fez aquela cara safada sabe?

-Como assim ?
-Tu és uma coisinha linda... deixa eu botar dentro de ti... um pouquinho... só um pouquinho...
-Fabiano... não é assim...tu...
-Claro que é... fácil, você ergue o vestido... e farei com jeito...ok... adoro você...
-Tu és louco... cara...
-É sou... mas olha aqui - mostrei a ferramenta erguida, apontando para o céu... a puta sorriu, e virou de costas apoiando-se no sofá. Ual...

Entrar nela foi bom... suave e carinhoso. Acho que a vida deve ser assim, não há tempo a perder... Esqueçamos o ritual... falemos direto com Deus.


Luís Fabiano.

sexta-feira, novembro 18, 2011

Fechando a semana

Tom Waits e sua voz soprada do inferno, destroçando cordas vocais e dando asas a alma, pedra sendo esculpida a força, polida e convertendo-se em bênçãos das emoções diáfanas, o peso que nos faz flutuar.
O abraço forte da alma. Curtam com leveza.
Luis Fabiano

Filetes de sangue – 2


 Eu o tive em meus braços, por um breve instante. Mas não havia mais vida. Não entendo como seres nascem sem vida... justificativas não aplacam a dor.
Os médicos o levaram para dentro... e foi como se tivessem extraído definitivamente o melhor de mim...

Luís Fabiano
Momento Mestre

Nelson Rodrigues – A vida como ela é...

- Pai por Dinheiro –


Navalhadas Curtas: Equinos na fila

Filas são naturalmente entediantes. Foram criadas para testar a paciência e para dar uma certa ordem ao atendimento lento. Enganação pura. Então um cara na minha frente... tipicamente nervoso, mas não por causa da fila.

Ao olhar a estrutura física dele... matei a charada: era bombado... músculos excessivamente proeminentes... um olhar inquieto e uma certa tremedeira nas mãos, típica dos caras que tomam aditivos pra cavalo... respirando todo o oxigênio do lugar.

Sorri sozinho... e o cara não parava de se mexer, ficava olhando todo mundo... encarando, pronto para entrar em erupção. Tenho péssimas ideias as vezes, quem nunca brincou com fogo?
Ele estava tão tenso que sequer iria notar...

-Tá animal a coisa né amigo – disse ironizando a situação.
- É... muito...muito mesmo...fila é fila...é...
-Sei... tenho a impressão que estamos numa cocheira né... – rindo.
-Tu sabe que parece mesmo...
-Daqui a pouco dão a largada... e quem chegar primeiro lá, ganha...

Então, o caixa chama:

- Próximo...
-Vai lá campeão, é tu... chega em primeiro hein...

O cara ficou me olhando... mas não entendeu a piada.

Luís Fabiano.

quinta-feira, novembro 17, 2011


Carinhos de um Porraloca


Parte final

Geórgia engravidou, com a pior das possibilidades naquele instante... de certa forma eu olhava aquela situação como que antevendo as agruras dolorosas que viriam a se seguir. Falta bom senso no humano... falta a fria fibra de perceber os desvãos sombrios do caminho, e de alguma forma tentar escapulir.
Escapulir?

Não, não fazemos isso, vamos caminhando como um cortejo pastoso, ainda que nossas emoções nos falem silenciosamente que não. Somos a mosca atraída para luz, uma luz que irá matar a mosca, luz que ilumina e faz morrer.

Mas estranhamente, Daniel me pareceu ficar mais humano naqueles dias. Aquela ex-mulher dele, grávida dele, em meio aquelas brigas intermináveis com fodas notáveis, como ele me disse... Quem já brigou com a mulher em casa, sabe que depois de uma briga, a foda parece ser melhor... parece reaquecer algo... ou então trepar com raiva, e terminar em um gozo amoroso é formidável.

A cadelinha furiosa... rascante...louca dando tapas, agredindo, berrando... e tudo vai desaparecendo quando lentamente a penetramos, a xoxota se comprime e depois risadas lubrificadas entre o suor e porra. Uma das coisas mais lindas da humanidade.

Os meses que se seguiram foram curiosos. Um pouco melhores para todos, mas a Geórgia não aliviava as drogas. Fazia um coquetel com whisky, enquanto a criança crescia em suas entranhas. Ela brindava a vinda do filho se entorpecendo o máximo possível, surda completamente aos bons conselhos.

Uma consciência louca... uma cadela com raiva vagando nas ruas desertas, chantageando Daniel para que ele voltasse... por que se não, ela iria abortar aquilo! Falava em aborto como se fosse cagar... Daniel tentava contemporizar. Amor estranho amor, muitas vezes ele me disse que fazia tudo pelo seu filho... tentar cuidar daquela mãe louca, sim, agora se descobriu que ela esperava um menino. Com tudo isso ele parecia feliz... mas não muito diferente do que é.

Não há magia no mundo... e nem milagres programados via fibra óptica. Muitas vezes penso: o que é necessário para alguém mudar? Qual a cota de dor que é necessária a preencher, para que alguém altere a sua vida? Quantos baldes de lagrimas são necessários encher? O quanto devemos perder, para entender que perdemos ?

Isso me irritava profundamente. Mas eu tinha meus problemas, minhas merdas também ferviam no caldeirão. A diferença que não era descontrolado ou passional. Sempre houve em mim uma frieza limpa e elegante. Lágrimas raras, uma resignação estudada, com um escudo que me ajuda a controlar meu brutal. Posso ser detestável, louco e um perigo a mim e aos que me estão ao derredor. Então com um sorriso, e a capacidade de suportar golpes dolorosos, e simplesmente tentar seguir em frente, mais endurecido, esperando algo de melhor a frente.

Minha esposa começava apresentar uma certa insatisfação conosco. Aquela trepada das quartas-feiras, aquela relação feita de álcool e filme, nos cansava. Sem brigas, e demasiadamente limpa, me levava as duvidas. Não conseguia perceber se ela gozava, se fazia aquilo para cumprir as regras instituídas do matrimonio? Sem gemidos, nem parecia gostar muito... um madrugada fui acordado por ela se masturbando, gemendo baixinho...não queria me acordar, me fiz que estava dormindo. Nada adiantou as quartas e nem nada. Passei a sair mais cedo de casa, e a chegar mais tarde. Quando lembrava da xoxota dela... sem pelos... seca como um deserto... minha ferramenta não se animava.

Não haviam discussões, isso era bom e péssimo ao mesmo tempo. Significava que eu estava indo embora, que ela estava distante... uma fatalidade esperada, quando ambos não crescíamos em nada, nada tínhamos a acrescentar um ao outro... seguir pra que? Passionais jamais entendem isso.

A barriga de Geórgia crescia, e chegaram a ter um breve momento de paz.
Paz?
A vida, a natureza cobra cada centavo de nós... isso é uma merda. Uma noite de madrugada calma, onde parecia que Deus estava conosco. Um telefonema ferindo o silencio da noite, Daniel dirigindo como um louco, uma noite linda e estrelada. Ironia profunda. Geórgiax contorcia-se de dor, havia bebido, havia usado cocaína... agora... chegam ao hospital, ela estava com sete meses... Daniel entrou em desespero, médicos, enfermeiras, que vai acontecer?

Tomado por um sentimento fora do comum, olhou para uma Nossa Senhora pendurada na parede da sala de espera. Mentalmente orou: Mãe de Deus, por favor... Mãe... faça com que eles fiquem bem... que seja um susto... nos precisamos voltar pra casa...

Uma prece sentida, querendo se possível arrancar da vida a vida... Daniel era um outro Daniel. Fomos avisados e corremos para o hospital. Via tudo isso em loco, e via meus problemas desaparecendo em uma nevoa de dor, que ia para além do mar egoísta que vivia.

Fizeram uma cesariana de emergência na esposa de Daniel, a criança foi tirada com vida. Estava ao lado dele, naquela sala de espera de silencio e éter. O cheiro forte do hospital é uma espécie de alento e agonia... que vai acontecer? Por fim vieram as noticias, um médico com olhar grave, cabelos grisalhos e um tom de voz imponente disse:

-Senhor Daniel?
-Sim.
-Sua esposa esta bem, seu filho porem não. Ele precisará ficar na UTI pré-natal... estamos fazendo o possível, mas ele não esta nada bem... lamento, tenham uma boa noite.

Daniel chora em silencio. Todos o abraçamos e fomos fazer nossas preces para que André (este era o nome da criança) ficasse bem.

Não creio em metamorfoses instantâneas. Mas o clamor da vida às vezes nos anestesia e por um tempo somos o que não somos, anestesiados pela dor. Isso... a dor nos anestesia. Os dias que se seguiram, Daniel passou estar na UTI todos os dias mais de doze horas por dia. A mãe de Andrezinho, saiu do hospital em dois dias e nunca mais apareceu. Uma serpente que se alimenta das próprias crias era melhor que ela. Voltou ás drogas com toda força... como disse parecia que havia cagado a criança.

Aqueles dias foram difíceis para Daniel. Ele via a criança através da incubadora de vidro, tocava nela, fazia carinhos, contava historinhas, dizia que iriam jogar bola mais tarde... A criança recebia todo o seu carinho... e durante quinze dias, isso foi a vida inteira de Daniel. Pensei comigo: acho que jamais seria um bom pai... acho que jamais seria um pai como Daniel.

Quando ele chegou então naquela manha no hospital, a medica plantonista o chamou em uma sala, ele pergunta:

-Doutora, tá tudo bem? O Andrezinho passou mal, algo assim?
-Não Daniel, infelizmente ele não resistiu... ele lutou mas... insuficiência respiratória os pulmões... bem...

Daniel chora em uma dor sem precedentes, soluça como uma criança, as lagrimas caem intensas, não diz uma única palavra...queria vê-lo...tocar pela última vez...

A medica mesmo sempre tão profissional, tem olhos umedecidos, Daniel tinha sido o pai e a mãe de Andrezinho. Um fim inesperado ao menos para mim. Andrezinho chegou a apresentar melhoras... e achei que tudo iria dar certo, mas nunca há como saber de nada.

Não brigo com a divindade, que tem suas divinas decisões, que são divinamente corretas... mas puta que pariu, um cara como Daniel, que estava um ser humano melhor, por causa daquele filho inesperado... a natureza não é boa mesmo ... e as vezes Deus também não.

Nos dias que se seguiram eu também me separei e não tornei a ver Daniel com a mesma frequência... mas de uma coisa eu sei, ele é um outro cara.




Luís Fabiano.

quarta-feira, novembro 16, 2011


Filetes de Sangue -1


Parado naquela esquina, olhei para trás, e seus olhos estavam colados em mim, com um fundo brilho de lágrimas, que mesclavam-se a chuva. Algumas despedidas são terríveis.
Embarcar no ônibus foi dolorosamente penoso. O pior, saber que jamais tornaria a ver aquele olhar novamente... desejei ficar preso a ela, como uma ancora, ainda que fosse a ultima coisa de minha vida... mas não havia como... não tinha como.


Luís Fabiano.

Carinhos de um Porraloca


Parte 1

A memória é uma espécie de anjo e carrasco, acentuando e cravando suas garras em nossa existência... ora catapultando para um paraíso sereno e doutras vezes, transformando-se em um cárcere lubrificado, de nossas merdas eternas.

Apegar-se a memória de qualquer forma, é estar preso. E dia após dia tenho me livrado disso. Merdas demais, pesam em algum lugar em mim... para além dos intestinos. Então como um saco de tijolos, vou deixando para trás tudo. Ando mais tranquilo, ainda que as estradas estejam com uma paisagem lunar.

Sim, talvez a paz seja um pouco isso, permitir abandonar-se e abandonar o pior que temos. Mas sempre resistimos largar o pior, preferimos a tortura, a ferrugem de nossas engrenagens carcomidas, é o orgulho tramado em nossas ações melhores e piores... a mesma ferrugem que irá corroer nossa engrenagem... e vamos dar diversos nomes depois... mas não importa, irá doer da mesma fora. Fantástico humano !

Quando conheci Daniel, não entendia muito sua maneira de viver... nem tão pouco como vivia... de onde tirava grana. Tudo era e é um mistério. Existem coisas que as vezes é melhor não saber. Isso é uma verdade, jamais queira mergulhar nos detalhes sebosos da vida alheia, isso geralmente nos joga em uma zona de entendimento, porem é melhor que mantenhamos a distancia. Remexa apenas o seu próprio caldeirão asqueroso de podridão. Relaxe, todos nos temos merdas em nossas vidas... não há surpresa no ser humano.

Nesta época eu era casado com uma mulher que quase não era uma mulher. Ter tetas bonitinhas, xoxota e longos cabelos não determinam nada. Um dos casamentos mais insalubres que tive. Tive muitos. Ela não era dada a carinhos, nem me chamava de meu amorzinho e nada parecido. Nos fazíamos sexo as quartas-feiras... e nossa vida não tinha nada de muito interessante, enfadei-me rapidamente.

Um trem nos trilhos e com algum equilíbrio. Isso é desejo de todas pessoas... é disso que justamente eu fujo. Tal equilíbrio é mortal, é uma paz emulada, um lodo silencioso e calmo... para se suportar, mas não queiram mexer. Ela parecia feliz, era tudo excessivamente normal... ela decidia tudo, inclusive a foda... como eu disse, ela não precisa de mim, precisava de um vibrador.

Mas mesmo assim, quando fui embora, teve drama ridículo de orgulho ferido e quebra-quebra, ação ao final nos estertores do espetáculo... o ser humano é previsível como um peixe no aquário!

O Daniel frequentava nossa casa, nos frequentávamos a casa dele. Éramos bons amigos. Era interessante, um bom sujeito, um cara que era apenas cruel consigo mesmo. Conheço esses tipos. Caras que se agridem ao limite de tudo. Muitas bebidas, drogas diversas, relações tumultuadas com diversas pessoas e brigas com desconhecidos.

Um trem em uma floresta negra, arrastando toneladas de disposição, uma disposição catastrófica. Gostava dele, como gosto de tornados, de relâmpagos, gosto de tempestades e chuvas que não sessam, ventos que arrastam tudo no seu caminho. Gostava de Daniel por isso.

Um dia fomos apresentados a sua ex-mulher, e mãe de seu único filho. Quando conheci Geórgia, logo entendi tudo. Uma beleza inacabada. Os desgraçados se encontram nas encruzilhadas da vida, se unem e vão adicionando força ao inferno sorridente.

Ela era bonita, gostava de roupas decotadas, muito embora não tivesse na melhor forma. Um longo cabelo preto, olhos claro, sorriso fácil e um olhar perturbado de cheiradores de cocaína. Isso fazia dela um espécime a beira do abismo, beleza e medo, tragédia e sorriso. Belas tetas. Meu olhar mergulhou para o decote dela e não fiz muita questão de disfarçar. Daniel não se importava com nada, minha mulher preocupada mais com as aparecias das coisas, sorria como uma cadela feliz, quase latindo de uma forma mais educada possível. Ela tentava ser o maestro de uma orquestra no manicômio.

Daniel e Geórgia viviam brigando abertamente, embora separados, se agredindo literalmente, quando as oportunidades surgiam. Belas feras. Ambos ficavam doidões, com qualquer droga e quebravam a casa toda... imitavam a desgraça da miséria, embora tivessem alguma grana.

Eles eram o contraponto do meu casamento apagado em trilhos abandonados do silencio. De certa forma sentia um pouco de inveja da desgraça alheia... ao menos algo acontecia ali. Ate bati uma punheta para mulher de Daniel. Nada de gozadas programadas da quarta-feira no meu casamento... uma trepada que durava dez minutos ?? Terrível!

Mas a vida não se preocupa com a desgraça que todos arrastamos. Nem Deus ou diabo. E tudo mais ou menos por nossa conta, nossas intenções são como tentáculos intestinais estendidos ao nosso derredor, e ás vezes alguma coisa da certo.

A natureza esta cagando para nós, como as coisas vão se dar em nossa vida, e ainda que respeitemos a natureza de uma forma emulada, ela nos fode hoje ou amanha... basta esperar, quando começarmos a feder infectos, com a morte dentro de nós.

Geórgia engravidou, com a pior das possibilidades naquele instante...


Continua...

Luís Fabiano.

terça-feira, novembro 15, 2011

Poesia Fotográfica...


Necrofilia Virtual




Elas vão morrendo
Uma a uma, como esperanças em meio ao deserto
Tempo fazendo seu trabalho eterno
Mas nem tudo está perdido...
Quando morrer hoje, é quase impossível
Ficam sempre restos da chusma vigorosa de nossos dias
Espalhados nas virtudes e vícios que acalentamos como bebês eternos
Nas tetas de nosso destino...

Fotos espalhadas por aí em lembranças congeladas
Vida emulada que anima o que cada um tem de melhor ou pior
Realmente pra mim não importa...
Elas ressuscitaram a vida, através de minhas ejaculações
Espermas espaciais a procura do infinito
Gotas que pingam no asfalto
Semeando o árido.

Atrizes, cantoras, dançarinas, pintoras, escultoras...
Todas mortas, inspiram minha punheta dominical
A loucura possível em nossos dias arrasados
Enquanto significados são afogados em tina de agua pura
Na ânsia de arrancar do presente, as vísceras da verdade flutuante

Não digo que as musas vivas deixem de inspirar
Mas como aquilo que morre...
Deixa o ápice de nossas intenções melhores
Frisadas no que foi e poderia ser...
Anjos fulgurantes do nada...
Fico com as mortas

Diante de mim, o corpo frio, languido e abandonado
Olhos fechados para sempre
Tetas maravilhosamente estáticas e pelos da xoxota paralisados
Um coração que não bate mais... a estátua da vida
Ela parece estar dormindo em paz hoje... sempre dizem isso...
E talvez sua alma mergulhada no inferno de Dante
Pouco importa o depois, quando nossos atos
Já transfixaram nossa alma...

Quero disputar com os vermes
Pedaço a pedaço
Eles também me aguardam...
Eles são muitos, mas eu estou bem motivado.

Luís Fabiano.