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sábado, julho 30, 2011

Vou mandar um papo reto pra vocês... neuroticamente curtam Mister Catra, ele pode não ser agradável a muitos, mas é autêntico o que mais falta por aí...

Pérola do dia:

“ Comer merda não é uma das coisas mais agradáveis a principio. Nos primeiros dias é terrível, mas com o tempo, acostumamos, alias acostumamos com tudo sempre.
Depois de alguns dias passamos a exigir a nossa ração de merda diária, afinal é um direito nosso. Essa é a vida.”

Luís Fabiano

quinta-feira, julho 28, 2011


Besta

Gosto do olhar bestial
Os olhos ternos do santo
O breu abissal e denso dos olhos apagados
A indiferença nauseabunda dos olhos comuns
De todos
O bestial é o que grita
Raro
O que mais vejo por ai
São aqueles olhares sem chama ou sombra
Triviais lampejos da indiferença inescapável
Verdadeiramente não se importam com nada
Prefiro os outros
Sórdidos
Frios
Maus
Bons
Quentes
Ao invés do nada bradando silêncios corrosivos
Vi este olhar no assassino apaixonado
E na mulher que recém pariu
Olhos do insano eivado de loucura
Vi este olhar no amor quase puro
No ódio mais sagaz
Eu vi
Ando pelas ruas
Em busca de olhos reais
Não consigo ver-lhes a alma
Vejo-os apressados e ocos
Bambus ao vento
Então olho para onde não se olha
Quase em desespero
Ou me fecho em meu coração
Onde me balanço como um terremoto
Entre o céu e o inferno
Tentando talvez tornar-me bestial
Olhando para o fim
Como se fosse um novo começo
Meus olhos agora beijam o fim

Luís Fabiano.

Pérola do dia


Lá no céu agora tem, Amy Winehouse, Jimi Hendrix, Curt Cobain, ou seja pra quem gosta de rock, ta valendo apena mais morrer que ir no Rock in Rio este ano.”

Danilo Gentili

quarta-feira, julho 27, 2011


Pérola do dia :

“ O amor não é sublime, porque as pessoas amam por diversos motivos, inclusive para não ficar sozinhas no mundo, que há de sublime nisso ?”


 Marçal Aquino



Servidos ?

Ela andava insuportável
Como uma aura elétrica
Falando, pensando e sentindo todas as merdas do planeta
Eu o fiel da balança
O pendulo do bem e do mal
Compreensão e rancor
Carinho e o tapa
Beijo e o vomito
Indiferença é o meu amor
Ela para na porta do quarto
Nua da cintura para baixo
A luz que se projetava detrás dela
Transformava-a em uma assombração linda
Então faz uma cara sarcástica quase malévola
Com as pernas aberta vejo algo pingando de sua intimidade
Sangue, sangue, sangue...
A vida pode ser fantástica
Eu deitado na cama bebendo cerveja entre os anjos bêbados
Aquilo incendiou minha alma
Carregando-a para o inferno
O sangue continuava pingando no chão
Fazendo aquele som denso
Ploff, ploff
Ela sorri e o silencio o nos irmana
Testemunhas do nada
Silencio assassino
Criminoso
Pervertido
A tentação macabra sussurrando
Então vem se arrastando como uma cobra
Até mim
Deixando poças de sangue no chão
A menstruação sujando tudo em seu caminho
Lençóis
Cobertas
Chão
travesseiros
Minha boca
Entrego-me sem limites ao querer
Eu o Drácula
O vampiro
O demônio carinhoso
Frenesi
Quase me afogo em sangue
Ela atingiu o orgasmo
Como o rio o mar
O tiro no coração
Bebo ate a ultima gota de tudo
Beijamo-nos ternamente
Enquanto eu me sentia um recém-nascido
Quase chorei...

Luís Fabiano

terça-feira, julho 26, 2011

Pérola do Dia:





“ As pessoas são interessantes no inicio. Aos poucos porém, todos os defeitos e loucuradas botam as manguinhas de fora, é inevitável. Começo a significar cada vez menos pras pessoas, e elas pra mim.”


Charles Bukowski – Mulheres.



Navalhadas Curtas: Vísceras pra dentro ou pra fora?


Confortável, os pés sobre a mesa de centro, tomando uma cerveja, vendo qualquer coisa imbecilizante na tevê. Isso é bom pra caralho. La fora o céu estava limpo, e o dia parecia bom isso me deu paz.
Então ela chegou e parecia aborrecida, com meus pés, minha cerveja e a tevê, perguntei:

-Que foi?
-Me diz uma coisa Fabiano, tu és fiel ?
-Não sou crente...
-Tu entendeu, tu tens outras mulheres?
-Tenho, varias outras... mas porque?

Não houve resposta, ela parecia uma criança engasgada, que não chorava, não ria e não respirava... quando por fim conseguiu falar, me colocou porta a fora... quebrou a garrafa de cerveja, e disse pra não voltar nunca mais. Fiquei parado do lado de fora enquanto ela batia a porta pra sempre... só rindo, no dia seguinte ela me liga carinhosa.


Luís Fabiano
Poesia Fotográfica


Língua de guindaste, alma de cadela 

Por onde andas?
Como um radar tento captar no nada
Mas o silencio cala mais fundo que o silencio
Felpas magnéticas da saudade ficando a alma
Saudade?
Não sei... não é
Talvez a sede do teu corpo bom
Se diluindo em mim babada
Penso melhor...
Lembro-me da tua voz enfadonha, modorrenta vomitando futilidades
Hoje prefiro outra voz
Mais um gole de rum
E como um xamã alado do inferno
Tudo fica mais claro
É a tua boca
Isso
Tua boca voraz querendo tragar minha alma pelo pau
A melhor de tuas qualidades
Mestra de todas as pirocas românticas do planeta
Mas o humano se confunde
Entre as vagas do querer
E a desértica realidade
Havia tanta ternura naquela boca de algodão, lábios e a língua vigorosa
Ternura demais parece amor
O cheiro constante de outras porras
As lésbicas a amam também
Era capaz de ordenhar um cavalo com a mesma serenidade
Com aquele sorriso e olhos que se reviraram nas orbitas
Gostava de suas calcinhas beges broxantes
A detestava quando falava
Falava como uma puta rameira
Deus nunca dá um dom completo
O beijo e a desgraça andam abraçados
Um dia desapareceu
Sem adeus ou dramas
Acho que cansou de chupar
Imagino que deva ter se convertido aos desejos formais da vida
Virou uma mulher comum
O anseio supremo da felicidade de todas.

Luís Fabiano

segunda-feira, julho 25, 2011

Pérola do dia:


“ Há apenas uma grande aventura. E essa é para o interior, rumo ao eu, e para essa não contam tempo nem espaço, nem tão-pouco feitos.”

 
Henry Miller.





Vapores de um Vômito perfumado

Tem dias que a vida é extremamente acelerada, abro os olhos e tenho a impressão de estar a cento e cinquenta e um quilômetros por hora, ou talvez mergulhado em algum pesadelo vivo, repleto de ânsias, medos e dores quase palpáveis. Isso não é uma reclamação, uma constatação, o dialogo maldito comigo mesmo que faço todo dia. Tento resgatar-me da morte em vida, aos poucos para que tudo fique bem, quando dá.

O dia amanhecia depois de uma noite pesada, pesada em todos os sentidos, por momentos não tenho desejo de pisar no freio, deixo-me acelerar a toda, então seja o que o destino quiser.

Boa maneira de começar o dia. Olho para lado, tudo é desconhecido, a cama, o teto, aquela luz que passava pelas cortinas fechadas, o copo abandonado na solidão derradeira do ultimo gole, derramado e ela... oh Deus...quem seria ela?

Tudo que vi em primeiro momento, foi aquela barriga imensa, gelatinosa, os cabelos pretos compridos, depois um som muito estranho... como uma respiração afogada, um ralo entupido, uma espécie de catarro preso na garganta, fazendo aquele barulho denso quando respiramos... isso fez eu voltar a mim no susto, como uma alma que deixa o corpo momentaneamente, e sente saudade dele e volta desesperada tentando abrir os olhos, a vida, a vida... por favor vida.

Ajeitei-me na cama, ambos estávamos nus, então trepamos, Jesus por quê? Não sei. Então fui olhar a cara dela, para começar a clarear a memoria. Quando viro seu rosto pra mim, para dar o beijo matinal, sou assim, gosto de beijos matinais, beijos vaginais pela manha, com todos os cheiros fortes de uma noite, suor,mijo, gosto do bafo matinal que mescla sono, ressaca e preguiça, gosto de meter assim, meio seco meio molhado, e deixar os corpos despertarem suavemente, como ondas do mar... uma coisa eu tenho certeza, depois de alguma experiência... o dia começa excelente quando se trepa pela manha, tudo fica mais tranquilo e sereno... faça isso, trepe pela manha, bata sua punhetinha ,sua siririquinha doce...faça algo.

Quando virei sei rosto pra mim, maldita surpresa, a vagabunda estava com a cara mergulhada numa possa do próprio vomito, de lado... não dei o beijo matinal. Porra ainda bem que ela estava de lado, do contrário se afogaria no vomito. A cena não é das mais bonitas, então me lembrei de tudo, ela não era tão desconhecida, ou quer dizer era, mas a primeira vez havíamos trepado. Estas coisas são como uma espécie de nova droga pra mim. Cada um com seus vícios.

Havíamos bebido um pouco, ela um pouco mais da conta, havia usado algum aditivo a mais, drogas para ver se a vida se tornava algo diferente, creio esta ser a ânsia de todas as pessoas. Fugir desesperadamente da modorra existencial, essa merda que converte um dia de sol, em algo tão comum como um peido hediondo. No fundo sabemos, é escavação a procura da alma, a que todos nos propomos, raspamos o casco da existência com as próprias unhas para achar à alma, o sentindo, o rumo, a certeza inolvidável. Neste aspecto não importa o que façamos, tudo se converte em uma espécie de sacrifício, muitas vezes sem sentido... o sentido é isso, a lagrima de cada dia, o sorriso, o primeiro e o ultimo beijo. As vezes achamos a alma por ai...

Aquela cena era depressiva, Fátima respirava mal, mas estava bem. Então em ergui e afastei a cabeça dela que vomito meio seco e meio molhado, o cheiro indescritivelmente asqueroso, não era o que havia pensado ao amanhecer, mas eu nunca penso nada.

Fui até o banheiro e peguei a toalha de banho dela, ergui sua cabeça adormecida e sequei, limpei ela dormia, creio que nem uma explosão nuclear a acordaria hoje.

Minha ideia era limpa-la e ir embora pra minha vida, mas neste interim, eu segurava sua cabeça carinhosamente, então ela balbucia como criança: pai... pai...não vai embora pai...pai eu te amo pai...que saudade pai...pai...pai...

Com uma voz bem baixinha, um sonho bom, pois seu rosto estava sereno, e mesmo com quarenta e poucos anos, ali parecia uma criança embalada pela saudade, pelas lembranças. Dentro de mim algo acontece, memorias evocativas e lúdicas, pois não tem como a vida nada significar, as ondas da existência reverberam, na intimidade cada um a seu jeito, a sua forma e carinhosamente.
Então disse: fica em paz minha filha... tá tudo bem, eu não vou... ainda não vou.

Fiquei ali com cabeça dela no meu colo, enquanto a luz do dia entrava e o sol banhava seu rosto suavemente... acho que é a vida é assim...é bom ter um colo onde reclinar tudo.


Luís Fabiano

domingo, julho 24, 2011

Navalhadas Curtas: A um milímetro do tédio...


Cada dia me convenço o porquê de morar onde moro. A vizinhança é realmente de primeira, uma boa gente pacata, porem não mucho. Por vezes é preciso quebrar o gelo previsível da vida e dar um ar no mínimo colorido a porra toda.

Ouvi um alarido no andar de baixo, enquanto bebia meu rum e fumava um Black Mentolado, viajando nas ondas da fumaça, pensando em nada. Desci pra ver o que estava acontecendo, e essa era a cena: uma mulher meio bêbada esmurrava a porta pedindo pra entrar e gritando com voz arrastada:

-Abre a porra essa portaaaaaa...sua bicha velha enrustida do caralho...abreeeeee...velho viado...filho da puta...

Gritava isso repetidas vezes, enquanto eu parei a beira da escada olhando-a, juntamente com outros tantos vizinhos apavorados com o ocorrido. Subi novamente para pegar meu copo de rum e voltei para ver o que sucederia.

Todos falavam que iam chamar a policia, mas a bem da verdade eles eram um casal que nunca apresentavam nada, agora aquillo. Definitivamente eu adoro o ser humano. Sentei-me na escada olhando a situação, bebericando meu rum, quando ouvi sirenes lá fora. Pensei: agora fudeu!

Em segundos a policia estava a porta, tentando conversar com a bêbada e fazer o homem mais velho a abrir a porta. Muito assustado o velho abriu, apenas dizia para segura-la porque ela é violenta.

Acho que era o fim de um caso de amor, ou não, as vezes um casal precisa se dar umas porradas, isso apimenta a relação, afinal coisas profundamente estáveis estão a um passo do tédio, nem sei o que é pior...



Luís Fabiano.

sábado, julho 23, 2011

Entendo quando morre um artista, o mundo fica um pouco pior.


Luis Fabiano.


Ultima Pérola dela:

“ Eu já morri centenas de vezes.”

Amy Winehouse

Amy, vai em paz.









sexta-feira, julho 22, 2011

Momento Mestre

- A vida como ela É -

Nelson Rodrigues – Boa Menina



Mi droga

Impossível faze-la entender
A verdade a esta a um passo do desagrado
Enquanto insiste em crer em suas doenças
Não sou cura
Sou curra
Socorro
Chama-me de droga
Agride
Cospe
Me consome até os ossos
Injetou-me no seu coração
E mais que amor
Tornei-me seu veneno
O verme correndo por dentro
Vivendo da morte
Depois
Me cheirou até que eu entupisse suas vias
A asfixiando lentamente
Em dor
Lagrimas
O ar que escapa
Ela me fumou...
Com raiva
Enchi seus pulmões e alma
Ela me vomita e me caga
Tentando livrar-se de mim
A toxina das toxinas
Enquanto o cheiro da minha porra
Esta impregnado em seu ventre...
Quer que eu tenha culpa...
Mas uma droga não se aplica sozinha...
É preciso de ti
Da tua força, vontade e desejos...
Eu sou apenas a droga
Tua droga
Minha droga
Mas a não sou a intenção
Quero ser teu refugio
O carinho dileto
Aprisco dos sonhos
Gozo do espirito
Me esquece
Porque pra ti
Sou apenas droga.

Luís Fabiano.

Pérola do dia:


“A possibilidade de sermos plenamente felizes, ao longo de uma vida mais ou menos oitenta anos é mínima; se não houver um inferno ou céu para nos receber, onde tudo seja um pouco melhor, posso dizer com todas as letras: estamos fodidos”!


Luís Fabiano.

quinta-feira, julho 21, 2011



Punheta Mental

Tento ser santo as vezes
Mas o maldito pensamento escapa
Mergulhando no lodo
A verdade
Na merda
As intenções fumaça esvanecida
Ela vinha com suas botas de salto alto
Estava muito frio
De short muito curto
Mostrava bem a bunda
Uma mini blusa e uma dose ousadia no ar
Pensei em freiras santificadas
O canto gregoriano
Buda atingindo o nirvana
Os mantras sagrados
O Cristo agonizando na cruz
E vadias arrependidas
Mas nada
A inútil tentativa de o instinto criar asas
Relaxei
E quando passei por ela
Sorri ordinário
De perto ela desaparecia
Suas coxas, o peito, a expressão, o nada
Apagou-se
Essa futilidade me encanta como tirar catota do nariz
Talvez ela fosse interessante
E menos bonita quem sabe
Não
Elas preferem ser bonitas
Mais fácil
Sempre o mais fácil
Mas ali tudo que ela fazia era chamar atenção
Soberana
Quando passei, olhei bem a bunda
E acho que isso era tudo.

 
Luís Fabiano

quarta-feira, julho 20, 2011

Pérola do dia:


“ O mundo se tornou tão politicamente correto e conformista, que lentamente vamos perdendo a identidade, homens e mulheres são o que o mundo quer que eles sejam, que porra é essa?”


Luís Fabiano.
Poesia Fotográfica





Epitáfios do Silêncio

Quando mais jovem gostava de ir aos cemitérios. Diga-se de passagem, nunca tive problemas com a morte, nunca a considerei um acontecimento horrível, temível ou um pesadelo sem fim, como a grande maioria das pessoas fazem o gênero. Sempre achei natural, tão natural como nascer, um dia você esta, no outro dia você vai embora. Sou assim não por ser profundamente “insano” tudo bem, isso ajuda um pouco, mas não é só isso.

Minhas convicções me deixam sereno, a morte não é aniquilação. Então fique tranquilo, hoje mesmo ou amanha você vai morrer, relaxe e de um beijo na boca da morte, essa vadia safadinha, que tem sempre um bom motivo pra te levar. A morte é uma amante fiel, pode demorar, mas essa puta chega.

Eu ia com um grande amigo ao cemitério, eu tinha por volta dezesseis ou dezessete anos, íamos olhar as sepulturas, as lapides, os nomes daqueles que já se foram e ler epitáfios. Alias epitáfio é a ultima ironia da vida, as pessoas colocam qualquer merda lá para que outros saibam que ela era uma pessoa de valor, puta merda, até na hora da morte pensamos na aparência.

Não foram poucas vezes que eu e Edu, rimos dos nomes mais velhos, fazendo suposições a respeito de suas mortes, como alguém com nome Astolfo, Epaminondas, Pafúncio e etc... como essas morrem? Certamente de desgosto. Riamos muito, o contrário de todos que vão ao cemitério, levando consigo as lembranças pesadas, as amarguras de um tempo que se passou, alias tempo que jamais volta, outros tempos virão, mas o que foi, se foi.

Um dia acompanhamos um enterro de verdade. Já tínhamos visto de longe vários, mas aquele nos juntamos ao corteja para velar, e depois seguimos o féretro até onde aquela defunta ficaria engavetada. E aqui a morte mais uma vez fez uma ironia. Quando fomos olhar a cara da defunta, senti algo que viria a marcar meu coração.

A defunta era jovem, talvez trinta anos, era absolutamente linda. Mesmo morta, sua beleza era encantadora, cabelos pretos longos, a pele lisa e pálida, a boca ligeiramente pintada, e com vestido escuro era possível ver os fartos seios. Mágico. Aquilo era muito bonito, o conjunto de tudo era notável, o cheiro das velas queimando, as mosquinhas que acompanham o cadáver, o entardecer triste, o dia que se despede, a noite, o sono profundo, o apagar das velas, dormir.

Quando chegamos a beira do caixão, fizemos o sinal da cruz, naturalmente as pessoas nos olhavam, não éramos conhecidos, mas nestas ocasiões ninguém costuma dizer nada, afinal estão preocupados demais com a falta que a pessoa irá fazer, preocupados demais com a própria dor egoística.

Mas devo confessar, aquela morta era um tesão. Fiquei olhando um pouco nos olhos fechados, ela parecia tão serena, aquilo não poderia ser tão ruim. Impulsivamente tive vontade de beijar seus lábios, talvez come-la, mas fiquei onde estava. Depois acompanhamos o enterro onde havia muitas pessoas, até a parede final foi fechada.

Voltamos ao cemitério algumas vezes, sempre íamos visita a Rosa, criamos um vinculo de morte ou vida com ela, por sua beleza, por suas palavras não ditas, sua historia desconhecida, por uma distancia que a distancia não mede, de alguma forma ela havia nos cativado e aprendi que tais emoções são vivas, as emoções que o encantamento permeia vivificam mesmo a morte, um coração que para de bater, o sangue que deixa as veias, as palavras que se tornam silencio, nada significam o que fica é o brilho da vida das coisas reais que fazemos.

O tempo passou e deixei de ir ao cemitério, o Edu se formou e foi para o Paraná, perdemos contato, coisas que vão ficando pelo caminho, o nosso rastro de lesma, os cheiros da infância, as expressões magnificas que não vemos mais.

Quando voltei ao cemitério, foi pra enterrar meu pai, muito tempo havia se passado então, mas o que senti e sinto é uma tranquilidade muito grande, a vida de cada um, é sua trajetória, somos cometas riscando o céu em uma madrugada a espera do porto seguro. Meu pai havia adoecido, e as coisas se complicaram e a morte foi o resultado.

Sentia-me em paz, havíamos feito tudo para o melhor dele, então o resto havia ficado com a Divindade, afinal de contas, no fim das contas quem resolve é Ele.

Neste dia antes de sair, dei um jeito e visitei a Rosa, o túmulo dela estava meio abandonado, não havia flores, nem velas. Roubei uma flor de um túmulo e coloquei no dela, e acho que sorri meio sem graça e fui, desejando que ela ficasse em paz.

Em paralelo a este ocorrido, uma das minhas mulheres estava gravida, isso era bom, afinal Deus não era tão mau assim. Sei que Ele gosta de compensações, você faz uma coisa errada, mas se fizer algo legal pra alguém, ele limpa sua “ficha”. Bom esse cara.

Nunca me achei um cara legal, sempre fui meio doidão, então as vezes entrava em choque com Ele, e o maldizia, dizia alguns palavrões, mas nada definitivo, sou assim, nada é definitivo, tudo é o que a vida soprar, o que for melhor não a mim, mas a existência.

Quando sai do cemitério de mãos com minha mulher, mãe e irmã, embora houvesse um vazio, a barriga dela era uma esperança, um novo recomeçar... o pólen, a primavera da vida reproduzindo a vida.
Mas não.
Meu filho não nasceu, por estas fatalidades da vida, tive que enterra-lo também. Mais uma vez ao cemitério. Não me senti injustiçado, triste sim, mas minhas convicções me sustentavam e sustentam, de alguma forma minhas esperanças se inflamam e sei que tudo tem seu porque, e quando em encontrar com Criador, certamente eu perguntarei...

Dias atrás voltei o cemitério, matar saudades, talvez do Edu, do meu pai, da Rosa e meu filho, neste ultimo sentei em frente e fiquei olhando tumulo, enquanto dentro de mim algo fazia meu coração descompassar, a imaginação ganha asas e desenhos possíveis surgem na tela e se... e se...e se.



Luís Fabiano.

terça-feira, julho 19, 2011

Navalhadas Curtas: Amante Infiel?


Sentado a mesa do boteco perto de casa, bebericando meu trago de rum, enquanto minha alma espumava tranquila como mijo quente matinal. Chico chega meio cabisbaixo, talvez envergonhando, como um pau mole que se encolhe no inverno do sul. Fui direto:

-Que foi Chico, parece que tu estas cagado meu camarada... que foi?
-Cara, eu não sei como te dizer algo meio chato...

Puta que pariu – pensei.

-Chico não gosto de anestesias, vai direto e seja o que Deus ou Diabo quiserem...
-Fabiano, eu comi a Marina... uma das tuas mulheres...

Marina é a sexta. Respirei aliviado não sei por que, achei que a vida poderia ter me pregado uma peça malsã, mas não, tudo certo.

-Porra Chico, assim tu me assusta, relaxa cara tá tudo bem, eu não me sinto corno, tudo bem...
-Tu não tá de cara, aborrecido, furioso?
-Não, fica tranquis Chico, eu até posso ser corno, mas nunca me senti um, então nada existe, pra simplificar, eu não acredito neste tipo amor cara, não acho legal essa gente que tem essas besteiras de traição na cabeça, isso não existe... agora conta aí, ela gozou muito ??


Luís Fabiano.
Áudio Poema

Extraído da obra - O Amor é um Cão dos Diabos
Charles Bukowski
Voz: Luís Fabiano






Calmo muito Calmo

Tudo calmo
Dentes entram na jugular
A procura da vida
O alimento
É tranquilo
Quando a lâmina sedenta procura o coração
O pulso, a vida
Tudo silencioso quando a raiva espuma em ti
E o que desejamos fenece nas folhas secas
Tudo tão irremediavelmente imutável
Fotos do destino
Congelando a vida
Enquanto a saudade é viva carcomendo o ontem
Deliciando-se com nossos fantasmas
Ecos
Mas tudo muito calmo
As correntes frias passam pelo teu pescoço
Sem que fervam os nervos
Sem sirenes de urgência
Sem emergência
Vamos sendo enterrados pelas areias do deserto
Dia após dia devagar
Enquanto nossas mesquinharias dançam tango
Futilidade reza para que tudo de certo no final
Os dentes entrando mais fundo
Quer atingir a alma
As bolas
O útero
O ferro em brasa afundando na carne tenra
Sem desespero
Sem anestesia
Sorrimos como uns loucos
Os disfarces de tudo
Enquanto a verdade caga sobre nosso rosto
Tentamos engolir um pouquinho da merda
Tudo calmo, muito calmo
La fora
A neblina das esperanças
Lagrimas dos céus
Noite a procura do dia
E ambulâncias que berram distantes
Longe e muito longe de nós
Ainda bem
Mas calmo
Tudo muito calmo.

Luís Fabiano

segunda-feira, julho 18, 2011

Momento Boa Música
Loreena Mckennitt – The lady of Shalot

Absolutamente linda, prestem atenção na moça do Violoncelo





Sonia, corrimentinho e acelerador...

Sonia gostava de apanhar, isso era caso consumado. Tal desejo me deixava as vezes constrangido. Por ser tão voluntarioso, como uma ação caritativa, distribuindo benesses aos que sofrem. Ela era o contrário, gostava de sofrer, no sentindo da fantasia, bater nela não era tão divertido, aquela vagabunda ria de tudo.

Naturalmente a minha experiência, me deu o know how, para saber o ponto exato até onde se deve bater em uma mulher (todas gostam, é preciso apenas saber como fazer) o equilíbrio a partir do momento em que a dor deixa de ser prazer. Por vezes no calor da paixão, existe uma vontade profunda de extrapolar limites, não direi que uma vez ou outra isso não tenha ocorrido mas...
Mas com Sonia era chato e divertido.

Ela esperava a porrada. As mulheres esperam apanhar em tais momentos ( não me refiro a espancamento), mas é da brutalidade humana isso, um evocar da primitividade ancestral, o puxar dos cabelos, o tacape na mão, os gritos selváticos, a baba espumante pela boca, cuspidas e uma abundante ejaculação. Negar isso é maquiar a verdade. Transformar tudo em amor translúcido, poético e uma serenidade sem limites, é dar passos largos para modorra, porque a vida não é assim, uma maquina com engrenagens sincronizadas.

Frequento a casa de Sonia as vezes, diga-se de passagem, Sonia é imensa. Alta e muito gorda, um tipo diferente que a muito me agrada, tem longos cabelos pretos, uma barriga gelatinosa, coxas grossas, pés grandes, olhos claros e profundos, e a bunda mais gulosa que já conheci. Tudo isso formava um conjunto que me agrada muito, entre outras coisas, berra como uma vaca no cio, não importa onde esteja, é completamente liberta. Não é atoa que os vizinhos quando entro ou saio, ficam me olhando, tem a impressão que a espanco, de certa forma acontece, mas é porque ambos nos divertimos assim. Temos essa relação a base de sexo bizarro, e gosto de erguer suas pernas imensas e ver como balança suas gorduras a cada estocada, as tetas imensas quase batendo em seu rosto é fantástico.

Depois de tudo, acabamos rindo como dois doentes, no seu corpo marcas do chicote, das minhas mãos, de um chinelo especial que ela tem, para pancadas na bunda, ele tem umas saliências agudas que deixam marcas significativas. Sonia é uma fudedeira nata.

Fazia alguns dias que não ia lá, e ela me liga. Uma relação quase sem relação, existe uma cumplicidade de cosias que podem ser tocadas, não há sutilezas ou coisas subjacentes, portanto mistérios não existem, tudo é esperado, de uma obviedade genuína e simplória:

-Hello...
-Fabiano?
-Claro né gorda... diz ai que houve...
-Esse é meu Black, diz tu, vais aparecer pra nos brincar de papai e mamãe da selva...?
-Sim gorda, mas relaxe ok. a coisa tá ficando pesada...
-Claro preto, eu sou pesada, eu sou uma vaca gorda, uma elefanta e tu adoras minhas banhas...
-Yes puta, isso ai.
-Mas seguinte, eu to com um corrimentinho, ainda não sei o que é...
-Será que pega?
-Não sei, vem e ai a gente decide...
-Tudo certo gorda, eu passo ai mais tarde, depois da hora do lobisomem , há, há, há...

A puta gargalhava como uma condenada a felicidade.
Gostava daquela risada de pomba gira dela. Era maluca, e acho que esse elemento meio louco mexe com a minha pessoa. As pessoas que menos senti tesão em minha vida, foram as normais, as certinhas, as que não se permitiam flutuar em mares de prazer, sem amarras ou cordas de segurança. Detesto cordas de segurança, quero que a vida seja um caminhão carregado acelerando em uma autovia, puta merda, cem, cento e vinte, cento e cinquenta a vida descendo garganta abaixo, em goles fortes de rum e beijos de insanidade.

Mais tarde fui a casa de Sonia, a casa dela era de uma organização interessante e quase segura, estava climatizada e ela vestia a sua roupa preta em couro, cabelos soltos, a boca vermelho sangue, não perdemos tempo com preliminares, o primeiro tapa no rosto e ela gargalha, os olhos ficam loucos, a porra do caminhão estava acelerando a toda novamente, azar que fossemos colidir contra uma parede de aço, agora acelerávamos... caímos na cama como quem mergulha no abismo negro, entregue a todas as paixões vis, então eu toco na xoxota dela...interessante, estava leitosa, um liquido com cheiro diferente e acre, forte demais algo estava errado, mas quem iria pisar no freio?

Mergulhei nela, fundo, mais tapas, a vaca gritava, gemia e se babava, eu adoro isso. Terminamos essa brincadeira, quase doentia, duas horas depois, extenuados e dando risada. Sonia não tem nada demais, não conversa é feita de uma obviedade como um vomito, então me olha e diz:

-Agora é a hora que ficas entediando e quere ir né?
-É, as vezes é assim...
-Acho que vou ter ver o que tenho na xoxota, isso coça um pouco...
-É, se eu começar a coçar... também vou ter que ver... mas eu nunca peguei nada...
-Tu és maluco cara... eu também...
-Yes baby, somos crazy...

Vesti-me e nos despedimos sem frescuras... fui pra casa dirigindo devagar e pensando: puta merda, e se amanha eu acordar com uma coceira? Mas não aconteceu nada, olhei para meu membro hoje pela manha, ele parecia normal, eu parecia normal, sentia-me bem, e lembrava com um certo carinho de Sonia, aquela vaca louca acelerada, creio que é isso, a originalidade da vida é feita do quanto você se entrega a vida, as alegrias que escapam rápidas por debaixo da porta, enquanto você pensa se vale a pena ou não, os goles da existência, bons e amargos, a anestesia que não faz efeito, o que temos é o que realmente vivenciamos, no maior e mais intenso deste tempo, fechei os olhos e respirei fundo, tudo estava em paz.



Luís Fabiano.


domingo, julho 17, 2011


Gueixa Cadela

Ela é passiva até os ossos
Dá-se inteira
Sem limites
Pouco importa como seja
Apenas quer inteiro
Até a ultima gota de porra
Não sei o que sinto por ela
Um misto de nojo e admiração
Gosto do seu sorriso estupido
E olhar ausente
Quando meto nela a seco
Na xoxota ou no outro buraco
É tranquila com tudo
Não reclama,
Não chora
Não dói
Mas sua anormalidade é amorosa
Uma devoção abissal
Demoníaca e Divina
Madre Tereza, Joana Dark ,Maria, Messalina
Quando chego me abraça forte
Como se quisesse me empurrar para dentro do seu peito
E depois se despe inteira
Suga-me entre lagrimas
Sem uma palavra
Um silencio intenso de entrega
Doa-me seu sangue
Seu suor
Doa-me a sua alma
E não quer nada em troca
Sinto-me arrastado por sua doce loucura
Chame de amor, putaria, agonia ou insanidade tudo é a mesma coisa
Quando me vou
Abraça-me forte e encosta a cabeça no meu peito
Como se quisesse entrar para dentro de mim
Ela é perfeita e minha redentora
Seja como for ainda não sei o que sinto por ela
E talvez isso seja a coisa menos importante
Entre isso e aquilo
Bebemos juntos
E no fundo isso que se quer
Uma comunhão...

Luís Fabiano.

sexta-feira, julho 15, 2011

Pérola do dia:


“ Mais jovens somos cheios de ideais, com o tempo eles fatalmente morrem, e passamos a querer resultados imediatos, não é bonito mas é o esperado.”


Luís Fabiano


Tranquilo muito Tranquilo

Botecos no inverno são tristes
Como as folhas secas que caem
Poucas almas penadas vagam ali
Fieis ao culto infame
Bebia a espera que algo acontece
Mas nada
Nem doidos suicidas, putas sujas, veados viciados, brigas ou sex apeal gratuito
Os mestres estavam em férias
Atendente hermafrodita passa pano engordurado no balcão
O mesmo que seca os copos
E garante o gosto típico das bebidas
Pote com ovos cozidos adormecidos eternamente
Madrugada avança como um doente no hospital
A espera do amanhecer
Fervilham esperanças silenciosas
Mais um gole na cerveja
Para matar o verme dentro de mim
Estamos sempre matando algo
Mas que eu queria, em uma noite sem estrelas?
Queria um pequeno show
Destas coisas que amo
Gente fora dos trilhos
Cabelos desgrenhados ao vento da primavera
Beberia lagrimas verdadeiras de vez em quando
Mas pela porta não entrava ninguém
Hoje o vampiro voltaria com sede pra casa
Teria que dar um jeito
Olhei a hermafrodita com segundas intenções, sorri idiota
Ela fecha a lata, e as esperanças escapam pelas frestas da porta
Tudo bem
Ficarei tranquilo com uma boa punheta em minha cama
E adormecerei feliz e molhado
Gosto assim
E o melhor
Acordar melecado e um pouco suado com aquele cheiro fantástico matinal
A cerveja termina as 02h47min da manha
Junto meus panos de bunda e ganho a rua
A noite continuava sem estrelas
Mas eu fiquei feliz
Afinal nem tudo é sempre uma noite que rasga amor
Meu coração batia devagar e tudo estava tranquis
Respirei e cambaleando voltei pra casa
Porra
É impossível dizer o quanto me sentia bem
Um anjo adormecido abraçado as divinas tetas

Luís Fabiano.