Pesquisar este blog

segunda-feira, outubro 31, 2011

Poesia Fotográfica...







Enterro parte 1


Morrer não é fácil...

Nos raros momentos de cisão em minha vida, tento manter uma normalidade comportamental, quase estudada. Confesso que é difícil. Não observo a existência sob o mesmo prisma dos que me cercam. Não digo que seja melhor ou pior, não sei, apenas diferente creio.

Temos uma imensa dificuldade de traçar fronteiras do pior ou nos inspirar os afagos do melhor, do sonho, da beleza daquilo capaz de encantar ainda que seja por um breve instante, brilho de estrela... um breve instante é tudo que temos na vida.

Então, lá estava eu no enterro da minha vó. Decididamente morrer é foda, de qualquer jeito que aconteça. Lidamos muito mal com a morte, porque lidamos muito mal com a vida. Então esse drama feito de desenlace, é sempre fulminado e nos coloca a prova.

Cheguei ao velório muito tranquilo, olhei bem o corpo de minha vó ali estendido na urna... um corpo vazio... a forma que perdeu complemente o sentido de ser ali... a roupa gasta que a velhice consome e que a morte liberta. Mais uma vez... afinal que é o melhor?

Olhei-a bem... ela parecia tranquila... parecia dormir suavemente. Uns consolavam os outros, e eu era um ET ali. Ninguém conversava muito comigo. Temem alguma coisa, temem a minha estranheza, temem o que desconhecem.

Mas vesti a minha capa de simpatia emulada, em plasma de emoções diletantes do momento. A fragilidade, a dor, as lagrimas e por detrás o sentimento que um dia será sua vez... sabe-se lá quando? É isso que as pessoas se cagam de medo... é isso... puta que pariu pensam... quando será a minha vez ? Afinal, a morte não tem compromisso com nada... nem idade... nem cor... nem sexo... nem condições financeiras... é isso morre-se.

Meus tios conversavam fora da sala de velório, um assunto instigante: onde se pode conseguir um bom cabrito assado? Ou então capincho? Uma boa carne de tatu? E então javali? Sim... javali é feroz, ataca em grupo, bicho filho da puta...

Tudo isso entre risadas. De certa forma aquilo me fez sentir a vontade... bom saber que existem outras pessoas sem noção por aí... me tornei muito simpático. Naquele instante o funeral converteu-se em algo em um evento.

Parentes desconhecidos chegaram... e creio que esta foi a parte melhor. Tenho parentes que não conheço, belas mulheres alias, vestidas sobriamente, negras lindas com bundas fantásticas. Sou um bundófilo profissional como já me batizaram. Pensei em tirar um foto, mas devido as circunstancias, achei que não seria possível. Seria bizarro demais ?

Era melhor evitar uma falta de respeito explicita. O ser humano é estranho. Ali no lado de fora, todo falavam todo o tipo de merda, até que finalmente o assunto derivou para mulheres. Temos este misto de um respeito adquirido, como um molde deformado de uma realidade imposta, porem em nossas entranhas mais profundas somos muitas vezes bem diferentes. Ainda bem que não somos telepadas. Ler a mente alheia seria uma merda, existem pensamentos que disfarçamos até mesmo de nós mesmos... mas que quando solitários em nossa câmara de desejos e fracassos, não temos o menor pudor de pensar em detalhes.

O único lugar que podemos alçar asas de liberdade profunda, é na mente. No restante é preciso disfarçar mais ou menos bem. Mas existem aquele que são autênticos por natureza, geralmente não gostamos deles. Expõe as vísceras humanas, a mente aberta tocando um megafone em alto volume, então temos uma definição aprisionante para este tipo. Deixemos os pensamentos intestinais no seu lugar, não o coloquemos na mesa do almoço... não... não.

Então uma prima distante apareceu. Criatura fantástica, estava comovida mas não sei até que ponto. Pois afinal ela não tinha muito contato com a família. Aquilo foi bom. Ela vinha com aquela expressão meio triste, meio simpática, meio estranha... abraçando a todos os desconhecidos. Olhei bem para os seios dela, não disfarcei. Sorri entre dentes, levemente e pensei: boas tetas moça... talvez sua melhor qualidade.

Ela vem ate mim, me abraça... abraça forte...oh Deus...que bom. Quando olho novamente os seus seios depois dos pêsames, vejo que os bicos estão duros, marcando por cima da blusa. Afinal tudo não é tão mal assim. Esse sou eu. Um canalha sofisticado, de emoções que revoluteiam como um pássaro ferido, que tenta chegar ao ninho, as vezes sangrando, as vezes feliz. Não luto com esses pensamentos, não envernizo nada, não emolduro nada.

Não a vi mais depois.
Mas como uma sensação que se mescla ao pior do ser humano. Aos pouco alguma coisa foi me pegando, a exposição a dor alheia é uma espécie de infecção. Você olha distante a principio, e então como galhos de aço, um arame farpado, aquilo vai te envolvendo, enrolando... afinal eu não sou de matéria plástica, embora pareça.

Nas horas finais da despedida derradeira, a pastora rezava, e sua voz desafinada, mergulhava em mim... meu pensamento voa em direção ao passado... morrer é foda...morrer é foda... então lá estava eu, um barbante engomado distendido entre o passado da morte de meu pai...e no presente diante de minha vó. Engoli em seco, enquanto meu coração descompassado, tentava ficar em paz...

Por fim tudo termina. O cortejo segue até o buraco na parede onde ficaria os despojos de minha vó. Os sons ganham magnificência, os tijolos em notas agudas, a colher do pedreiro raspando no cimento, o cimento de secagem rápida, tijolo a tijolo lacrando o corpo para sempre... olhos que nunca mais verão aquele corpo.

Numa dor aguda, tentamos nos agarrar a alma... porra é preciso ter uma alma... a natureza faz sua cena, procure um pouco de paz...mas e bom ter na mente que tudo que temos é o instante... este exato instante.



Luís Fabiano.

domingo, outubro 30, 2011

Momento Boa Música

Rihanna - Rude Boy




Pérola do dia :


“ Essa é a vida: enquanto um fodem...outros se fodem.”


Luís Fabiano.

sexta-feira, outubro 28, 2011


Navalhadas Curtas: Sebo rugoso sem vida


As vezes não sei o que dá na cabeça de algumas mulheres. Também não faço muito esforço para compreender, a excessiva dramaticidade das felpas emocionais. OK, cada um é como é... você não precisa esquentar a cabeça, aceite na boa...toque a vida...

Foi então que Fabiola, uma de minhas amigas, boa de papo e de fodas violentas, arrancou a camisinha de minha morcilha engordurada, de cabeça flamejante, e gritou:

-Agora tu me engravida, neste minuto seu filho da puta... quero agora...já...ok? Faz... faz...
-OK – eu disse.

E mandei ver na foda. Uma interminável transa, dando algumas ejaculadas no seu útero estreito e nos seus lábios imensos, tentando acertar o buraco premiado. A noite transcorreu rápida, como uma nave espacial de gritos, gemidos, sussurros e muitos palavrões... gosto deste estilo mais animal.

Mas nada aconteceu, foi um esforço físico tremendo, muito suor, muitos líquidos e cheiros fantásticos, mas o filho não vingou... que merda, isso foi pura porraloquice, tudo bem, eu curto...

Luís Fabiano.


Violência Gangrenada

Ela sai da toca quando menos esperamos
Abocanha-nos a alma
E nos lança em um berço maldito de medos possíveis
Uma cobra enrodilhando-se na presa frágil
O escuro criando vida
Animando o lamento

Choram crianças nas esquinas
Espalha-se a dor pelo vento
Mesmo vento que poliniza as plantas novas
Que faz as rosas nascerem
Regadas pelas lagrimas do mundo e orvalhos distantes
Tudo se espalha...

Espalham-se as tripas, a vísceras , o sangue
A merda, o medo, o porquê, a razão
Não sabemos nada
De onde estas mandíbulas afiadas vem
E quando farão seu show novamente
Uma obscenidade requintada de horror

Vidas que mudam drasticamente
Vidas rasgadas pelo meio
Historias que atalham para o fim sem brilho
Velas nas encruzilhadas tentando iluminar as ruas
Uma chama que balança
Testemunhas de Deus
Algodão dos anjos

Não sabemos quem é quem
Mas nossas mãos não estão limpas
Culpas dançam um tango em nossas entranhas
E o medo diz que um dia é a nossa vez
Isso tudo é um acerto de contas
Que a natureza das as cartas
Fique esperto...

Luís Fabiano.

quinta-feira, outubro 27, 2011

Momento Mestre

Nelson Rodrigues - A vida como ela é...

- Viúva Alegre –




quarta-feira, outubro 26, 2011

Minhocas Flamejantes – Esperanças de Vidro


Ver sua face me causava enfado. O tempo não fora generoso conosco, como não é com ninguém, ao menos quando não se consegue burlar este esquema. Disfarçar o inevitável.

Nem sempre foi assim, esse maldito jogo da vida faz isso maquinalmente, você querendo ou não. Você precisa apegar-se as poucas felicidades que tem, e se achar que vale realmente a pena, alimente-a bem, sopre esperanças para dentro dela e acredite com todas as veras da alma que é possível. É o único jeito.

Mais ou menos é isso a vida. Um contentar-se com o desgaste, um elogiar a ferrugem, a velhice, o desgaste fatal das engrenagens, a capa trançada que se estende para a morte dia após dia.
Também, mas no fim sabemos que nada é completo, pleno só acontece se formos plenos.

Então não há muito porque de apegar-se a nada. No fim, tudo é provisório mesmo. Você é provisório, seus carinhos são provisórios, as merdas cagadas de toda a sua vida, todos os rabos maravilhosos que você comeu também.

Silvana havia se tornado isso para mim. Onde teriam ido parar, aquele olhar brilhante? Onde estariam aquelas pernas com meias 7/8, que se tornavam a porta do paraíso?
Realmente não sei. Vermes do tempo haviam carcomido tudo... porra. Não estou atrás de culpados, sempre existem milhões de respostas possíveis, basta escolher uma, porque não faz diferença.

Que merdas encantadas fizemos um ao outro? Não faz diferença. Na verdade, não há culpado algum. Vamos culpar o sol que torra as tenras plantas sem chuva? A chuva por chover demasiadamente aqui e não lá?
Quem disse que a natureza é legal?

Lembro-me disso assim, pedaços de uma dor silvando como um míssil, sobre um abismo, um paraquedas de chumbo pronto para decolar. Não há culpa, como não há fantasmas, nem tão pouco é uma dura visão da existência, ou você é tão inocente assim? Se for, não deveria estar lendo esta merda!!

Não tem nada errado com nada. Já estive no meu próprio tribunal, fiz um esforço sobre-humano para sentir-me culpado, puta que pariu, não consegui. Nem mesmo a ponta de arrependimento, faria a merda toda novamente, apenas mais refinado, alias todas as merdas novamente. Sorri como um canalha eleito de Deus! Afinal ELE não ama a todos indistintamente? Bom negócio esse de amor universal, uma boa maneira de dizer silenciosamente: se fodam vocês, EU estou aqui!
Onde a merda entrou em nossas vidas? Não importa.

Gosto das visões, as janelas que me debruço para apreciar a vida, a maneira como enxergamos as coisas de uma forma difusa, entremeando nossas vontades no plasma da realidade, criando moldes de vida, entre as paisagens que se desdobram diante de nos.

Quando olhei Silvana a primeira vez, era uma explosão de desejos. Não sei se os desejos deformam as coisas, talvez... sua boca linda... lábios de uma textura macia, ali eu via uma imensa xoxota sem pelos, uma xoxota que falava, que dizia poemas antigos, que lambia meu pau e que sorria as vezes, uma xoxota que mudava de cor, ora rosa, outras vezes de um vermelho dilacerante e outras com brilho de estrelas longínquas... isso era o que via.

Não tem com separar as vontades famigeradas, da admiração profunda que sua beleza e emoção despertavam em mim... bela visão, confusa como uma verdade provisória, que vai se desnudando com o tempo... despindo a merda toda, e por vezes convertendo-se em nada. Os nadas de nossas vidas.

Quando olhava suas tetas grandes, mergulhadas naquele decote desafiador, era como se tivesse vendo sua bunda... gosto de bunda... decote apertado, empurrando os seios em direção aos anjos, e tudo fica tão próximo, a xoxota, a bunda... a boca... os olhos, minha loucura, o seu amor, o desejo de mergulhar com ela em direção ao abismo... como separar tais movimentos da alma?

Como achar a fronteira de uma fria da razão, quando carregamos uma orquestração de vida dentro de nós?
Vida bela, vida horrível, culpas rastejantes, saudades que voam, merdas grudadas aos sapatos, um pau que se nega a ter asas, uma xoxota desértica, abandonada e velha, os pedidos intermináveis ao Criador de tudo, para que nos salve...que nos mate...que nos abrace.

Tudo isso se passou em um átimo de segundo quando olhava com asco para Silvana, um asco frio, sem cálculos, uma fuligem restante daquilo que fomos... talvez fosse a hora de sorrir como um louco... deixar as malditas lagrimas feitas de metal para trás... deveríamos descomplicar tudo... deveríamos tantas coisas.

-Silvana games over...
A porta bate.


Luís Fabiano.


terça-feira, outubro 25, 2011

Sadismo nas asas Ceifadas



Sadismo nas asas Ceifadas

Dentes afiados de tesão
Uma raiva carinhosa
Esperanças de papel
Minha agressividade ecoando em um templo vazio
Tudo parece em perfeita ordem as vezes

Sinto-me em uma caverna velha
Enquanto tento acender a chama de meu coração
Amor, esperança e alguma felicidade
É preciso muito esforço
Nem sempre da certo
Tudo que escuto
São os gritos selváticos deles
E os olhos inquietos da mulher solicitando
Que o couro desça com mais força

Ficamos jogando assim essências
E o amor estende suas ramificações mais finas
Aproximando os desejos grosseiros a alma
Filtrando as dores através do chicote, do cinto, do querer
Das palavras mais doces
Favos da verdade brilhando em uma placa luminosa

Hoje eu não queria bater nela...
Mas sentiu-se ofendida por negar a porrada que ama
Por não dar o que deseja nas tramas de sua sombra
Suspeitou que o amor tivesse acabado
Quando não alimentamos mais as dores do outro
Para depois lamber novas feridas criadas
Alguma coisa esta errada

Mas tudo voltou a ordem rapidamente
Quando entre gemidos lascivos
Lagrimas espremidas
A paz abençoava os vapores do instinto
Podíamos sentir no éter permeando a vida
O encontro daquilo que era nosso pior
Ganhando asas para voar
Sobre nossos abismos em chamas.

Luís Fabiano

segunda-feira, outubro 24, 2011

Poesia Fotográfica...



Decisões, maldições e um pouco de merda

Quando ganhou a rua, a porta que se abriu explodindo seus piores pesadelos, aquela liberdade claustrofóbica das ruas, a solidão causava pavor, medo e uma sensação de espaço ilimitado. E nada para agarra-se.
Que faria?

Malditas liberdades que nos tornam cativos dos fantasmas que habitam nossas entranhas profundas. O não saber o que fazer.
Então como um naufrago é preciso agarrar-se ao que é possível. Raramente procuramos as respostas mais difíceis. Temos uma predileção pelo que é fácil, comum, esperado e nada original. O caminho que todos seguem é tudo que queremos, sem desviar um centímetro.

Não achava a historia de Cesar grande coisa... afinal quem não faz, fez ou fará merda na vida? Detesto ver homens arrasados por causa de mulher. São piores que cachorros abandonados. Sentados no bar do Paulo, um boteco de quinta, bebendo e falando dessa maldita liberdade que lhe fazia tão mal... acho que definitivamente não sou bom para conselhos. Tive mulheres demais, terminei relações demais, me endureci profundamente, e acho que este estado é uma boa pra mim. Deixa-me mais paz. Nada de amores arrasadores, isso é uma merda, nada de paixões sem freio, nada de sofrimento sem sentido e modorrento como leite qualhado. Não preciso disso, já sei como é.

É sempre a mesma merda. Você precisa aprender a sentir as coisas, a sentir tranquilamente e saber fazer a entrega deste sentimento mesmo sabendo que irá se fuder...hoje ou amanha...é natural, é a natureza. Quando você aprende o segredo, você tá pronto para começar a ser feliz. Mas isso não se ensina. É se ferrando dia após dia que se aprende.

-Cesar, você queria ser livre e esta... agora chora por saudade daquela vagabunda?
-Oôo Fabiano... não é vagabunda...não fala assim não...
-Cesar, vá tomar no cú... vai dar uma de passional? Desculpe a sinceridade Cesar, tu és um merda...

Cesar meio bêbado de cachaça, com saudade de Fernanda... era um elefante sem noção. Eu estava sem paciência. Não são todos os dias que gosto que meu ouvido seja penico. Afinal a ideia da separação foi dele. Fernanda apenas aceitou sem crise. Gostei dela, elegância emocional. Comeria a Fernanda. Era um tipo interessante, leve como uma gaivota, sorria com facilidade, usava bons decotes, e sua boca parecia uma vagina com dentes. Mas acho que era melhor não falar isso para Cesar.

-Eu sei... mas agora ela não me quer mais...
-Duvido que você se quisesse também Cesar... mulheres não gostam de frouxos...
-Mas eu não sabia que iria sentir tanta falta dela... foi no impulso...
-O melhor que você tem a fazer cara é se dar um tiro...

Sempre dou estes conselhos. Até hoje ninguém fez, toda a passionalidade tem limites afinal. Matar-se e deixar uma carta para impingir culpa na pessoa que fica, a responsabilidade por uma morte, ela não se consumirá de amor... mas de dor e culpa. Mas acho que no caso de Cesar, será apenas esquecimento.

-Não vou fazer isso cara, é besteira...
-Então o seguinte, vamos visitar umas putas... e lá você chama a que te agradar de Fernanda, trepa com ela...e depois paga e por essa noite tudo estará em paz.

Houve um silencio. Normalmente eu fico quieto, não sou bom de conselhos como já disse. Mas Cesar estava um saco, e nem ao menos era meu amigo. Um conhecido amigo de um outro amigo...

Fui ao banheiro, chego lá e uma surpresa, uma travesti no mictório, mijando em pé na trilha do mijo, muito caracterizada, erguendo um pouco a minissaia, seios grandes... fui mijar e vi que ela dava uma olhadinha para o lado discreta... queria ver algo... não tenho um super pau, pau normal. Fiquei na minha. Ficamos lado a lado.

Por um momento pensei em dizer a traveca que fosse à mesa e ficasse com Cesar. Mas era melhor eu cair fora. Chega um dado instante que é preciso jogar carga ao mar, para que o navio ande um pouco melhor. O papo com Cesar não iria leva-lo a lugar algum, ele era uma Madalena arrependida, que fosse até a casa de Fernanda e lambesse seus sapatos, que bebesse de sua urina e comesse de sua merda... e fosse feliz. No final é apenas isso que importa.

Sai do banheiro e passei pelo outro lado, deixei o Cesar ali com sua cachaça. Não sentia drama algum. É preciso entender, a natureza não arbitra em sentido de piedade ou punição. É preciso tomar uma decisão e não olhar para trás. É assim que faço, não tenho espaços para arrependimentos, culpas ou transtornos. Jogo ao mar o que fica demasiado, e vou vivendo um dia de cada vez... como um ex-viciado...ex-alcoolatra ...hoje eu não...

Luís Fabiano
Pérola do dia :

“... agora penso que ela fez bem. Só uns poucos eleitos conseguem viver fora do curral .E é muito difícil encontra-los.”

Pedro Juan Gutierrez.

domingo, outubro 23, 2011

Áudio Poema

- O que tem a oferecer -

Poema e voz – Luís Fabiano.


sábado, outubro 22, 2011

Navalhadas Curtas: Ciúme Feliz...



-Porque tu não sente ciúme de mim?
-É um sentimento que não vale a pena...
-Então tu não gostas de mim?
-Deus... nada disso...gosto sim...apenas tento não cultivar as mesquinharias ...
-Mas eu queria que tu sentisse ciúmes... um pouco... eu preciso...
-Eu não sinto... nunca senti por nenhuma mulher minha... é minha natureza...
-Não entendo o amor assim... pra ti todo mundo é igual... então...
-O contrário, ninguém é igual... eu apenas não sou inseguro ou egoísta... não quero a posse de, ninguém... é preciso saber viver os bons momentos da vida... no coração humano os sentimentos estão tão próximos, que confundimos as coisas, ciúme com amor, insegurança com egoísmo, verdade com mentira...é o pouco espaço pra respirar...
-Eu não me sinto feliz assim...
-Felicidade é foda... alias que é felicidade? Hein? Ela virá amanhã? Há,há,há...

Luís Fabiano.

sexta-feira, outubro 21, 2011


Parte 2 Final

Sexo, drogas e rock in roll

…mais e mais, aquele canhão de porra, o desgraçado realmente estava adorando aquilo. Não sei exatamente qual parte, se de me humilhar ou de forçar a fazer algo que era o berço de sua devassidão.

A esta altura do campeonato, eu estava completamente excitado. Enquanto Marcela narrava com alguma emoção, aquela historia picante da crueldade humana. Já tinha me esquecido que era um estupro. Whisky e uma historia tornam possível comer até mesmo um mamute femea... se por acaso existissem é claro.

-Então ele desfaleceu, exaurido, parecia que havia saído toda a porra do mundo por aquele cara. O outro continuava firme, louco, alias mais louco pelos urros do parceiro, pelos meus gemidos de pavor. Os dois dedos na xoxota me doíam muito, estava me mijando de medo... então o outro que ainda estava ereto teve uma ideia brilhante... malditas ideias inspiradas pelos demônios... porque ninguém passou ali naquela hora? Eu tava sendo comida por dois caras nas ruas de Pelotas, ninguém passou? Tu não achas que as vezes a vida é uma merda completa??

-É Marcela, as vezes as coisas tristes acontecem em silencio, mudas, completamente apagadas diante de outras coisas, e não tem muito o que fazer... não há...acontece e já era...olhando friamente Marcela, tu és uma vitima... apenas uma vitima de milhares que existem pela humanidade... não estou diminuindo a tua dor, apenas acho por exemplo, que existem estupros informais...longe de nossa realidade...que ninguém se importa...por exemplo, quando você perdeu o sono, porque 40 mil crianças morrem mensalmente na África? Crianças que não fizeram nada a ...a ninguém...que apenas nasceram em uma porra de pais...e que a humanidade também não faz absolutamente nada... essas proporções do mal são gritos enfeitados... em um silencio que não abala nosso conforto...não perdemos o sono por isso, como não perdemos o sono por muitas coisas...é preciso que as coisas choquem...e as vezes funciona... por um tempo.

Marcela me olha com alguma indignação, acho que não era essa exatamente a resposta que esperava... que eu tivesse do lado dela, talvez? Creio que não. Eu estava movido mais pelos meus instintos e o whisky, já estava com vontade de eu mesmo come-la... mas não a força...naturalmente, fazendo-a lembrar-se desse passado denso.

-O cara excitado, me ergue, e rasga a minha calcinha, sem avisar mete aquela merda no meu rabo a seco... fez um som como alguma coisa se partindo...um osso...ou um pequeno peido... tentei gritar... mas a mão de ferro dele foi mais rápida...ele enfiou umas duas umas sete vezes e teve uma ejaculação brutal dentro de mim.... me sentia uma égua empalada... quando ele tira aquilo de mim, porra... sangue e merda...no chão e em cima dele... sinto-me sem forças... e caio no chão...os filhos da puta vão embora...entre risadas, comemorando o premio. Fico deitada no chão um tempo, tentando me recuperar. Acho que adormeço. Mas eu queria era morrer... por fim consigo me erguer e volto pra casa. Nem taxi, nem pessoas, nem amigos... nada. A solidão aquele dia tava foda, cantava sua sonata refinada de terrores, mas eu estava viva...

Gosto de historias picantes. Creio que todos gostamos é da natureza humana o prazer, o sexo, somos todos muito mamíferos não e mesmo... pedi licença a Marcela e fui no banheiro, claro que não foi pra mijar. Sentia-me bem louco, devasso... gozaria em alguma coisa dela...tive sorte. O cesto de roupas sujas, achei suas calcinhas pretas, rosas, brancas... perfumadas do seu cheiro intimo... mijo...merda...e sucos vaginais. Realmente gosto disso. Sentia-me selvagem, um cavalo excitado... fiquei ali uns cinco minutos e gozei abundantemente em suas lingeries. Venho me tornando pior. Mais bêbado, mais devasso, mais feliz, mais louco e as vezes mais em paz.

Volto para sala e Marcela enxugava algumas lagrimas de uma dor passa, que já deveria ter sido extinta como os dinossauros. Aquilo nem combinava, para ser sincero. Ela contou detalhes precisos de tudo aquilo... coisas femininas...prolixa...e colorida ao extremo.

-Quando cheguei em casa, ainda não acreditando que no tinha acontecido... comigo...milhares de vagabundas por ai...e tinha que ser eu? Tomei um banho longo... me escovei varias vezes clássico efeito, o meu cuzinho aguentou bem, saiu um pouco de sangue, estava dolorido mas bem...iria se recuperar... coloco Handel o Messiah a musica vai entrando em mim... adormeço no sofá...um pesadelo que acaba.

Fiquei em silencio, me sentia cansado daquela historia, não entendia o porquê ela havia em falando tudo aquilo, alivio do próprio lixo? Pouca gente divide conosco as felicidades da vida...tudo são problemas...e quem não os tem?

Meu coração roubado, as feridas reabertas, dores feitos laminas agudas impiedosas riscando a alma bêbada, a procura de alguma satisfação. Marcela termina sua opera, estamos cansados, nada vai acontecer hoje...melhor assim. Estranhos que compartilham encruzilhadas onde a trilha da vida anda...

-Marcela é tarde...vou embora...
-Tá... acho que chateie não é?
-Nada não... esquece.

Despedimos-nos como amantes que não se suportam mais, confessos nos pecados que a cada um ergue ou soterra... como o estupro de Marcela, ao menos eu estava um pouco satisfeito. Satisfazemos-nos sempre isoladamente mesmo quando jungidos no amor mais profundo, ali onde tu estas, a solitude é indesviável, é você e apenas você.

Luís Fabiano.


quinta-feira, outubro 20, 2011


Navalhadas de um Mundo Deformado: Ardil da Liberdade


Cansei de sua fealdade, cansada, sombria, taciturna, olhos de morte.
Estávamos na leva final, estertores agonizantes, de um passado algo bom, como nossa infância. De um presente inexistente. Não se pode ser assim a vida.
Agitar bandeirolas prateadas do que se foi, tentar animar o velho cadáver bichado, nos sorriso de outrora. Inflando esperanças como uma bomba artificial...
Tudo tem seu outro lado.
Aquela disputa de egos feridos, emoções calcinadas e palavras de aço, de alguma forma me faziam bem. Tornava minha carapaça mais rija, refinava o meu fio letal, aprumava os meus sonhos possíveis, e reduzia a ilusão a nada. Gosto disso.
Debora, eu não te odeio ou tão pouco amo. Debora tu não és mais nada. É o resto sugado de uma paz galopante... tão distante.

Quando em branda luz
Carcome o verme a planta tenra
Nos suspiros da emoção
Nas lagrimas da devoção maldita
Na entranha extrema flor da alma
Rebrilha uma chama tremula
Ponte de esperanças
No breu de nossas alucinações doentias
Em fragmento entremeados da baba de Deus
Benção da chegada
Descoberta das culpas mais frescas
Verme que morre lentamente
Abrasado por seu próprio e terrifico desterro
Fealdade.

-Então tu vais embora – Diz Debora...
-Sim, este poço já esta no fundo...
-Uma resposta pronta, para sentimentos embalados a vácuo...
-Errado Debi, sentimentos evacuados...
-Uma piada até quanto tudo esta na merda...
-Aprendi a rir de mim mesmo, sou o patético adoentado, o louco, a porra louca...
-Não te conheço mais Fabiano... não te conheço ( lagrimas...)
-Nem eu. Mas não banque a preciosa... tenha culhões Debi, como esse pedaço de merda com alguma dignidade...
Aquele silencio romperia átomos, tornavam o som das moscas insuportável, moscas de um dia quente, de um inferno presente, chagas do inevitável abertas para o universo.

Perder, perder-se
A flor afável convertia-se em planta carnívora
Devorando minhas bolas
Como se tivéssemos fundidos
Útero e pau, xifópagos das almas em guerra
No caldo amargoso que engolimos
Desponta a trilha luminosa
De plácidas criações ainda voláteis
Mergulha na liberdade dolorida
Para que tuas asas cresçam fortes
E no ninho do teu coração
Este pássaro cresça e voe... voe...
Voa comigo...

Luís Fabiano.
Poesia Videográfica...


quarta-feira, outubro 19, 2011

Pérola do dia:


“Não desejo encontrar a plena satisfação de nada. Nem a gozada final. Estar plenamente satisfeito, é estar a um passo da morte, uma paz retorcida.”

Luís Fabiano.
Parte - 1


Sexo, drogas e rock in roll

Por vezes sinto meus dentes crescerem, dentes que terminam por ferir a mim mesmo, um autoflagelo sem imposição, como mero resultado natural da orquestração de meus instintos. O tigre aquietado e faminto na escuridão. Não invento nada, fluo, desfruto e engulo as manifestações que a vida me propõe.

Uma célula, mesclando-se a outras, sendo infectada e se curando das moléstias da alma, detritos siderais iluminando as noites, ganhando nomes translúcidos, alimentando sonhos, embalando poesias românticas.

O balanço infernal, que se embala em um abismo desconhecido do si. Por vezes sinto-me assim: sórdido, imprestável e orgulhoso de minhas disposições, para ver minhas próprias feridas sem anestesia, e arrancar-lhe a casca, como uma criança, então começar tudo de novo, novas feridas, e uma nova brincadeira e sabe-se Deus o que mais...

O telefone toca, interrompendo minha filosofia barata e masturba tória. Tenho horas para pensar em minhas merdas, de brincar com minha própria bosta. Não lembro, se quando criança comia meu coco, creio que sim, isso produz bons anticorpos.

Lembro que quando tinha sete ou oito anos eu brincava com a bosta de cavalo que ficava na rua. Jogávamos uns nos outros, entre risadas cagadas... penso hoje como as crianças brincarão com tal coisa através de um game !? Foda-se.

O numero que brilha no fone é de Marcela. A problemática Marcela. Conhecemo-nos na noite, em bares malditos onde presas e predadores entoam hinos de desgraça e solidão ao som de estrelas diluídas:

-Diga Marcelinha...
-Fabiano... to precisando conversar... muito...
-Vai falando... então...
-Não, precisa ser ao vivo... e a cores...vem mostrar pra mim estes dentes...

A voz dela estava alterada. Ela é daquelas doidonas que tomam antidepressivo com álcool, que transforma o organismo em uma sanfona louca e desafinada, a peidar e bufar...

-Ok Marcela... tudo bem...chego em treze minutos...

Não pensava em Marcela. Eu não tinha nada de útil para fazer. E às vezes a vida é assim. Temos um tropismo para nosso próprio umbigo. Raramente algo é feito em favor do outro. Damos-nos ao outro, mas com o fito de conseguir algo. Seja o que for, xoxota, piroca, drogas, dinheiro, carinho, bebidas um abraço em silencio... na porra da vida tudo tem um preço. Em nossa ignorância, o preço é caro demais. Nem asas libertas, nem por do sol romântico, nem cometas riscando de esperança o céu....

Chego a casa de Marcela, que me recebe de sutiã branco e jeans rasgada nos joelhos. Os olhos dela pareciam duas bolas de tênis verdes. Não é uma mulher bonita, no sentido estético formal. Meio coroa, tetas flácidas como velhas passas sugadas, um cabelo muito negro, uma boca rasgada com eterno hálito alcoólico:

-Então negão... vieste...finalmente ao meu humilde lar...és uma raridade...

Dentro da casa o cheiro de sujeira, incenso barato e algo azedo que desconhecia.

-É Marcela, mas já que você começou a jogar desde cedo né...

Uma garrafa de whisky, abaixo da metade sobre a mesa, a televisão ligada no silencioso e Pink Floyd tocando Animals de fundo. Ual, aquilo era um hino de amargura e curtição. Sentamos na sala, servi um pouco daquele whisky vinte e quatro anos.

Velhas amizades com putas deixam tudo mais a vontade. O whisky desceu redondo, se ela não tivesse nada e útil a dizer, ao menos eu havia visto uma velha de sutiã, e tomando uma boa bebida. Preço tava pago.

-Eu to muito triste hoje Fabiano...
-Por quê?
-Tava lembrando de umas coisas aí... acho que tais coisas marcaram minha vida eternamente...
-É Marcela, temos dúzias de coisas que marcam a vida, lembra o Zé Ramalho... vida de gado, tu sabes como é, “povo marcado êee, povo feliz..
-É verdade, mas eu não to feliz...
-Puta que pariu, qual é Marcela, abrir velhas feridas, arrancar a casca cicatrizada de um passado é se auto-foder com uma piroca feita de arame farpado...

Ela não rí. Tenho piadas ótimas, mas as vezes nada acontece. Detesto drogadas mal humoradas. Gosto de bêbadas putas, doidonas sem freio e felizes, gosto quando estão dispostas a um strip-tease... mas naquela noite, minha noite estava ferrada.

-Tava lembrando de um estupro que sofri...
-Sei Marcela... mas porque ? Foi recente?
-Não, faz uns dez anos ou mais... eu tinha 46 ou 48 anos...
-E porque se lembra disso agora?
-Nunca contei pra ninguém. Senti vergonha, humilhada, mas uma mulher sozinha você sabe, ninguém iria dar bola mesmo, ainda mais no local que eu estava... então me fodi duas vezes...

Eu olho o relógio. Aquele cheiro azedo, me incomodava um pouco mais, a geladeira talvez algo estivesse podre lá, o era o ralo? Ou Marcela?

Levanto e sirvo mais uma dose forte daquele whisky. Volto para o sofá e Marcela vomita lentamente, um vomito cozido e cremoso de lembranças amargas, parecia usufruir de sua dor... masoquista, as vezes respeito isso:

-Eu tinha saído de uma festa sozinha, as três da manha, uma festa particular, mas ninguém dava atenção a ninguém, sabes como é, aquelas festas de tudo liberado... entende né tudo...
-Sei.
-É, e nas imediações do porto tinha um terreno baldio e escuro. Passei ali na frente mesmo sabendo que algo podia acontecer... e aconteceu. Do nada saíram dois caras, pareciam alucinados os putos. Não me lembro da cara deles, um branco e outro negro... apenas que me pararam e com mãos muito fortes, me empurram para o canto escuro do terreno, segurando meu pescoço quase asfixiando... dirigiram minha mão para o pau deles... aquilo não era um pau... era uma trolha gigante...um canhão. Senti que estava fudida mesmo...

Não preciso dizer que a partir daí comecei a achar a historia digamos curiosa... talvez eu tivesse que usar o banheiro dela depois...

-Fiquei paralisada, fiz o que me pediam. Então os dois tiraram para fora a piroca, e eram realmente muito grandes, se aquilo entrasse em mim, iria me rasgar total, eu sangraria ate a morte, eu tava com medo de morrer... medo da dor...medo que perfurassem meu útero... então fizeram eu bater uma punheta interminável para eles, um deles empurrava a minha cabeça para colocar na boca, mas não entrava... eu me engasgava com a piroca...

Neste instante eu já estava viajando na cena... eu gozaria em seu banheiro, deixaria minha porra ali no chão, talvez sobre alguma calcinha suja dela... era isso que pensava...

-Então, eles meteram a mão por debaixo do meu vestido, tinham mãos geladas, e o cheiro deles...álcool...maconha...e suor forte... meteram dois dedos na minha xoxota, então lembrei que se eu não relaxasse as coisas poderiam pior...( não sei quem foi que disse essa merda, de relaxar no estupro... mas era verdade...) eu tava seca, apavorada, eu queria fugir dali...queria matar esses caras...queria arrancar-lhes os culhões...

Eu sentado no sofá, estava como uma ereção, confesso que Marcela naquele instante começava a tornar-se apetitosa. Os malditos dentes crescendo, meu pau crescendo, minha alma inflamando, o corpo maldito corpo, acordando e mesmo que tudo seja pior, as células não sabem disso, seguem a natureza instintiva, as putas das células repetem isso a milhões de anos... determinando nossa vitória ou desterro.

-Então de-repente um deles goza... um monstro, goza como um cavalo, a porra entra no meu nariz, na minha garganta, nos ouvidos, o cara devia ter litros de porra...o gosto acre de esperma parecia estar dentro de mim...tudo cheirava a porra...e ele não parava de ejacular, parecia um chafariz do inferno, urrava, e gozava mais...




Luís Fabiano

Segue...

segunda-feira, outubro 17, 2011

Trecho Solto...

“...Tammie foi pra cama. Se esticou de cara pra baixo. Ainda estava chocada. Daí, rolou pra fora da cama e se estendeu de costas no chão. Agarrei-a pelos cabelos e dei-lhe um beijo selvagem.

-Ôô... que cê ta fazen...

Lembrei que ela me prometera uma grande trepada. Virei-a de bruços, levantei seu vestido, tirei sua calcinha. Me inclinei sobre ela, tentando embocar na sua buceta. Cutuquei, cutuquei - e entrei fundo. Ela tava no papo. Dava uns gemidinhos. Então, tocou o telefone. Levantei, fui atender.
Era Gary Benson.


-Tô indo praí com o gravador. Vou entrevistar você pra rádio.
-Quando?
-Daqui a uns quarenta minutos.

Desliguei e voltei pra Tammie. Ainda tava de pau duro. Agarrei seus cabelos, lasquei-lhe outro beijo violento. Seus olhos fechados; sua boca, morta. Montei nela de novo. Lá fora o sol se punha e todo mundo se sentava nas escadas de incêndio pra apanhar sombra e brisa. O povo de Nova York estava ali sentado, tomando cerveja e refrigerante gelado. Eles iam tocando o barco e fumando seus cigarros. Só estarem vivos já era um vitória . Eles decoravam as escadas de incêndio como plantas. Se viravam com o que tinham na mão.

Fui direto ao amago dela. Que nem um cachorrão. Os cachorros é que entendem do assunto. Era bom esta fora do Correio. Sacudi, surrei seu corpo. Ela tentava falar com a voz embargada pelas bolinhas.” Hank...”, ela dizia.
Gozei, por fim, e fiquei dentro dela. Os dois empapados de suor. Rolei pro lado, levantei, tirei a roupa, fui pro chuveiro.

Mais um foda com essa ruiva 32 anos mais nova que eu. Me sentia bem no chuveiro. Pretendia viver até os oitenta e, então, trepar com um garota de dezoito. O ar-condicionado não funcionava, mas o chuveiro era ótimo. Me sentia bem demais. Estava pronto pra ser entrevistado pra rádio".

Bukowski – MULHERES.


Cinzas, e brasas natimortas diluídas


Gosto dos amanheceres cinzentos... Uma espécie de cinzeiro, o qual Deus deposita seus restos fumarentos, para que a parca humanidade, tenha momentos maravilhosos, daquilo que considera vida. Dias sem esperança, onde o sol faz sua dança macabra de esconde-esconde. Há quem não goste.

Quem entende um pouco da vida, sabe isso que tem nada haver. Pouco importa se o sol esta vivo ou morto. Pouco importa que todos os ventos soprem contra nós, e que tudo seja um imenso mingau de merda, que vamos comendo lentamente... Que importa isso?

Pois em nossa mediocridade, imaginamos as disposições inversas. Nascedouro de nossas angustias e felicidades. O maldito projetar, uma espécie de luz que tentamos incendiar com nossas vontades provisórias, catapultando tudo para o ponto mais alto, tão alto que se torna impossível alcança-lo.

Concluímos que a vida é uma merda. Mas não. Não é o maldito sol ausente que faz diferença. Não é a lua acesa todas as noites, beijando sombras e desfigurando formas em largadas transformações. Não é a porta que bate, cerrando nossas castas intenções ao fúnebre carcomido. Nem tão pouco o amor, que rasgando nosso peito, em egoísmo hediondo, sugerindo sofrimento, castração e a espera do ideal. Nada mais tolo que o ideal. Projetar o ideal é plastificar a existência, em um espelho refletindo nossa própria imagem. Quando tudo tornar-se perfeito, vira uma merda engomada, quando tudo encontra o pináculo, começa a morrer, pois a vida é esta fuga... A fuga para não vida. Mas isso se passa em silencio, enquanto manipulamos os cordéis de nossa existência.

Sempre existe um drama. Mesmo que não tenhamos consciência dele nitidamente. Sempre um verme que se mexe em nosso peito, balançando as fibras do coração. Coração, ótimo se tudo se resumisse apenas ao órgão... Mas ele é uma ponte com artérias etéreas, para alma... mescla-se sangue e siderais emoções, mesclam-se lagrimas e infarto, mesclam-se saudade e ódio entre as sístoles e diástoles do infinito.

Então ela abriu os olhos, e a primeira coisa que fez, foi maldizer o dia. Não tinha planos de dormir com ela, mas acabei adormecendo pelos excessos. Muito sexo, muita bebida, muito tempo sobrando e uma vontade inédita de querer saber onde aquilo me levaria. Sou um navegado ciente do inferno. Eu ainda estava dormindo fingidamente, ela abre a janela repentinamente. Luz cinza nos olhos:

-Puta que pariu – digo eu em formato de bom dia...
-É Fabiano, amanheceu... hora de ir andando...


Comecei a rir. Mau humor matinal, TPM e uma broxada minha as três da manha, boa causa. Andréia havia mastigado a relação sem relação, se encarregando de tornar tudo pior. Tem gente que tem esse talento, saber piorar as coisas com pressão. Mas eu sou o pior. A cada dia chego à conclusão que não tenho nada a perder... eu não perco, porque já perdi.

Isso me torna pior, o calejado modorrento levando porradas incansavelmente, encontrando mulheres malditas e algumas insuportáveis angelicais. Mas normalmente, são como eu. Tem boas intenções, querem manter as boas intenções as vezes:

-Tudo bem Andréia... já to indo...

Tenho um gosto azedo na boa, e no cavanhaque o cheiro fresco da xoxota olorosa de Andréia. Gosto do cheiro dormindo de xoxota, por isso as vezes evito o banho depois da uma boa foda.
Então Andreia, que naquele instante vestia seu pior personagem, vem até mim e dispara:

-Fabiano, olha bem a minha bunda, e me diz, eu tenho celulite?

Eu sou da antiga. Não me importa se ela tem celulite, é manca, falta dentes ou não toma banho. Ela vira de bunda pra mim. Aproximo meus olhos o mais perto possível, mexo em bunda gelatinosa e algo flácida. Aquele era um bom momento para mentir. Aperto sua bunda ate formar umas crateras lunares, com buracos e estrias. Já estava brincando com aquilo. Era quase como brincar com coco. E respondo:

-Tem, um monte...
-Sério?
-É, você tem uns vinte buracos... mas tudo bem...não preocupe-se com isso...
-Como não me preocupar com isso?
-Não brigue, por favor, não pense em perfeição pela manha... isso é uma merda, a natureza sempre vence...
-Porque tu disseste que eu tenho celulite? Que merda Fabiano... tu és um insensível sempre assim... que merda...

Começo a rir, tenho vontade de mijar. Vou até o banheiro, mas pela manha não tenho boa pontaria. Mijo o chão, a parede, o box e alguma coisa caiu no vaso. Andreia gritava no quarto, que iria se atrasar, que era horrorosa, que sua bunda era uma merda.... Parei encostado na porta olhando ela andando de lado para o outro, parecia uma minhoca em um frigideira quente...

Junto minhas roupas e vou indo:

-Andréia – digo eu.
-Que foi?
-Nada não, esquece, até um dia.

Silencio.
Abri a porta e sai. O dia cinza parecia bom. Meu coração batia tranquilo, leve um sereno acariciando as agruras , um afago denso permeando a indiferença da vida, curvando felpas cinzeladas da existência. Respiro fundo, a paz vinha de algum lugar, eu não tinha feito nada para merecê-la. Mas as vezes é isso que se precisa fazer, desligar de tudo, e apenas deixar que o sol apareça quando quiser.




Luís Fabiano.



Marcas no Colchão

Tenho um apego asqueroso
Viga mestra do nojo sentimental
Os piores sentimentos cultivados em cativeiro
Apalpados por nós todos os dias
Como uma masturbação obrigatória
E como tudo que nos cerca
Deixa um visgo de lesma despejado no chão

Aquele colchão falava por suas marcas
Como feridas pela dor, a infecção...
Nada era puro
Não havia marcas da agua batismal
Era o impuro derramando nas tormentas da vida ordinária
Alegrias e tristeza querendo ganhar asas...
No fantástico desfigurado
Das tolices derradeiras

Marcas de porra...
Cerveja...whisky...merda...um pouco do vomito...
Mijo de vagabundas celestiais cuspindo prazer e muco
Em minha ereção desafiando os anjos
Haviam marcas que desconhecida
Manchas que apodreceram em doença brilhantes
Desbotaram e tornaram outras manchas
Mais ou menos como nós
Engolindo o menos pior
Para converter a felicidade na gama visível

Sorri como um louco
Vendo o colchão velho
Palco de tantas fodas e mijadas
O tapete voador
E orgulhoso por estar assim desgastado
As rugas da historia sussurrando
As pregas do rabo misturando-se aos anos...
Ainda bem que ele não é um colchão de freira...
É minha câmara transcendental
Ali o mundo muda
Enquanto aguardo o descanso final.

Luís Fabiano.

domingo, outubro 16, 2011

sábado, outubro 15, 2011



Afogando-se na rasura

Afogar magoa de papel
Entre copos e copos de cerveja
Nada pode ser melhor o pior
Beber enquanto o coração esta dilacerado
Um deserto sem paz
Ao menos um consolo...
A próxima garrafa...a próxima...a próxima...

Meu pensamento viaja na saudade
Nas dobras sensuais de seu corpo
Em detalhes jogados em afiada indiferença
Nas fibras de sua alma
Nos retalhos do abandono
Essa historia de amor é foda...
Enquanto nossos pentelhos se enredam a baba de Deus
Gosto disso...

A tormenta fulminante do desespero galáctico
O berço famigerado que se desfaz...
Nascedouro de rebentos malditos expelidos de minha alma
Pois somente da moléstia calcinante é possível espremer
Fragmentos de algo útil
Como algo que valha a pena

Então tudo fica claro
Com o maldito brilho do sol
No balcão do bar, aparece a outra...
A puta alada das eventualidades
A próxima...
Cometa errante...
O eclipse da merda existencial
Com o rabo mais magnifico que conheci...

Como um vento sem pai
Lança pra longe a tormenta esfacelada da angustia perdida
Bebe do meu copo de cerveja
Como quem suga as minhas bolas
E sorri como a abusada disposta a levar-me
A todas as putas que pariam neste mundo

Esqueço tudo...
Como o volátil aroma das essências nobres
Então começo tudo de novo
Outro porre, outra conversa e outra xoxota...
Bem... onde é que nós estávamos mesmo?

Luís Fabiano.