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segunda-feira, dezembro 30, 2013

MUROS QUE GRITAM



MUROS QUE GRITAM

Tijolo e cimento
Voz e mudez
Música e silêncio 
Os muros gritam... 
Você ouve?
 
   Fio da  Navalha   



Momento Boa Musica



     Momento Boa Música      

Elis Regina - Aos Nossos Filhos

Elis é arrebatadora, nos embarca em sua emoção e vamos com ela. 
Um grande momento. 
Fica  dica a todos para olharem o show dela que esta disponível no youtube.





A espera



A espera

Finda um tempo, com desejos silenciosos aglutinando quase desespero no peito. Aqueles eram tempos bons, tento não ser nostálgico, pois nostalgia é de uma inutilidade barbara. Nada para o tempo, nada espera, e somos consumidos pelo tempo meio que rapidamente. Tu piscas os olhos...e já era...vinte anos.

Mas todo o caso vou lembrar com vocês. Tudo tranquilo se não quiseres ler, pode ir fazer outra coisa.
Cada ser humano carrega suas merdas... eu carrego as minhas também...e você certamente também. Talvez se diga: era mais uma buceta? Mais duas bucetas? Mais três? Mas que merda...nem tudo acaba por ser bucetas. Eu sei disso. Não é assim...

Eu conheci Fátima a muito tempo. Professora, casada e amante da arte. E tudo era tão puro que chegava causar asco. Mas lembro com ternura.
Fatima me deu aulas de teatro... e como sói iria acontecer aos que amam arte...acabamos nos envolvendo. O marido dela... era um extremo esquerda aliado ao partido... vivia na luta extrema, “contra os burgueses”... e Fatima era um céu aberto... respirando sonhos, vivendo uma novela mexicana de péssimo gosto com aquele cara.

Aconteceu o que não deveria acontecer. Nos envolvemos... eu era casado e ela também. O crime une, o crime cria a cumplicidade, o crime compensa. Acho que comecei a ser fio da navalha ali. Minha esposa era opaca perto de Fátima, e não vou falar dela. Tudo que ela sabia era, manter tudo no lugar, tudo hermético e tão certinho... aquilo me irritava profundamente. Mas coisas do casamento. O casamento é feito para você aprender a aturar as merdas da outra pessoa em nome do amor. Definitivamente amor não é isso. Não posso acreditar que seja. E se for...eu prefiro morrer na solidão.

O esposo de Fatima...era duro, respostas ásperas e fodas rápidas. Ele não conhecia a própria mulher. E você será que conhece bem a sua? Sabe os segredos que ela esconde...e sobretudo, você a faz feliz? Pois é... aquele cara tinha uma mulher fantástica... e tudo que ele queria que ela fosse extrema de sua esquerda...mas ela era arte.

Um dia perguntei a ela porque havia casado com aquele cara? Ela sorriu... e disse que tudo foi um engano... sentia-se carente... então Mário apareceu... que tinha tanta convicção, tantas certezas e ela não tinha nenhuma...ele parecia ser sensível e casamento rápido. Merda. Depois o lobo mostra os dentes e garras...ele era político ao extremo... vivia a luta revolucionaria encerrando em si um monte de convicções que o tempo se encaminha de desfazer.

Aos que aprendem a ver. Muitos ainda não aprenderam a ver. Um abismo entre eles foi criado. Então o casamento passou a ser a forma, o molde social de apresentação bem sucedida da sociedade. Ual.
Ali estávamos nós, juntos. Passei a leva-la para casa a noite caminhávamos devagar, as vezes de mãos, olhávamos para os lados e nos beijamos na rua perto da meia noite. E aquilo era tão bom...a paixão é uma coisa boa... não havia planos, demos o foda-se para os nossos parceiros. O coração é foda. Poderíamos mudar o jogo? Simplesmente acabar com nossas vidas certinhas...e depois ficar junto em nome do amor?  E por um instante eu disse:

-Fatima... vamos mandar tudo a merda...tudo, minha esposa, teu marido...a merda com eles...e vamos ficar juntos...e depois a gente vê...

Olho seus olhos. Olhos castanhos, brilhantes e um cabelo negro que descia abaixo do ombros, sorria com doçura e encantamento:

-Fabiano... eu não posso... tenho meu filho...ele precisa de mim... não é bem assim, não tenho como mudar tudo assim...

Como que pressentindo algo em mim, deixei ficar assim. Não queria força-la a nada. Não se força ninguém a nada. Se vive tranquilo se possível. Eu queria o que não palpável em Fatima, sem promessas, sem tratos... viver apenas viver o mais intensamente possível.
Silenciamos o assunto.

Nos dias que se seguiram estávamos bem. Mas como algo que não pertence a este mundo... algo que com garras ferozes nos atinge, com se toda felicidade tivesse que ter um fim... porque? É assim mesmo?
Mario o marido de Fátima, havia conseguido uma transferência para o topo do país. La no Maranhão. Havia uma revolução no Maranhão? Mas que porra era essa? Uma revolução maranhense?

Naquele dia, ela chega a aula de teatro e tem um semblante carregado de uma tristeza inominável. Eu prestava atenção nela, ela não me encarava os olhos. Um peso silencioso tornava sua alma um chumbo sem brilho. Fiquei ansioso... queria saber o que havia? Durante a aula Fatima estava ausente...e um momento chorou sorrindo. Por fim, duas horas depois a aula termina. Ficamos a sós.

-Fatima... o que foi? O que há?

Ela sorri sem graça, e ainda sim parecia tão linda...tão leve, como uma dor que não se quer causar...uma dor sem drama... uma dor se música. Meu coração esta opresso, um rasgo de algo não entendido... por fim ela fala:

-Fabiano... eu to indo embora. O Mário foi transferido para o Maranhão... e ele já arrumou tudo...e vamos para lá em quinze dias... tu entendeu?

Aquilo significava o fim. Nunca lidei muito bem com finais. Como um frio que vem do intimo aquilo me atingiu violentamente. Porque? Que porra era essa? Porque tinha que ser assim? Hein? Era uma punição divina? É isso? Assim se acaba algo... que era bom, belo e leve? Mundo de merda... uma boca afiada de um tubarão consumindo a alma.

Nos abraçamos e começamos a chorar... iriamos nos perder... um perder para sempre? Sem dúvidas.
Me sentia perdido. A vida tornou-se algo horrível... a vida sem Fatima não seria nunca mais a mesma. Ficamos abraçados, chorando silenciosamente, as palavras eram tolices que nada poderiam amenizar.

Aquele dia eu a levei para casa... poucas foram as palavras. Entrei em sua casa e transamos apaixonadamente, não voltei para casa aquela noite. Bem, os dias que se sucederam foram como uma despedida lenta. Os moveis de sua casa começaram a sumir lentamente, como se desmaterializando, a mesa, as cadeiras, os guarda roupas a louça da cozinha... Fatima sumindo devagar. Os quinze dias foram os mais terríveis que vivi... pensei coisas terríveis... que talvez fosse melhor estarmos mortos a viver isso.
O quanto vale o amor?

Ela não poderia se livrar de tudo? Mandar o emprego, o marido as favas e viver comigo? Eu perguntei a ela isso... ainda tinha os vínculos da família...uma família que tem muita grana. Mas não... não era possível. Eu amaria mais que ela? Ou eu era mais irresponsável que ela? Eu sempre fui meio porra loca.

Por fim os quinze dias se esgotaram rápidos, vertiginosos. No dia que ela ia embora, eu fui até a casa dela, uma casa vazia. Ela abre a porta, me beija... tentamos prometer que vamos comunicar... que vamos tentar mesmo a distância ficar juntos.
Então chega a hora. Ela abre a porta nos olhamos, nos beijamos e saio caminhando pela Barão de Sta. Tecla, quando chego a esquina viro para trás, ela ainda esta a porta... e chora copiosamente...eu também, ergo a mão...e aquele adeus foi a última vez que a vi. Nunca mais.

O tempo passou, o tempo que parece consumir muitas coisas...mas aquela lembrança ficou. Eu a procurei como pude depois, mas ela parecia ter desaparecido deste mundo.
Pessoas desaparecem...todos os dias.

A verdade acaba sem acabar... hoje eu não sei se Fatima vive, se morreu... se foi abduzida, ela simplesmente sumiu e os rastros que ainda existem são de minhas memórias. As vezes passo pela Barão de Santa Tecla...e casa que ela morou ainda esta lá... como um tumulo fechado para alugar...e só.



Extraído do Livro: O beijo Sujo

Autor Luís Fabiano.


Perola do dia:





domingo, dezembro 29, 2013

Navalhadas Curtas: A amante e a mesinha de centro




Navalhadas Curtas: A amante e a mesinha de centro.

Uma mesa de centro serve para que?
Elas diriam que é um objeto ornamental para enfeitar a sala, algo estético estacionado, feito para colocar algumas bugigangas ali... e deu. Esse foi meu erro.

Me sentei na sala, na frente da televisão e claro tirei meu chinelos, e coloquei meus pés na mesinha. Era da altura certa, a dimensão certa, oba.
O ser humano complica tudo. Acho que as amantes deveriam ser mais complacentes, mais tranquilas amantes. Não posso reclamar, todas as amantes que tive foram melhores que minhas ex-esposas. Ok. Então ela vem que é um furacão pra cima de mim:

-Fabiano pode tirando as patas sujas da minha mesa de centro novinha...
E deu uma porrada nos meus pés. Moça educada. Aquilo era o limite de tudo... caminhávamos para o fim antes do natal. Dito e feito, as pessoas as vezes só facilitam as coisas.
-Precisa fazer isso assim?
-Que é? Quer carinho Fabiano? A mesa é minha... me fudi pra comprar viu...
-É?
-É.
-OK baby... então mais tarde tu fode com ela... boa noite.

Me levantei e fui saindo.

-Vai e já vai tarde Fabiano...tu é um merda cara... e pau igual o teu tem um monte ai em Pelotas...há, há, há...

Coisas simples podem conduzir para abismos. Se ela prefere assim tudo bem, não crio caso. Ela é bipolar, mas por agora foda-se.
Ontem ela me telefonou... disse que queria morrer, que queria beijos e abraços, que gostaria de fuder gostoso  depois...
-Oi? Foda-se Berenice... vá fuder com a mesa de centro.



Luís Fabiano.


Navalhadas Curtas: Papo loco...




Navalhadas Curtas: Papo loco...

Não discordo nunca de ninguém. Acho mais fácil deixar assim. Não tenho pontos de vista a defender, não tenho bandeira alguma, quero viver e que apenas não me torrem o saco.

Tava no bar, mais um bar novo que abriu nas imediações da Barão. Lugar alternativo... estava sozinho e pretendia ficar assim.
Então Hilary Jessica senta-se a minha mesa. Queria papo, talvez fuder... uma travesti bem produzida. Mas a minha era olhar o movimento, ficar bêbado e sair por ai...depois sem destino...vivo sem destino.

-Oi negro... tudo bom?
-E ai... sim ta tudo bem...
-Muito prazer sou Hilary Jessica...

Apertamos as mãos.

-Legal Hilary, sou Fabiano...e ai... qual é a boa?

Fiz uma pergunta inocente... então:

-Nossa cara, hoje estou muito sensível... tpm sabe...a menstruação tá para vir...então fico loca, loca, loca....
Ela falava sério.Ergui uma sobrancelha, fiquei olhando para ela... e aí que eu poderia dizer? Queres que eu busque um modes super? Pensei.

-Legal Hilary...isso é assim mesmo...mas depois que desce é uma felicidade.
-As cólicas estão horríveis...sabes...nós mulheres...nossa...

Ela tava na convicção...e ai?
Deixei andar para onde quer que fosse. Ela era mulher ou não era mulher? Não sei... ela era do tipo que iria ter gravidez psicológica e o caralho a quatro... tudo bem.

-Coloca uma bolsinha de água quente que ajuda...nem ta muito calor...e outra se a tua menstruação vier pelo cu...bem talvez nãos seja menstruação né?!
Levantei e ela ficou me olhando...acho queria mais papo.


Luís Fabiano.

Pérola do dia:


Pérola do dia:

“ Mantenho um forte contato com a insanidade
das pessoas que me relaciono... para manter a minha sanidade”.



Luís Fabiano.


Bucetas Depiladas




Bucetas Depiladas

Dobras convexas tão limpas...
Como sonhos vazios que se desfazem
Imitando animais sem pelos....
Jovens animais alias...
Que desejam uma pureza que não mais existe...
Nem pelos
Nem apelos...
Nem anjos...
Nem demônios

Uma buceta sem um único pelo... é como um corpo sem alma
A boca encontra uma superfície fria...lisa e distante
Imberbe
Ainda que tenha 40, 50 ou 100 anos...
Um gato sphynx de duas patas
E ela adorara vislumbrar a si, nua diante de um espelho...
Com a racha limpa qual um desmatamento...
O que o padrão impõe...
Seja isso...
Seja aquilo...
Tenha mais bunda, mais peito mais coxa...
E da mulher que estamos falando?

E como uma cadela encantada, você se torna...
É tudo que você quer é ser...é o padrão
Mas há resistentes...
E o mundo é de quem resiste...
Amigas, fêmeas, fortes...
Entendidas e peludas...
Lindas...

Que deixam o traço firme de uma buceta ao moda antiga...
Deixando seus parceiros(as)... com pelos na boca...
Foi bom lembrar isso...
Homens de merda... que colaboram
Com a nova era das trevas da modernidade:
Sim...

É contigo que estou falando:
A você quem não põe a boca na xoxota da tua parceira...
Você que também exige uma superfície lisa como asfalto novo...
E não chupa ela...
Quando você não chupar... lembre-se eu estarei ali...
Sugarei o grelo dela lentamente quando não estiveres
Deixando a seiva de sua beleza fluir como leite
Do tesão de deus e seus anjos de vozes finas...
Homens... incompetentes...
Que lambem um carro...
Mas não lambem a xoxota, ainda úmida de mijo da esposa...

É...
Tudo bem...
Talvez eu seja um macaco brutal mesmo...
A licença incendiada dos pesadelos da estética...
Sou
O insano sem remédio
Amando em desespero os teus pelos
A tua alma e a tua merda
Amo a tua resistência quase doentia
E o desenho dos teus pelos ontem e hoje...
Buceta e alma
É tudo que quero sempre
amem.


 Luís Fabiano.


sexta-feira, dezembro 27, 2013

Pérola do dia:


Pérola do dia


" As mulheres nunca perdoam os fracos ".



Anton Tchekhov

quinta-feira, dezembro 26, 2013

Navalhadas Curtas


Navalhadas Curtas: Natal de Merda

Como sempre digo... viva a merda. O consolo dos ingratos é que não se caga para dentro. É isso, comi algo na noite de natal, algo que talvez tenha sido atômico. No inicio uma dorzinha leve abdominal e depois... me senti morador único da ilha do coco.

Fato simples e sem maiores profundidades. Ledo engano. E a beleza se vestiu de marrom coco. Yes... dia 25 passei cagando a felicidade do papai Noel. Papai Noel marrom, Papai Noel cheiroso da porra...caguei vários “papais noeis “... ligeiros jatinhos anais... e sabiamente diria o Paulo Francis...” o anus do anus, do anus...”

Aja cu.
Por fim ao amanhecer insólito de pregas felizes de quase sangue... e então feliz natal. Mas que merda...
Ei Papai Noel seu filho da puta... me traga uma rolha no ano que vem ok?

Luís Fabiano.



Poesia Fotografica




terça-feira, dezembro 24, 2013

" Trecho Solto...


Trecho Solto...


Quem podia, vinha fazer os abortos no Rio, para despistar. Mas claro, eu graças a Deus, não tive que fazer aborto e agora, olhando para trás, vejo que Deus sabe mesmo o que faz, porque eu não dar para mãe, ia ser uma mãe horrenda e talvez até comesse o meu próprio filho, conheço uma meia dúzia de três ou quatro dessas Jocastas por aí, nada no mundo é impossível, isso é até relativamente comum.

Como dizia o velho Matozinho, na faculdade, a verdade dói, a verdade machuca, a verdade contunde, a verdade fere, a verdade maltrata, a verdade mata – o velho Matosinho era um estilista baiano, no pioríssimo sentindo da palavra, mas tinha obvia razão.

Como tinha razão Nelson Rodrigues: “se todo mundo soubesse da vida sexual de todo mundo, ninguém se dava com ninguém”. A verdade é essa, de vez em quando eu fico com ímpetos de sair vergastando os fariseus, acho que é por isso que quero publicar este depoimento, já me quebra um galho.

Não vou dizer que seja comuníssimo mãe comer o filho ou irmã comer irmão, mas que las hay, las hay. E los hay também, talvez até mais. No interior do nordeste – por que não dizer do Brasil todo, e do mundo todo? – de vez em quando prendem um, como sempre, pobre, e suspeito que é a famosa ponta do iceberg, na verdade as ocorrências são muito mais numerosas do que se imagina. Em relação a irmão, posso dar meu testemunho pessoal, eu comi muito o Rodolfo, meu irmão mais velho, até ele morrer a gente se comia, sempre achávamos isso muito natural. Evidente que é natural, a maior parte das pessoas passa pelo menos uma fase de tesão no irmão ou na irmã, só que a reprime em recalques medonhos. Nós não. Norma Lucia também não. Muita gente também não

Mas não era isso que estava dizendo, eu ia dizer que, se houvesse mesmo feminismo neste país – feminismo sadio, não esta merda de querer ser melhor do que os homens e apenas assumir o papel de dominador, como se para descontar, burrice, burrice, uma tirania não justifica outra, burrice – levantariam uma estátua para Norma Lucia, estabeleceriam uma Fundação Norma Lucia, qualquer coisa assim”.


Extraído da Obra – A Casa dos Budas Ditosos -  LUXÚRIA
Pagina 33 da primeira edição.

Autor – João Ubaldo Ribeiro.


Desconstrução





Desconstrução


O que funciona 
É que tu não compreendes
Passos de um desamor em desassossego
Olhos que se voltam contra as correntezas
Não quero o que todos querem de ti
Nem possuir o que possuis ainda
Quero passear tranquilo entre os ciclones
Me inquietar nas estradas sem pedras
Quero teu carinho quando tudo for impossível
E não preciso ser feliz para sempre 
Porque nada é...
Sim...

Quero que o longe nos aproxime 
E a escuridão ilumine as luzes que nos cegam
Teu sumo amargo
Acalentando poesias doces quase decentes 
E teu querer, asas de um gavião
Não vim aqui para te dar algo...
Mas para que algo acorde em ti
Entre as dores das rosas
E espinhos tecidos de carinho
Quero o que cala, grite
E que guerras sejam gentis um pouco
Que o amor não tenha regras

Quero que a imperfeição seja meu aprisco seguro
E que possamos nos perder para nos achar
Tua negação como sim
Teu sim como como fuga
Tua fuga como encontro
Teu encontro perdição
Tua perdição a fé
Da fé desespero
Desespero teu sorriso
Do sorriso tuas lágrimas 
Tuas lagrimas o barro
Do barro a obra
Da obra a destruição
Da destruição recomeço 

E sempre saber que passa...
Passa o tempo
Passam as flores 
Passa a vida
As noites
E o amanhã também...
Desfazendo lentamente o que segundo habita
E ali
Naquela zona a deriva...
Estaremos sendo o que somos
Um algo do breve.


Luís Fabiano.

segunda-feira, dezembro 23, 2013

Circo Akrata



    CIRKO AKRATA    

Um pessoal aqui de Pelotas, que esta fazendo um trabalho sensacional e transgressor.
Gostei muito do que vi, e por isso estão aqui.




Rei das Bucetas - The End


Rei das Bucetas, látex, um cão furioso e Rebeca Sharon

The End.

O telefone celular tocando em uma madrugada é o anuncio prévio que o demônio estra trabalhando. Como se o sino de um catedral tocasse na madrugada...isso não deve acontecer. Deixo tocar aquela merda algumas vezes... tenho esperança que o diabo do outro lado da linha desista... as vezes desistem. Então ele para de tocar. Sinto um alivio. É assim. Então volta a tocar da mesma forma. Me recomponho...e pego o telefone e vejo o número... é Rebeca Sharon, uma amiga, atendo:

-Fala Rebeca... porra... deve ser algo do cão...
-Fabiano? Fabianooooo chega aqui cara querem me matar...o cara ta louco...chega aqui Fabiano...urgente.

Pensei: porque eu? Deus do céu... que merda...

-O Rebeca... calma ai... que houve porra?
-O cara ta louco...chapado...insano...quer me matar... do aqui na casa da praia Fabiano...vem aqui...
-Rebeca... tu tens tantos machos... por que eu?
-Fabiano...o cara ta quebrando a casa...

Rebeca é frequentadora de um outro bar que faço uso...é uma transex linda, loira e peituda, é uma pessoa legal... gosto dela, mas nada passou disso. Dei algumas caronas pra ela...quando vinha de algum puteiro... ela gosta de beber, cheirar e chupar pau. E agora estava nervosa no telefone...malditas encrencas parecem me acompanhar. É inevitável. Isso é viver.

-Ok Rebeca...ta tranquilo, já chego ai em minutos... mas seguinte vai tentando falar com cara pela porta...(eu ouvia estouros de tijolos no telhado...na porta, que teria acontecido naquela linda história de amor?)... relaxa.

Desligo o fone e me visto rápido, Zuleica queria fuder mais... mas agora não seria possível. Fiquei meio nervoso com a situação, amigos precisam de ajuda as vezes. Nervoso e meio bêbado, péssima mistura. Não sou bom de briga, não ando armado, não pretendia usar violência e não queria morrer...mas as vezes dá pra mediar a coisa toda. As vezes as pessoas se satisfazem com um pouco de violência apenas. Ele me dá uns socos... fica indignado e vai embora me chamando de merda. Beleza. Tudo resolvido.

-Fabiano tu vais voltar aqui? Comer meu cuzinho Fabiano – diz Zuleica.
-Não vai dar Zu... quer dizer não sei... se eu sobreviver...eu volto...
-Fabiano...eu não te entendo cara... podias ficar longe de tudo isso... mas..
-A vida não é fácil Zu...e eu não sou um babaca.
-Sei, tu é trouxa mesmo... mas gosta de fuder

Senti um pouco de raiva dela. Mas foda-se. Uma buceta é uma buceta, e por vezes o que temos é isso, um imenso nada coagulado em uma noite alcoólica. Não exijo demais da vida, jamais farei isso. Quero viver um minuto por vez, tomando meu rum, comendo algumas bucetas e tentando fazer o que gosto de fazer, brinca de viver, brincar de morrer e alguns tragos de arte.

Pego o kadett, dou a partida em direção ao Laranjal. O Laranjal não me traz boas recordações, muitos pensamentos ambíguos, penso em limite que já estive exposto, lembro de um desejo sanguinário que não chegou a se concretizar. Você sabe que em certos momentos da vida, não se tem nada mais a perder...ai as coisas podem se tornar perigosas. Estive neste momento, mas por um motivo que não sei exatamente por que eu não fiz nada.

A estrada do Laranjal madrugada, as luzes eram riscos densos desenhados nos postes...me sentia bem e não tinha um plano de voo. Que eu iria fazer lá? E se o cara tivesse dois metros de altura? Ou se tivesse afim de matar mesmo? Que porra teria acontecido? O trem estava andando e sou um maldito passageiro atrasado a espera de uma recompensa. Merda...merda...merda.

E você leitor não vai fazer nada pra me ajudar? Nada né. Você gosta desta merda toda, você não está na minha pele. Não ta vendo a merda toda. Você espera o final dessa porra...um final que talvez console? O final que consola é a cura. As vezes em mim não existe cura...e portanto não haverá consolo. Eu me fodo...você se fode também. Tu és meu cumplice...

Passo o primeiro trevo do Laranjal e dobro a direita dobro a esquerda na segunda rua...e ando um pouco mais...e lá estava a casa de Rebeca Sharon...luzes apagadas e um cara magro gritando fora de casa. Os vizinhos não reclamaram? Acho que não gostam das festinhas de Rebeca Sharon sempre tem muita bebida. Encostei o carro e comecei a minha atuação:

-Mas que porra é essa que ta acontecendo aqui? Quem é o senhor? Que merda é essa? O senhor quer ir preso é?

O cara virou pra mim e ficou me olhando talvez avaliando a minha autoridade. Era hora de mostrar que eu era da lei...um oficial...

-Recebi uma denúncia, que é? O senhor ta achando que não?Ta achando que eu to de comédia...  o senhor pode me explicar o que ta havendo aqui?

La dentro da casa... Rebeca gritava:

-Filho da puta... viadinho de merdaaaaaaa...seu porraaaaa... tu vais ver quando ele chegar caraaaa ele vai comer a tu cu com arame farpado e caco de vidro cara....há,há,há

Ela tava maluca... ria feito uma pomba gira desnorteada. Deus...
Por fim o cara me levou a sério...e baixou a bola. Então chegou perto do kadett:

-É que na verdade senhor, eu sou apaixonado por essa mulher...e tivemos uma discussão e agora ela não me quer mais?
- Entendo senhor, mas como a coisa foi ficar violenta desta forma no meio deste amor? Quero saber se o senhor vai cooperar...
-Não é que...essa mulher me deixa louco...ela me traiu...e agora não me deixa entrar...eu amo ela...

O amor as vezes, é uma doença tão daninha como um câncer. Os seres humanos lidam pessimamente como as emoções. Se deixam levar totalmente pela emoção, e a emoção assim é uma merda...ela vai te arrastar para uma subcondição. Foda-se amor.

-Tudo bem senhor, então quero saber se o senhor vai ir embora por agora? Uma vez que a moça não quer conversar, creio que não seja um bom momento. Da um tempo pra ela...na pressão vai ser difícil de lidar...

Agora éramos amigos. Será que ele sabia que a Rebeca era uma transex? Não vejo nenhum problema nisso. As coisas voltaram a ficar em silencio. O cara devia ta chapado mesmo...porque acreditou em mim... como a lei?  Acho que minha atuação esta ficando cada vez mais convincente.
Fiquei conversando com ele um pouco mais. Rebeca ainda gritava lá de dentro. Parecia estar cheirada, como um louca queria terminar de incendiar a coisa toda. No fim  foi mais fácil de lidar com isso que eu imaginava.

-Cornooooo, broxa viadinho da porra...quis comer o meu cu...e essa merda não ficou dura né? Seu porraaaaa...vem aqui que eu te como seu porraaa...

Olhei pro cara, ele sorriu meio amarelo.

-A moça é sempre deselegante assim?

-É...ela muito temperamental sabe...e acho que bebeu um pouco.
-Ok senhor...então agora peço a senhor que se retire...

Ele aperta minha mão e vai embora, a pé. Entro do carro e respiro fundo. A vida é menos pesadelo e mais bonança...as vezes. Tenho sede. Ninguém morreu. Barbada, talvez até voltasse para comer o cu de Zuleica.
Fui até a porta de Rebeca Sharon. Bati levemente dizendo que era eu  -ela abre.

-Porra Rebeca... que merda é essa?
-Fabiano...desculpa. É que ele tava louco mesmo...eu sou mulher 

Fabiano...frágil..tu sabes...eu é o cara que anda por ai...

-Não sou segurança Rebeca... mas tá foda-se a humanidade. To cansado...
-Quer dormir comigo amor?
-Não é pra tanto né... tem bebidas nessa casa?
-Tem.

Ela estava de vestido justo preto, havia feito a cirurgia a algum tempo... ideia brilhavam na minha mente. Mas não... lembrei do cu de Zuleica, um bom cu... grande, bem aberto de pregas distendidas...

O whisky veio. Uma dose boa... agora seria o que romance? Boquete? Amor e obrigado meu herói. Madrugada maldita. Aquilo foi pá de cal. Bebi aquela merda e o sofá me pareceu confortável demais...adormeci.
Acordo meio dia, dormi com a roupa do corpo, o sofá tava bacana, dor de cabeça e algum cansaço. Vejo Rebeca Sharon sem maquiagem em uma manhã infernal.  A vida não é como a novela e a realidade despida é foda. A vida não é adereços e acessórios. Levantei e senti cheiro de café... sentei a mesa:

-Não vai lavar o rosto não?
-Bom dia... não gosto de lavar o rosto.

Tomo o café...me sentia vazio....neste período do ano me sento assim. As pessoas parecem serem feitas de plástico. Pensava em voltar para casa...mas voltaria para que? Não queria pensar nisso. Rebeca querendo bancar a esposa...queria me agradar...mas preciso ir, preciso voltar.

Luís Fabiano.

The End.



Natal da Navalha...



domingo, dezembro 22, 2013

Literatura Histérica 11



Literatura Histérica 11 (Hysterical Literacture )
Inspirado no trabalho de
 Clayton Cubbit

Ousado projeto do fotógrafo, cineasta e escritor James Clayton Cubitt. 
Uma ideia muito original
Que agora tem a sua versão tupiniquim...(Gozando De um Bom Livro)
Quando alguém é bom... ele cria discípulos por aí...
A ideia é a mesma 
Colocar uma dama lendo um livro qualquer...
 Enquanto debaixo daquela mesa, algo muito gostoso acontece.
A moça fica tentando ler, enquanto é estimulada...
O objetivo é fazer com que ela leia, sem perder o foco... enquanto sente muito prazer...e nos dar prazer...
A ideia é sensual e linda.

Hoje é a vez de Lu Riva

Muito prazer...para todos nós...




Navalhadas Curtas: Decote...




Navalhadas Curtas: Decote...

Gosto de olhar decotes, mas quem não gosta? Até as mulheres gostam de olhar, ainda que seja para julgar. Elas são ótimas nisso. Eu tava no camelódromo.

Uma coroa passa por mim, vestia-se como uma menina de minissaia, o grande detalhe era o decote. Imenso, generoso...mostrando umas tetas enormes e muito caídas, em linha reta quase no umbigo e não estou exagerando.
Tudo bem, eu não dou bola para padrões estéticos, nunca dei... aliás apreciar o que é belo é muito fácil. Olhar a Monalisa é barbada, comer a mãe do Leonardo da Vinci é que foda.

As mercadorias despadronizadas é que exigem um gosto refinado.
Cravei meus olhos no decote da velha porque gostei simples... e ela percebeu reagindo:

-Que foi hein? O senhor nunca viu um decote não?

Essa foi surpresa. Então parei no corredor atopetado de gente, olhando reto o decote dela,com a boca meio aberta babando, não disse uma única palavra...

-Que isso? O senhor é um a tarado é? Isso é um horror...

Eu segui em silencio.O silencio é sempre perturbador.Eu prefiro perturbar. As pessoas olhavam para ela e desviavam de mim...
Então ela passou... bem ao meu lado, eu ainda parado com um débil. Ai alguém disse para ela:

-Senhora...acho que ele é doentinho...da cabeça sabe!!?Olha aí...

A velha desapareceu como um peido envergonhado. Eu segui meu caminho...mas foi impossível conter o riso.


Luís Fabiano.